Sintomas, Riscos e Tratamento
📖 O que são Pólipos Colorretais? (Introdução e Definição)
⚠️ Por que os pólipos aparecem? (Fatores de Risco)
🌎 O Cenário do Câncer de Intestino no Brasil: Importância da Avaliação Personalizada
🧩 A Genética do Pólipo: O Encontro do DNA com o Ambiente. Por que o pólipo nasce e por que devemos removê-lo?
👪 A Genética e a Hereditariedade. O Câncer Colorretal está escrito no meu DNA?
🎞️ Do Pólipo ao Câncer: A História Natural. Como uma célula normal vira um tumor?
🎲 Qual a chance do pólipo virar Câncer? Entendendo o Risco Real: Absoluto, Relativo e o "Câncer De Novo".
⚡ O Fenômeno "Câncer De Novo". O Inimigo Invisível e Rápido
🚩 Quais são os Sintomas dos Pólipos? O Silêncio Traiçoeiro.
📏 Tamanho dos pólipos colorretais importa! Como medir? Por que o tamanho é o "termômetro" do risco?
📍 Localização: Cólon Direito vs. Esquerdo. O "CEP" do Pólipo muda o risco?
🔎 Como fazemos o diagnóstico dos pólipos? O Caminho para Encontrar e Eliminar o Perigo
🔢 A Matemática da Prevenção: Número de pólipos e o risco futuro de câncer colorretal.
🍄 O Formato dos Pólipos: Pediculado, Séssil, Plano e Deprimido. O que a "cara" do pólipo nos diz sobre o risco?
🏛️ Classificação de Paris dos Pólipos. Decifrando o código do seu laudo.
🚨 Sinais de Perigo: Quando o Pólipo parece INVASIVO? O Olho Clínico do Endoscopista
🎥 Tecnologia de Imagem: O que o médico vê? Entendendo a "Visão de Raio-X" da Endoscopia Moderna
🔬 Entendendo a Biópsia: O que diz o laudo? Traduzindo os termos técnicos do resultado
✂️ Tratamento (O "Como Resolve"): Como retiramos os Pólipos? (Polipectomia e Mucosectomia Colorretal
📅 Prevenção e Vigilância (O "Depois"): Quando repetir a Colonoscopia? Vigilância após polipectomia
🛡️ Prevenção Primária: Como evitar que os pólipos voltem? Dieta e Estilo de Vida: O Poder está em suas mãos
Para entender o que é um pólipo, a melhor analogia é imaginar uma pequena verruga ou um cogumelo crescendo silenciosamente na "pele" de dentro do seu intestino. Em termos médicos, o intestino é um tubo flexível composto por várias camadas (como uma câmara de pneu). A camada mais interna, que entra em contato com as fezes, chama-se Mucosa.
- A Definição Simples: O pólipo nada mais é do que um crescimento anormal de células dessa mucosa. Ele começa como um pequeno aglomerado de células que perdeu o controle de multiplicação e formou uma "bolinha" que se projeta para dentro do canal do intestino.
🚨 Por que nos preocupamos tanto com eles?
Esta é a informação mais valiosa que você levará desta leitura:
"Nem todo pólipo vira câncer, mas quase todo câncer de intestino começou como um pólipo."
A maioria dos pólipos nasce benigna. No entanto, com o passar dos anos, alguns deles sofrem mutações genéticas e podem se transformar em um câncer (maligno).
- A Boa Notícia: Essa transformação é lenta (leva anos). Isso nos dá uma "janela de oportunidade" única. Se fizermos a colonoscopia, encontrarmos o pólipo e o removermos (polipectomia) antes dele virar câncer, nós efetivamente cortamos o mal pela raiz. É por isso que dizemos que a colonoscopia previne o câncer, e não apenas o diagnostica.
📊 Quem tem pólipos? (Estatísticas Simplificadas)
Eles são muito mais comuns do que você imagina.
- Frequência: Ao fazer uma colonoscopia de rotina (rastreamento), encontramos pólipos pré-cancerígenos (chamados Adenomas) em cerca de 25% a 30% das pessoas saudáveis.
- Idade e Sexo: Eles preferem os homens e a chance de tê-los dobra a cada 5 anos após os 50 anos de idade. É por isso que o rastreamento começa hoje aos 45 anos.
- Localização: Mais da metade deles gosta de se esconder na parte final do intestino (Sigmoide e Reto), mas podem aparecer em qualquer lugar.
🧬 Tipos e Origem: "Sorte" ou Genética?
Existem basicamente duas formas de você desenvolver um pólipo:
- Esporádicos (90% dos casos): Acontecem "ao acaso", pelo envelhecimento natural do corpo, alimentação e estilo de vida. É o desgaste natural do DNA das células.
- Hereditários (10% dos casos): Ocorrem em famílias com mutações genéticas específicas. Nesses casos, os pólipos aparecem mais cedo (em jovens) e em maior quantidade.
👨⚕️ O Conceito de Qualidade (O que é TDA?)
Você lerá em laudos ou artigos o termo Taxa de Detecção de Adenomas (TDA). Isso é um índice de qualidade do médico.
- O texto médico diz que "uma TDA >25% é o indicador de qualidade mais importante".
- Traduzindo para você: Isso significa que um bom colonoscopista deve encontrar pólipos em pelo menos 25% dos exames que faz. Se o médico encontra poucos pólipos, pode ser que ele não esteja olhando com a atenção necessária. Um exame minucioso salva vidas.
⚠️ Nem todo pólipo é igual
Embora a maioria venha da família dos Adenomas (os mais famosos), descobrimos recentemente uma nova classe chamada Pólipos Serrilhados. Eles são mais "discretos", planos e difíceis de ver, responsáveis por cerca de 15% dos cânceres. Por isso, usamos equipamentos de alta definição para não deixar nada passar.
No consultório, a pergunta mais comum é: "Doutor, por que eu tive isso?". Para responder, precisamos entender o conceito de Risco. Na medicina, "risco" não é uma previsão do futuro, mas sim uma probabilidade. É como um jogo de cartas: o resultado depende tanto das cartas que você recebeu ao nascer quanto de como você decide jogá-las ao longo da vida.
🧠 O que é “risco” e como ele afeta você?
Na medicina, a palavra risco significa a probabilidade de uma pessoa desenvolver determinada doença ao longo da vida. No caso dos pólipos intestinais, o risco não é igual para todos. Algumas pessoas têm maior tendência porque o organismo está exposto a fatores que favorecem alterações nas células do intestino ao longo dos anos.
Os pólipos surgem quando células da mucosa intestinal passam a crescer de forma desorganizada. Isso não acontece por acaso. Geralmente é resultado de uma combinação de envelhecimento celular, predisposição genética, inflamação crônica e exposição prolongada a fatores ambientais, como dieta inadequada, sedentarismo e tabagismo.
Quanto maior o tempo de exposição a esses fatores, maior a chance de surgirem alterações celulares que podem dar origem aos pólipos. O desenvolvimento de um pólipo — e sua eventual transformação em câncer — é o resultado da colisão entre duas forças:
🥗 2. Fatores Modificáveis (O Poder da Escolha)
É aqui que a medicina moderna foca a Prevenção Primária. Estudos mostram que o estilo de vida funciona como um "interruptor" (epigenética): seus hábitos têm o poder de ligar ou desligar os genes do câncer.
- ⛽ O "Combustível" do Pólipo: Dietas ricas em gorduras saturadas, frituras, carnes processadas e alimentos ultraprocessados (pobres em fibras) criam um ambiente inflamatório constante, alimentando o crescimento celular desordenado.
- 🛑 O "Freio" do Pólipo: A atividade física regular, o controle do peso, nutrientes como fibras, cálcio e antioxidantes ajudam o sistema imunológico a destruir células defeituosas antes que elas tenham chance de virar tumores.
- 🚀 Os "Aceleradores": O tabagismo, álcool, obesidade e sedentarismo funcionam como catalisadores, agredindo diretamente o DNA das células do intestino e acelerando mutações.
🧬 1. Fatores Não Modificáveis (A Bagagem que Trazemos)
Estas são as cartas que você recebeu. Você não pode trocá-las, mas conhecê-las é vital para definir a estratégia de vigilância.
- Idade: O envelhecimento natural das células faz com que o sistema de reparo do DNA fique mais lento. É o fator de risco isolado mais forte.
- Genética e Hereditariedade: Seus pais lhe deram genes que protegem ou predispõem ao câncer. Algumas famílias possuem "falhas" nesse código (síndromes genéticas) que aceleram o processo.
- Histórico Pessoal: Se seu intestino já produziu pólipos no passado, ele demonstrou que tem a "receita" para fazê-lo novamente.
🎯 O que é o "Rastreio de Precisão"? (Adeus à Medicina de Tamanho Único)
Antigamente, a regra era simples e rígida: "Todo mundo faz o mesmo exame na mesma idade". Hoje, praticamos o Rastreio de Precisão (ou Screening Personalizado).
Isso significa que não olhamos apenas para a sua idade. Nós avaliamos o seu Perfil de Risco Individual (a soma da sua genética + seus hábitos) para responder a três perguntas cruciais:
- Quando começar? (Aos 45 anos? Aos 40? Ou aos 20?)
- Qual exame fazer? (Colonoscopia direta? Sangue oculto?)
- Com que frequência repetir? (A cada 10 anos? A cada 1 ano?)
O Objetivo: Garantir que quem tem alto risco seja vigiado de perto ("cercar" a doença), enquanto quem tem baixo risco não seja submetido a exames desnecessários.
Por que agir agora faz a diferença? O câncer de intestino não surge da noite para o dia. Ele possui um período de latência longo — ou seja, leva vários anos para que um pólipo (adenoma) se transforme em um câncer invasivo. Essa "janela de tempo" é a nossa maior oportunidade: ao identificar e modificar seus fatores de risco hoje, você tem o potencial de interromper esse processo e evitar o surgimento da doença.
⚠️ A Matemática do Perigo: Por que 3 fatores são o "Ponto de Virada"?
(O Efeito Cumulativo dos Riscos Modificáveis). Você pode pensar: "Eu estou um pouco acima do peso, mas todo mundo está" ou "Eu como churrasco e bebo cerveja, mas faço caminhada às vezes". O problema não é ter um hábito ruim isolado, mas sim a combinação deles.
A ciência descobriu algo alarmante: quando uma pessoa acumula três ou mais fatores de risco modificáveis (aqueles ligados ao estilo de vida), o risco de desenvolver pólipos e câncer não apenas soma – ele se multiplica.
🔄 O Efeito "Bola de Neve" (Sinergia)
Imagine que o seu corpo tem um sistema de reparo (uma equipe de manutenção) que conserta células defeituosas todos os dias.
- Com 1 fator de risco (ex: Sedentarismo): A equipe de manutenção fica sobrecarregada, mas ainda dá conta do serviço.
- Com 3 ou mais fatores (ex: Sedentarismo + Obesidade + Álcool): A equipe entra em colapso. O corpo sofre um "ataque multifrente". Enquanto o corpo tenta lidar com a inflamação da obesidade, ele não consegue reparar o dano causado pelo álcool no DNA.
🧪 O Que Acontece Dentro das Células?
Quando esses fatores se juntam, eles criam o ambiente perfeito para o pólipo nascer, através de três mecanismos biológicos que agem juntos:
- Inflamação Crônica (O Solo Fértil): A obesidade (especialmente a gordura na barriga), o álcool e o cigarro deixam o corpo em estado de inflamação constante. É como se o intestino estivesse sempre "irritado". Células irritadas se dividem mais rápido para tentar cicatrizar.
- Resistência à Insulina (O Fertilizante): O sedentarismo e a má alimentação aumentam a insulina no sangue. A insulina é um hormônio de crescimento. Em excesso, ela age como um "adubo", estimulando aquelas células irritadas a crescerem desordenadamente, formando o pólipo.
- Dano Direto ao DNA (O Gatilho): As substâncias químicas da carne processada (salsicha, bacon) e do cigarro agridem diretamente o código genético das células.
📋 Quais são os "5 Grandes" Modificáveis?
Se você marcar 3 ou mais itens desta lista, você está na zona de perigo aumentado:
🔴 Obesidade ou Sobrepeso (IMC alto ou muita barriga).
🔴 Sedentarismo (Fazer menos de 150 minutos de exercício por semana).
🔴 Dieta Ruim (Muita carne vermelha/processada e pouca fibra/vegetais).
🔴 Tabagismo (Fumar cigarros ou vape).
🔴 Consumo de Álcool (Moderado a pesado).
✅ A Boa Notícia: O Poder de Subtrair
A melhor parte de entender isso é saber que o jogo pode virar. Como esses riscos são modificáveis, ao eliminar apenas um ou dois deles, você "quebra" essa corrente de multiplicação.
- Se você parar de fumar e começar a caminhar, mesmo que ainda esteja acima do peso, você já desarmou grande parte da bomba-relógio. O seu risco cai drasticamente.
HÁBITOS TÓXICOS
🚬 1. Por que o cigarro é o grande inimigo do intestino? O cigarro acelera a formação de pólipos agressivos
🍺 2. Álcool e Intestino: Uma Relação Perigosa: Irrita a mucosa e aumenta o risco de mutações
🍔 3. O Perigo dos Ultraprocessados: Comida de "Mentira", Risco de Verdade
🥓 4. Carnes Processadas (Embutidos): O Inimigo Nº 1 — Classificação de Risco Máximo
🍳 5. Gordura animal e frituras: Aumentam a inflamação sistêmica
🥩 6. Carne Vermelha (O Segredo é a Moderação): Não é Proibição, é Controle de Dose
🔥 7. O Perigo do Preparo: Não é apenas O QUE você come, mas COMO você prepara
CARÊNCIAS NUTRICIONAIS (O QUE AUMENTAR)
🥗 1. O baixo consumo de vegetais e frutas: O Escudo Natural, por que a falta aumenta o risco?
🌾2. O Baixo Consumo de Fibras: O "Motor" do Intestino e por que a falta de Fibras causa Câncer?
🐟 3. O Baixo Consumo de Carnes Brancas (Peixes e Aves): Mas cuidado com o preparo
🥛 4. Carência de Vitamina D e cálcio, os Guardiões do Intestino: Por que aumenta o risco?
🫐 5. Baixo consumo de antioxidantes: Vitamina E, C, Carotenoides e Flavonoides
ESTILO DE VIDA E METABOLISMO
⚖️ 1. Obesidade e Sobrepeso, o Peso da Inflamação: Por que o excesso de peso "alimenta" o câncer?
🏃 2. Sedentarismo: Risco de Pólipos e Câncer de Intestino
🦠 3. Disbiose: O Ecossistema Invisível: Por que a Disbiose causa Câncer?
🧠 4. O Peso da Mente: Como o Estresse Crônico alimenta o Câncer
🧬 Fatores de Risco Não Modificáveis. O Que Trazemos na Bagagem
👴 1. Idade: O Acúmulo do Tempo. Por que envelhecer aumenta o risco?
🚹 vs 🚺 2. Homens e Mulheres: O risco é diferente. A influência do sexo biológico
🌍 3. Raça e Etnia: A Influência da Ancestralidade. Por que sua origem genética importa?
👪 4. História Familiar de Câncer Colorretal: A Herança Genética e por que o histórico da família muda tudo?
👪 5. História Familiar de Pólipos: O "Sinal Amarelo". Não é só o câncer que conta, o precursor também.
📜 6. História Pessoal: O Passado Alerta o Futuro. Quem já teve pólipo ou câncer colorretal, pode ter de novo
🧬 7. A "Loteria" Genética: Síndromes de Alto Risco. Quando o câncer está escrito no DNA
🔥 8. Doenças Inflamatórias Intestinais (DII): Retocolite Ulcerativa e Doença de Crohn por muitos anos.
🩸 9. Diabetes Mellitus tipo 2: O Acelerador de Risco. Por que o açúcar alto ameaça o intestino
Para entender por que falamos tanto em prevenção, precisamos olhar para os números. O câncer colorretal (intestino) deixou de ser uma doença "de idosos" ou "rara" para se tornar uma epidemia silenciosa no Brasil e no mundo.
📈 A Realidade dos Números (Por que se preocupar?)
Segundo as estimativas mais recentes do INCA (Instituto Nacional de Câncer), o câncer colorretal já é o segundo tipo de câncer mais frequente tanto em homens quanto em mulheres no Brasil (excluindo o câncer de pele não melanoma). Estamos falando de mais de 45 mil novos casos diagnosticados por ano.
- A Mudança de Perfil: Antigamente, essa doença era vista apenas após os 60 ou 70 anos. Hoje, observamos um fenômeno global preocupante: o aumento da incidência em adultos jovens (abaixo de 50 anos), impulsionado pelas mudanças no estilo de vida moderno (sedentarismo e alimentação industrializada).
🍄 O Pólipo: A "Janela de Oportunidade"
A grande "sorte" biológica do câncer de intestino é que ele não nasce do dia para a noite. A vasta maioria (cerca de 95%) começa como uma pequena lesão benigna chamada Pólipo.
- O que é um Pólipo? Imagine uma pequena "verruga" ou um "cogumelo" crescendo na parede interna do intestino.
- Adenomas e Serrilhados: Nem todo pólipo vira câncer, mas quase todo câncer já foi um pólipo. Os tipos Adenomas (responsáveis por 2/3 dos casos) e as Lesões Serrilhadas são os precursores que precisamos encontrar.
- A Corrida contra o Tempo: Um pólipo pode levar de 5 a 10 anos para se transformar em um tumor maligno. Essa é a nossa Janela de Oportunidade. Se fizermos a colonoscopia nesse intervalo e removermos o pólipo, cortamos a história do câncer pela raiz. A prevenção aqui não é só descobrir cedo, é evitar que a doença exista.
🎯 A Avaliação Personalizada (Não somos todos iguais)
A medicina antiga tratava todos os pacientes com a mesma régua. A medicina moderna utiliza a Estratificação de Risco. Ao analisar seu histórico, genética e hábitos, nós o colocamos em um grupo específico. Isso muda tudo:
- Risco Habitual (Médio): Pessoas sem sintomas e sem histórico familiar. Seguem o protocolo padrão (ex: iniciar aos 45 anos).
- Alto Risco: Pessoas com parentes de 1º grau com câncer, síndromes genéticas ou doenças inflamatórias. Estes precisam começar mais cedo (às vezes aos 20 ou 30 anos) e repetir com maior frequência.
📚 Referências Bibliográficas e Fonte de Dados
- INCA (Instituto Nacional de Câncer). Estimativa 2023-2025: Incidência de Câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2023. (Fonte oficial dos dados de prevalência no Brasil).
- Siegel RL, et al. Colorectal cancer statistics, 2023. CA: A Cancer Journal for Clinicians. (Estudo global que demonstra o aumento alarmante da incidência em pacientes jovens, abaixo de 50 anos).
- Sung H, et al. Global Cancer Statistics 2020: GLOBOCAN Estimates of Incidence and Mortality Worldwide for 36 Cancers in 185 Countries. CA Cancer J Clin. (Panorama mundial da doença).
- Ladabaum U, et al. Strategies for Colorectal Cancer Screening. Gastroenterology. (Revisão sobre como a estratificação de risco melhora a eficácia da prevenção e o custo-benefício para o paciente).
- Dekker E, et al. Colorectal cancer. The Lancet. (Artigo de revisão completo sobre a fisiopatologia da sequência adenoma-carcinoma e a importância da polipectomia).
Entender a genética não serve apenas para identificar síndromes raras. Ela explica a própria origem de qualquer pólipo. A ciência hoje sabe que o Câncer Colorretal (CaCR) é o resultado de uma soma perigosa: Predisposição Genética + Exposição Ambiental = Pólipo
1. Como o Pólipo nasce?
O processo começa quando células normais do intestino sofrem alterações (mutações). Essas mutações fazem com que elas percam o controle e comecem a se multiplicar, formando uma massa de tecido: o Pólipo Pré-Canceroso.
- A Origem da Mutação: Ela pode vir "de fábrica" (hereditária) ou ser adquirida ao longo da vida pelo contato com fatores ambientais (cigarro, carne processada, inflamação).
2. O Grande Dilema: "Este pólipo vai virar câncer?"
Aqui está uma lacuna fundamental da medicina atual. Sabemos que a maioria dos pólipos permanece benigna para sempre, mas que alguns acumulam alterações suficientes para virar câncer. O problema é: Não sabemos quem é quem. Ainda não conseguimos olhar para um pólipo e dizer com 100% de certeza: "Este aqui vai estacionar, mas aquele ali vai virar câncer em 5 anos".
- A Estratégia de Segurança: Devido a essa incerteza, adotamos a regra de Tolerância Zero. Removemos todos os pólipos detectados na colonoscopia, independentemente do tamanho ou aparência, para eliminar qualquer risco potencial.
3. Tirei o pólipo. Estou curado ou ainda tenho risco?
Esta é a pergunta mais importante. A resposta depende do "Motor" que causou aquele pólipo:
- Cenário A (Motor Ambiental): Se o pólipo nasceu apenas por causa de maus hábitos (ex: dieta ruim), ao remover o pólipo e mudar de vida (eliminar o fator ambiental), você praticamente "zera" o risco e volta ao patamar normal.
- Cenário B (Motor Genético - Alta ou Baixa Penetrância): Se existe uma genética por trás, a remoção do pólipo resolve aquele problema local, mas o risco persiste no resto do intestino.
- Por quê? Porque o código genético de todas as células do seu cólon "normal" continua o mesmo. Mesmo sem pólipos visíveis, o terreno continua fértil para novas lesões.
4. O "Risco Oculto" nos Casos Esporádicos
Antigamente, achávamos que a genética só importava nas síndromes famosas (como Lynch). Hoje, estima-se que uma grande parte dos cânceres considerados "esporádicos" (ao acaso) também tenha uma "mãozinha" da genética. São os chamados Fatores Genéticos de Baixa Penetrância.
- O que são: Não são mutações fortes que garantem o câncer, mas são genes "fracos" que deixam o intestino mais sensível.
- A Combinação: Diferentes combinações desses genes fracos, somados ao estilo de vida, explicam por que algumas pessoas fabricam pólipos que progridem para câncer e outras não, mesmo comendo a mesma coisa.
Resumo: A colonoscopia limpa o intestino (tira o pólipo), mas não muda seu DNA. Se você tem tendência a formar pólipos (seja por genes fortes ou fracos), a vigilância contínua é a única forma de garantir que o intestino "aparentemente normal" continue saudável.
Quando falamos em câncer de intestino, a primeira coisa que precisamos esclarecer é uma confusão comum. Muitos pacientes pensam: "Se ninguém na minha família teve, eu estou seguro." Isso é um mito. Para entender o seu risco real, precisamos separar dois conceitos que parecem iguais, mas são muito diferentes: o câncer Esporádico e o câncer Hereditário.
📖 O "Manual de Instruções" do Corpo (O DNA)
Imagine que dentro de cada célula do seu corpo existe um manual de instruções (o DNA) que ensina a célula a trabalhar, crescer e morrer na hora certa.
- O que é o Câncer? O câncer acontece quando uma página desse manual rasga ou é copiada com erros (mutação). A célula perde as instruções, começa a crescer sem parar e vira um tumor.
1. O Câncer Esporádico (A Maioria - 90 a 95%)
Acontece "por acaso" ou por "desgaste". Neste caso, você nasceu com o manual de instruções perfeito. Porém, ao longo da vida, fatores externos começam a rabiscar esse manual:
- Envelhecimento (a máquina de cópia fica velha).
- Cigarro, álcool e obesidade.
- Inflamação crônica. Esses danos se acumulam por décadas até que, um dia, ocorre o erro fatal que gera o pólipo.
- A Lição: Aqui, o câncer não veio dos seus pais; ele foi "construído" pelo tempo e estilo de vida. É por isso que pessoas sem histórico familiar também precisam fazer colonoscopia.
2. O Câncer Hereditário (A Minoria - 5 a 10%)
Acontece por "herança". Neste caso, o paciente já nasce com uma página do manual rasgada. Ele recebeu esse erro (mutação) do espermatozoide do pai ou do óvulo da mãe.
- O Efeito: Como todas as células do corpo dele têm esse erro desde o nascimento, o caminho para o câncer é muito mais curto. O tumor aparece mais cedo e com mais frequência.
- Chamamos esses casos de Síndromes Hereditárias.
🚨 As Principais Síndromes (Quando o DNA é o culpado)
Existem várias síndromes genéticas, mas duas delas são as "vilãs" mais famosas do câncer de intestino. Elas funcionam de formas opostas:
A) Síndrome de Lynch (O Perigo Invisível)
É a causa hereditária mais comum. O problema aqui é a Velocidade.
- O Defeito: O paciente nasce com o "Corretor Ortográfico" do DNA quebrado (genes de reparo). O corpo não consegue consertar pequenos erros diários.
- O Cenário: O intestino NÃO fica cheio de pólipos. Geralmente, aparecem poucos.
- O Risco: O perigo é que esses poucos pólipos viram câncer muito rápido (em 1 ou 2 anos), muitas vezes antes dos 50 anos.
- Sinal de Alerta: Famílias com muitos casos de câncer de intestino, útero (endométrio), estômago ou ovário, especialmente em jovens.
B) Polipose Adenomatosa Familiar - PAF (O Perigo Visível)
É mais rara, mas muito impactante. O problema aqui é a Quantidade.
- O Defeito: Uma mutação no gene APC, que deveria frear o crescimento celular.
- O Cenário: O intestino fica coberto por um "tapete" de pólipos. Podem ser centenas ou milhares de adenomas.
- O Risco: Com tantos pólipos, é matematicamente impossível que nenhum vire câncer. Se o intestino não for retirado preventivamente, o câncer é quase certo (100% de chance) por volta dos 40 anos.
- Sinal de Alerta: Adolescentes ou jovens adultos que já apresentam múltiplos pólipos na primeira colonoscopia.
🚩 Quando Suspeitar de Câncer Hereditário?
Você deve ligar o sinal de alerta e conversar com seu médico sobre genética se sua família tiver:
- Idade Jovem: Câncer de intestino antes dos 50 anos.
- Repetição: Alguém que teve câncer de intestino duas vezes (ou intestino + outro órgão).
- Acúmulo: Vários parentes do mesmo lado da família (ex: avô, pai e tio paternos) com câncer.
- Associações: Casos de câncer de útero e intestino na mesma família.
🧪 O Teste Genético (O Mapa do Futuro)
Hoje, não precisamos mais ficar na dúvida. Existem exames (painéis genéticos) feitos com saliva ou sangue que leem o seu DNA e buscam esses erros.
- Para que serve? Se descobrirmos que você tem uma Síndrome, mudamos toda a estratégia: os exames começam mais cedo (às vezes aos 20 anos) e são feitos todo ano.
- Para a Família: Se você tem a mutação, seus filhos e irmãos têm 50% de chance de ter também. O teste salva não só a sua vida, mas a deles também.
Resumo: O câncer esporádico é uma loteria do envelhecimento; o câncer hereditário é uma herança. Saber diferenciar os dois é a chave para definir quando sua prevenção deve começar.
Muitos pacientes imaginam que o câncer de intestino aparece da noite para o dia. A verdade é o oposto: o câncer colorretal é uma doença de evolução lenta. Ele é como um filme de longa metragem que leva anos para chegar ao clímax.
Na medicina, chamamos esse filme de "História Natural da Doença". É o que acontece com o seu intestino se deixarmos a natureza seguir seu curso sem intervenção médica. Entender essa história é a chave para a cura, pois ela nos mostra que existe uma janela de tempo — muitas vezes de uma década — onde podemos agir antes que o final seja trágico.
🧱 Passo a Passo: A Sequência Adenoma-Carcinoma
A ciência descobriu que a grande maioria dos cânceres de intestino (cerca de 70-80%) segue uma "receita" conhecida. Tudo começa com um erro microscópico e progride em fases:
Fase 1: O "Curto-Circuito" (Início) O revestimento interno do intestino (mucosa) renova suas células constantemente. Em algum momento, seja por azar genético ou agressão ambiental (cigarro, inflamação), o DNA de uma única célula sofre uma mutação (geralmente no gene APC).
- O que acontece: Essa célula perde o botão de "desligar". Ela começa a se multiplicar sem parar.
Fase 2: O Nascimento do Pólipo (O Adenoma) Esse amontoado de células cresce e forma uma pequena elevação na parede do intestino, parecida com uma verruga ou um pequeno cogumelo.
- O Status: Neste momento, ele é um Pólipo Benigno. Ele não é câncer. Ele não espalha. Mas ele é um "candidato" ao mal.
Fase 3: A Transformação (O Salto de Qualidade) Com o passar dos anos, esse pólipo continua sofrendo novas mutações. Ele começa a ficar "bagunçado" por dentro (Displasia). É aqui que entra o maior desafio da medicina: Prever o Futuro. Sabemos que a maioria dos pólipos nunca virará câncer. Porém, não temos como olhar para um pólipo pequeno e garantir 100% que ele vai estacionar ou evoluir. Por isso, a regra é remover todos.
Fase 4: A Invasão (O Câncer) As células do pólipo ganham a capacidade de perfurar a parede do intestino e invadir vasos sanguíneos. Agora é um Câncer Invasivo (Adenocarcinoma).
Embora não tenhamos bola de cristal, estudos científicos detalhados (usando tomografias e acompanhamento de longo prazo) nos deram pistas valiosas sobre quais pólipos são os vilões dessa história. Existem dois fatores cruciais: Tamanho e Velocidade de Crescimento.
1. A Regra do 1 Centímetro (10 mm)
O tamanho é o principal "termômetro" do risco. Um pólipo pequeno é quase inofensivo, mas conforme ele cresce, o risco de abrigar um câncer escondido dispara.
- Pólipos Diminutos (1 a 5 mm) e Pequenos (6 a 9 mm): Raramente contêm câncer. Eles são o estágio inicial.
- Estudos mostram: A chance de um pólipo desse tamanho já ser maligno é mínima. Em acompanhamentos de 2 a 3 anos, muitos desses pólipos nem sequer cresceram; alguns até diminuíram.
- O Ponto de Virada (10 mm / 1 cm): Quando o pólipo ultrapassa a barreira de 1 cm, o cenário muda.
- Se deixarmos um pólipo desse tamanho lá dentro, o risco cumulativo dele virar câncer sobe progressivamente: 1% no primeiro ano, 2,5% em 5 anos e 8% em 10 anos.
- Pólipos Grandes (> 20 mm e > 30 mm): Aqui o perigo é iminente.
- Pólipos entre 2 e 3 cm têm cerca de 6% de chance de já serem câncer.
- Pólipos maiores que 3 cm têm assustadores 38% de chance de já conterem malignidade.
2. A Corrida contra o Tempo (Velocidade)
Não é só o tamanho que importa, mas a velocidade com que eles crescem. Estudos fascinantes mediram o volume dos pólipos ano a ano e descobriram que os "vilões" têm pressa:
- Pólipos "Preguiçosos" (Não Avançados): Crescem devagar. O volume deles aumenta cerca de 30% a 50% ao ano.
- Pólipos "Agressivos" (Avançados/Câncer): Crescem explosivamente.
- Um pólipo com características perigosas (viloso ou displasia) tende a dobrar de tamanho (volume) a cada ano (+178% de crescimento anual).
- Se já for um câncer, o crescimento pode ser de 700% ao ano.
🐍 A Via Serrilhada: O Inimigo Silencioso
Lembra que falamos que a maioria segue o caminho acima? Cerca de 20% dos casos seguem um caminho diferente e mais traiçoeiro, chamado Via Serrilhada.
- A Aparência: Em vez de formar um "cogumelo" (verruga), esses pólipos são planos (achatados), parecendo uma mancha pálida ou uma "casca de cicatriz" na parede do intestino.
- A Camuflagem: Eles são cobertos por muco e difíceis de ver.
- O Comportamento: Estudos indicam que eles crescem mais devagar em tamanho (mm) do que os adenomas clássicos. Apenas 22% deles crescem significativamente em 5 anos.
- O Perigo: Apesar de crescerem devagar, quando decidem virar câncer (especialmente se tiverem a mutação BRAF), a transformação pode ser súbita e agressiva. Eles são os responsáveis por muitos dos chamados "Cânceres de Intervalo" (aqueles que aparecem entre uma colonoscopia e outra).
⏳ Resumo: A Sua Janela de Oportunidade
A ciência nos diz que, em média, o processo completo (do intestino normal até o câncer) leva de 10 a 20 anos. Mesmo que um pólipo já tenha nascido, leva-se cerca de 10 anos para ele atingir o tamanho perigoso e virar câncer.
Nós temos uma década inteira para entrar com a colonoscopia, encontrar esse pólipo benigno e cortá-lo. Ao fazer isso, nós "rasgamos o roteiro" do filme. O câncer que aconteceria no futuro simplesmente deixa de existir.
Quando um paciente acorda da colonoscopia e recebe a notícia de que retirou um "Pólipo Adenomatoso", a primeira pergunta é quase instintiva: "Doutor, qual a chance disso já ser ou virar um câncer?"
A resposta curta e tranquilizadora é: A imensa maioria dos pólipos NUNCA vira câncer. Pense nos pólipos como sementes. Embora todo carvalho venha de uma semente, nem toda semente vira um carvalho. Muitas secam, outras estacionam e apenas uma pequena minoria encontra o terreno fértil para se tornar maligna.
Porém, na medicina, não trabalhamos com "achismos", mas com estatísticas. Para entender o seu caso, você precisa compreender dois conceitos que costumam confundir a cabeça dos pacientes: o Risco Absoluto e o Risco Relativo.
📊 A Matemática do Medo: Risco Absoluto vs. Relativo
Muitas manchetes de jornal usam o "Risco Relativo" para gerar cliques e sustos, mas o que importa para a sua vida é o "Risco Absoluto". Vamos usar uma analogia simples: A Loteria.
1. Risco Relativo (A Comparação)
Imagine que a chance de ganhar na loteria é de 1 em 1 milhão. Se você comprar 2 bilhetes em vez de 1, você dobrou suas chances (aumentou em 100% o seu risco relativo de ganhar).
- A Manchete: "Fazer isso aumenta sua chance em 100%!"
- A Realidade: Você dobrou a chance, mas ela continua sendo minúscula.
- Na Prática: Ter um pólipo pequeno aumenta seu risco relativo comparado a quem não tem nada, mas não significa que você terá câncer.
2. Risco Absoluto (A Realidade)
É a chance real, em porcentagem, de o evento acontecer com você. No exemplo da loteria, mesmo com 2 bilhetes, sua chance absoluta subiu de 0,000001% para 0,000002%. Ou seja, você provavelmente não vai ganhar.
Aplicando aos Pólipos (O que os estudos dizem): Estudos que acompanharam milhares de pacientes por 10 anos mostraram que:
- Pólipos Pequenos (< 1 cm): O risco absoluto de virar câncer é baixíssimo (cerca de 1%).
- Pólipos Grandes (≥ 1 cm): Aqui o cenário muda. O risco absoluto começa a subir progressivamente, podendo chegar a 8% em 10 anos ou até 40% se o pólipo for muito grande (> 2 cm).
🚩 O Que Torna um Pólipo Perigoso?
Nem todo pólipo é igual. Existem "vilões" e existem "figurantes". O risco de um pólipo se transformar em câncer depende de 3 fatores principais que estarão escritos no seu laudo:
📏 1. O Tamanho (A Regra do 1 cm)
É o fator mais importante.
- < 10 mm (Menor que 1 cm): Risco muito baixo. A maioria desses pólipos é inofensiva.
- ≥ 10 mm (Maior que 1 cm): Risco alto. Estudos mostram que pacientes com pólipos desse tamanho têm 3 a 5 vezes mais risco (Risco Relativo) de desenvolver problemas futuros do que a população geral.
🔢 2. A Quantidade
Ter apenas 1 ou 2 pólipos pequenos é considerado baixo risco. Porém, se você tiver 3 ou mais pólipos (ou 5 ou mais, dependendo do tipo), isso indica que a mucosa do seu intestino é "instável" e tem tendência a fabricar lesões. Nesse caso, a vigilância deve ser rigorosa.
🔬 3. O Tipo (Histologia)
O microscópio revela a personalidade do pólipo:
- Tubular: O mais comum e menos agressivo.
- Viloso ou Túbulo-viloso: Mais perigoso. Se o laudo diz "Viloso", o risco aumenta (cerca de 3 a 8 vezes).
- Displasia de Alto Grau: Atenção máxima. Isso significa que as células já estão muito bagunçadas, no último degrau antes de virar câncer invasivo.
- Serrilhados: Uma classe especial de pólipos (muitas vezes planos) que exige atenção, especialmente se forem grandes ou tiverem displasia.
Evidências da sequência adenoma-câncer e serrilhado-câncer. Por que a prevenção realmente funciona?
Toda a estratégia de prevenção do câncer de intestino baseia-se em uma certeza científica sólida: o Câncer Colorretal não surge do nada. Diferente de outros tumores que aparecem subitamente, o câncer de intestino segue uma "escada" de evolução lenta e previsível. Nós chamamos isso de Sequência Adenoma-Câncer ou Serrilhado-Câncer.
⏳ A "Escada" da Evolução
O processo de transformação de uma célula normal em um câncer invasivo obedece, na maioria das vezes, às seguintes etapas:
- Mucosa Normal: O revestimento do intestino está saudável.
- Pólipo Pequeno: Surge uma pequena "verruga" (Adenoma ou Serrilhado).
- Pólipo Grande (Displasia baixo ⇒ alto grau): O pólipo cresce e suas células começam a ficar desorganizadas.
- Pólipo Maligno (Câncer Precoce): Um foco de câncer surge dentro do pólipo.
- Câncer Avançado: A doença se espalha.
🧬 Duas vias principais para o câncer colorretal
A maioria dos cânceres colorretais surge a partir de pólipos pré-cancerígenos, seguindo duas vias principais:
🔹 Sequência adenoma-câncer (adenomas convencionais)
🔹 Sequência serrilhado-câncer (pólipos serrilhados)
Ambos os caminhos são bem documentados e explicam por que a retirada de pólipos previne o câncer.
⏳ A Linha do Tempo do Pólipo ao Câncer. Quanto tempo demora para um pólipo virar câncer?
Uma das dúvidas mais comuns dos pacientes é: "Doutor, esse pólipo apareceu de ontem para hoje?". A resposta é não. O câncer de intestino é uma doença de evolução lenta. Ele segue uma "escada" de degraus previsíveis, e cada etapa leva anos para acontecer. É justamente essa lentidão que nos permite fazer a prevenção com sucesso.
Esses tempos não são fixos (variam muito de pessoa para pessoa e de pólipo para pólipo), mas dá para falar em médias aproximadas baseadas no que aparece nos seus textos e no que a literatura descreve como “história natural” (com grande variabilidade). Aqui estão as estimativas de tempo médio para cada fase da evolução (lembrando que esses tempos podem ser muito mais rápidos em pessoas com síndromes genéticas, como a Síndrome de Lynch):
1️⃣ De Pólipo com Displasia de Baixo Grau ➡️ Câncer. O Ciclo Completo.
- Tempo Médio: ~11 anos (muitas vezes é citado como ~10–15 anos para a progressão adenoma→câncer, com casos mais rápidos e mais lentos).
- O que acontece: É o tempo total desde o nascimento de um pequeno adenoma "inocente" (tubular, baixo grau) até ele crescer, bagunçar suas células e se transformar em um câncer invasivo.
- Significado: Isso nos dá uma década de oportunidade para fazer o exame, encontrar o pólipo e cortá-lo.
- Tempo Médio: aprox. 7 a 10 anos, lembrando que pode ser bem mais lento ou mais rápido. (Isso é uma estimativa por diferença entre médias; na realidade há grande variabilidade.)
- O que acontece: Nesta fase, o pólipo está crescendo de tamanho (geralmente de < 5mm para > 10mm) e suas células estão ficando cada vez mais desorganizadas. É a transição de uma lesão "tranquila" para uma lesão "pré-maligna avançada".
- Tempo Médio: 2 a 5 anos.
- O que acontece: Aqui o relógio acelera. O pólipo já é grande e feio (Alto Grau). As células cancerígenas surgem e rompem a primeira barreira, invadindo a submucosa (T1).
- Atenção: É nesta fase que o pólipo deixa de ser apenas um risco futuro e vira uma doença que precisa de tratamento imediato (endoscópico ou cirúrgico).
- Tempo Médio: provavelmente em torno 1 a 2 anos podendo ser mais rápido ou mais lento, dependendo da biologia do tumor e de fatores individuais.
- O que acontece: Uma vez que o câncer invadiu a submucosa (pólipo maligno), ele ganha acesso a vasos sanguíneos e linfáticos. Se não tratado, ele rapidamente cresce através da parede do intestino (T2, T3) e pode se espalhar para gânglios ou fígado.
- Significado: O câncer precoce é uma urgência. Não se pode esperar anos para tratar.
📊 As Provas Científicas. O que os estudos mostram?
Como temos certeza de que o pólipo vem antes do câncer? As evidências são claras:
- A "Geografia" Coincide: O local onde o câncer aparece com mais frequência no intestino é exatamente o mesmo local onde os pólipos são mais encontrados.
- O "Gap" de Idade: A idade média dos pacientes diagnosticados com Câncer é cerca de 7 a 10 anos maior do que a idade média dos pacientes diagnosticados com Pólipos. Isso confirma que o pólipo nasce primeiro e demora uma década para evoluir.
- A "Testemunha" no Local: Ao analisarmos intestinos retirados por câncer, cerca de um terço (1/3) deles ainda contém outros pólipos pré-cancerígenos ao redor do tumor. Essa frequência é 6 vezes maior do que em pessoas sem câncer.
⚠️ Fatores de Risco para Transformação
Nem todo pólipo vira câncer, mas alguns têm muito mais chance. O que torna um pólipo perigoso?
1. 📏 O tamanho do pólipo importa (e muito)
Entre todos os fatores de risco, o tamanho do pólipo é o mais importante:
Quanto maior o pólipo:
- Maior a chance de displasia de alto grau.
- Maior o risco de já existir câncer dentro dele.
2. ⚠️ Tipos de pólipos com maior risco
Alguns pólipos têm risco maior de evoluir para câncer:
- Cerca de 30% dos adenomas vilosos apresentam áreas de displasia de alto grau
- Adenomas deprimidos são os mais perigosos:
- Displasia de alto grau ou câncer em 75% dos casos
- Em comparação:
- Adenomas planos: 14,3%
- Adenomas polipoides: 8,3%
3. 📈 Estatísticas por Idade: Quando começar a se preocupar?
Os pólipos pré-cancerígenos (Adenomas e Serrilhados) são silenciosos e comuns:
- Entre 45 e 50 anos: Encontramos pólipos em cerca de 25% a 30% das pessoas.
- Aos 70 anos: Encontramos pólipos em cerca de 50% das pessoas.
A teoria clássica da medicina ensina que o câncer de intestino segue uma "escadinha" lenta e previsível que leva cerca de 10 anos: Intestino Normal ➡️ Pólipo Pequeno ➡️ Pólipo Grande ➡️ Câncer
Porém, o corpo humano tem exceções. Cerca de 5% dos casos de câncer colorretal surgem através de uma via diferente, mais agressiva e desafiadora, chamada Câncer De Novo.
🧬 O que é exatamente? (Queimando a Largada)
Diferente dos outros cânceres que evoluem de pólipos benignos (adenomas) ao longo de uma década, o Câncer De Novo parece "pular etapas". Ele é um tumor que já nasce maligno ou que se transforma tão rapidamente que não conseguimos ver a fase benigna.
- Não é Recidiva: É importante não confundir. "Câncer De Novo" não é o câncer que voltou após um tratamento. É um câncer inédito, que nasceu "do zero", muitas vezes em um intestino que parecia normal há poucos anos.
🕵️♀️ O Mestre do Disfarce: Como ele se parece?
Aqui está o maior perigo para a saúde pública e o motivo pelo qual a qualidade da sua colonoscopia importa tanto. Enquanto o pólipo comum parece uma "verruga" ou um "cogumelo" (fácil de ver), o Câncer De Novo tem características de camuflagem:
- Sem "Bolinha": Eles geralmente não formam aquela cabeça protuberante. Nascem diretamente na mucosa plana.
- O Formato "Deprimido": Muitos deles são lesões planas com uma pequena depressão no centro (como se fosse um "umbigo"). Na linguagem médica, chamamos isso de Tipo 0-IIa+IIc.
- A Cor do Perigo: Diferente dos pólipos comuns, eles costumam apresentar erosão (pequenas feridas) e uma cor avermelhada.
- O Problema: Para um olho destreinado ou em um exame feito às pressas, essa área vermelha pode parecer apenas uma inflamaçãozinha simples ou sujeira, passando despercebida.
- Localização Preferida: Eles adoram se esconder no lado direito do intestino (cólon proximal), que é a parte mais profunda e difícil de limpar.
Além de difícil de achar, este tipo de tumor tem pressa.
- Aceleração: Enquanto o câncer clássico demora 10 anos para se formar, o Câncer De Novo pode crescer e se tornar perigoso em apenas 2 ou 3 anos.
- O "Iceberg": Mesmo quando são muito pequenos (menores que 1 cm), eles costumam ter raízes profundas.
- Eles invadem rapidamente a submucosa (a camada mais profunda da parede do intestino).
- Eles têm facilidade para entrar nos vasos sanguíneos e linfáticos precocemente.
- O Prognóstico: Por ter essa capacidade invasiva rápida, eles tendem a ser mais graves e ter maior risco de metástase (espalhar para outros órgãos) do que os cânceres que vieram de pólipos comuns.
🛡️ O Desafio do Diagnóstico e Tratamento
Detectar e tratar um Câncer De Novo exige tecnologia e perícia. Não é qualquer "olhadinha" que resolve.
- A Importância da Tecnologia: Como a lesão é sutil, o médico precisa usar recursos avançados durante o exame, como a Magnificação (zoom microscópico) e a Cromoendoscopia (corantes digitais ou reais que realçam a cor vermelha e a textura da lesão).
- Cuidado ao Retirar: Se o médico suspeitar que uma lesão pequena é um Câncer De Novo, ele não pode simplesmente cortá-la como faz com um pólipo comum.
- Como a raiz pode ser profunda, cortar de forma superficial pode deixar câncer para trás.
- Muitas vezes, precisamos realizar um ultrassom por dentro do intestino (Ecoendoscopia) ou tomografia antes de decidir a técnica de retirada (que pode exigir uma cirurgia mais complexa chamada Dissecção Endoscópica ou cirurgia tradicional).
O fenômeno do Câncer De Novo reforça que a prevenção não deve ser feita de qualquer jeito.
- Não basta fazer a colonoscopia; ela precisa ser bem feita.
✅ Resumo: O que isso significa para você?
Saber dessas estatísticas não serve para gerar pânico, mas para reforçar a importância da Qualidade da Colonoscopia.
- Se você teve pólipos pequenos: Fique tranquilo. Seu risco absoluto é baixo, mas você precisa repetir o exame no prazo estipulado (geralmente 5 a 10 anos) para garantir que novos não surjam.
- Se você teve pólipos grandes ou avançados: Você entrou no grupo de "Alto Risco". Seu "bilhete de loteria" tem mais chances. Por isso, sua próxima colonoscopia será em 3 anos (ou menos).
- Para evitar o "Câncer De Novo": Exija um exame de qualidade. O médico endoscopista precisa ser minucioso, usar técnicas de cromoscopia (corantes digitais) e gastar tempo examinando o intestino para encontrar não só as "verrugas", mas também as lesões planas e invisíveis.
A Lição Final: A chance de um pólipo virar câncer existe, mas a colonoscopia é a ferramenta que nos permite interromper esse processo. Se o pólipo foi retirado completamente, aquele risco específico foi zerado.
Esta é a pergunta mais frequente no consultório: "Doutor, eu me sinto ótimo, meu intestino funciona como um relógio e não sinto dor nenhuma. Por que preciso fazer colonoscopia?"
A resposta é direta: Porque os pólipos não avisam.
A característica mais marcante dos pólipos intestinais é que, na imensa maioria dos casos (cerca de 95%), eles são ASSINTOMÁTICOS. Eles nascem, crescem e até começam a se transformar em câncer em absoluto silêncio. A verdade médica é que você pode ter um pólipo dentro do seu intestino agora mesmo e estar correndo uma maratona ou jantando tranquilamente sem desconfiar de nada.
🤫 Por que eles não doem?
Muitos pacientes esperam sentir uma "dorzinha na barriga" para procurar ajuda. Essa é a estratégia errada. O revestimento interno do intestino (a mucosa) não possui terminações nervosas para dor como a nossa pele.
- Se você tiver um corte na pele, você sente a dor e o ardor.
- Se um pólipo for cortado ou biopsiado dentro do intestino, você não sente nada.
🚨 As Exceções: Quando o corpo acende a "Luz Amarela"
Embora sejam silenciosos na fase inicial (que é o momento ideal para retirá-los), pólipos maiores ou localizados em áreas específicas podem começar a dar sinais. Se você notar qualquer um destes 5 sintomas, não ignore:
🩸 1. Sangramento (Visível ou Invisível)
É o sintoma de alerta número 1. O sangramento pode se apresentar de formas diferentes, dependendo de onde o pólipo está:
- Sangue Vivo (Hematoquezia): Você nota sangue vermelho brilhante no papel higiênico ou cobrindo as fezes. Muitas vezes é confundido com hemorroidas, mas nunca deve ser ignorado.
- Sangue Escuro (Melena): Se o pólipo estiver no início do intestino, o sangue pode ser digerido, deixando as fezes pretas, pastosas e com cheiro muito forte.
- Sangue Oculto: O pólipo sangra apenas algumas gotas por dia. Você não vê nada no vaso, mas o exame de laboratório (Pesquisa de Sangue Oculto) detecta.
📉 2. Anemia e Cansaço Sem Causa
Este é um sinal clássico e perigoso de pólipos no Lado Direito do intestino (Ceco e Cólon Ascendente).
- O Mecanismo: Nessa região, as fezes ainda são líquidas. O sangue do pólipo se mistura ao líquido e você não vê o vermelho. Porém, você perde sangue "gota a gota" todos os dias.
- O Resultado: Com o tempo, essa perda leva à Anemia por Deficiência de Ferro. Você se sente fraco, pálido, tem tonturas e falta de ar aos esforços.
- Regra de Ouro: Em homens adultos ou mulheres que já passaram da menopausa, Anemia Ferropriva é suspeita de tumor no intestino até que se prove o contrário.
🥚 3. Muco nas Fezes (A "Clara de Ovo")
Alguns tipos específicos de pólipos grandes (chamados Adenomas Vilosos) funcionam como "fábricas de secreção".
- O Sintoma: Você nota uma secreção gelatinosa, parecida com clara de ovo ou catarro, saindo junto com as fezes ou até sujando a roupa íntima espontaneamente.
- O Perigo Oculto: Se a produção de muco for muito grande, o paciente pode perder muito líquido e sais minerais (como Potássio), podendo causar desidratação, cãibras e fraqueza muscular grave.
🚽 4. Mudança no Formato das Fezes e no Hábito
Se o seu intestino sempre funcionou de um jeito e mudou sem motivo por mais de 2 semanas, fique atento.
- Fezes em Fita ou Lápis: Se as fezes começarem a sair finas ou achatadas, isso pode indicar que existe um pólipo grande ocupando espaço no canal, "moldando" as fezes à medida que elas passam.
- Alternância: Períodos de diarreia seguidos de prisão de ventre, ou sensação de que não conseguiu esvaziar tudo (evacuação incompleta).
😖 5. Cólicas e Desconforto Abdominal
Geralmente é um sintoma tardio. Ocorre quando o pólipo é grande o suficiente para atrapalhar o trânsito intestinal, causando cólicas leves, inchaço ou sensação de peso que não melhora.
🛡️ Calma: Diagnóstico não é PÂNICO
Se você se identificou com algum sintoma ou se descobriu um pólipo no exame, não entre em pânico. É importante lembrar os fatos tranquilizadores:
- São Comuns: Cerca de 30% dos adultos com mais de 45 anos têm pólipos. Você não é o único.
- Lentidão: O pólipo é um tumor benigno. Ele leva, em média, de 7 a 10 anos para se transformar em câncer. Temos uma janela de tempo enorme para agir.
- Tratamento Fácil: A imensa maioria dos pólipos é retirada durante a própria colonoscopia, sem necessidade de cirurgias grandes.
👨⚕️Quando devo procurar um médico?
Não espere os sintomas aparecerem para marcar sua consulta.
- Se você tem 45 anos ou mais: Faça a colonoscopia mesmo se sentindo saudável.
- Se você tem sintomas (sangue, anemia, mudança de hábito): Procure o médico imediatamente, independente da sua idade.
O Resumo: Não confie na sua "sensação" de saúde. O único jeito de saber se você tem pólipos é olhando lá dentro. A Colonoscopia não serve apenas para diagnosticar quem está doente, ela serve principalmente para manter saudável quem já está bem.
Quando um pólipo colorretal é encontrado durante uma colonoscopia, a primeira pergunta que o médico faz a si mesmo é: “Qual é o tamanho desse pólipo?”. Muitos pacientes ignoram esse número no laudo, focando apenas no nome "adenoma", mas para nós, especialistas, o tamanho é a informação mais valiosa.
Existe uma regra de ouro na coloproctologia: Quanto maior o pólipo, maior o risco de câncer escondido. O câncer não nasce grande. Ele começa microscópico e precisa de massa, volume e tempo para abrigar células malignas. Portanto, o tamanho nos conta a "idade" do pólipo e a probabilidade de ele já ter sofrido transformações perigosas.
🚦 O Semáforo do Risco: Classificação por Tamanho
Para definir a gravidade e a estratégia de tratamento, classificamos os pólipos em 5 faixas. Imagine uma escala visual com objetos do dia a dia:
❶ 1. Pólipos Diminutos (Até 5 mm)
- 👁️ O que parece: O tamanho de um grão de arroz, uma lentilha ou uma sementinha.
- 📊 A Frequência: São os campeões de audiência. A grande maioria dos pólipos encontrados está nesta faixa.
- 🛡️ O Risco: Baixíssimo.
- Estudos mostram que o risco de haver câncer escondido aqui é próximo de zero (0% a 0,1%).
- Nota: Se estiverem no reto, muitas vezes nem são pré-cancerosos (são hiperplásicos). Se estiverem no início do intestino (cólon direito), exigem atenção, mas o risco imediato é mínimo.
❶ 2. Pólipos Pequenos (Entre 6 e 9 mm)
- 👁️O que parece: O tamanho de uma ervilha ou um caroço de feijão grande.
- ⚠️ O Risco: Atenção Moderada.
- Eles já cresceram um pouco e saíram da fase de "brotinho". Embora raramente abriguem câncer invasivo, eles têm mais chance de apresentar "histologia avançada" (células mais bagunçadas ou estrutura vilosa) do que os diminutos.
- A Conduta: Devem ser retirados com técnica cuidadosa para garantir que não sobre nenhum fragmento na base.
❶ 3. Pólipos Médios (10 e 20 mm):
- 👁️ O que parece: O tamanho de uma azeitona ou uma uva pequena.
- 🚨 O Risco: Alerta (O Ponto de Virada).
- Esta é a categoria mais crítica para a vigilância. Eles atingiram e ultrapassaram a barreira de segurança de 1 cm (10 mm).
- Estatísticas mostram que cerca de 23% (quase 1 em cada 4) desses pólipos já possuem características agressivas (displasia de alto grau). O risco de câncer aqui começa a subir e a técnica de retirada exige cuidados especiais (como injeção de líquido na base) para evitar sangramentos.
❶ 4. Pólipos Grandes (Entre 21 e 30 mm)
- 👁️ O que parece: Do tamanho de um morango, uma noz ou uma moeda de 1 real.
- 🔥 O Risco: Alto Perigo.
- Neste tamanho, o pólipo já teve tempo suficiente para acumular muitas mutações genéticas.
- A chance de encontrar áreas de câncer inicial dentro de um pólipo desse tamanho é real. A remoção deve ser feita, preferencialmente, em pedaço único ou com técnicas avançadas para garantir a cura.
❶ 5. Pólipos Gigantes (Maior que 30 mm)
- 👁️ O que parece: Do tamanho de um limão pequeno, uma bola de pingue-pongue ou maior.
- 💀 O Risco: Altíssimo.
- Estudos indicam que 60% dessas lesões já possuem patologia avançada e o risco de já conter um câncer invasivo (que penetrou na parede) é alto.
- A Conduta: Muitas vezes, a colonoscopia simples não basta. Podem exigir técnicas complexas (como ESD - Dissecção Endoscópica) ou, em alguns casos, cirurgia laparoscópica.
Essa é a curiosidade número 1 dos pacientes: "Doutor, você colocou uma régua lá dentro?" A resposta é: Sim, nós levamos a régua conosco. Mas, afinal, não dá para colocar uma régua escolar dentro do intestino. Então, como o médico sabe que o pólipo tem exatos 12 mm ou 4 mm? A medição durante a colonoscopia é uma estimativa visual comparativa.
Como não podemos usar uma fita métrica comum, nós usamos os próprios instrumentos cirúrgicos (pinças e alças) como Escalas de Comparação. Nós sabemos exatamente quanto cada ferramenta mede de fábrica e as usamos como gabarito.
1. A Régua Fina: A Pinça de Biópsia
Para pólipos menores (diminutos e pequenos), usamos a pinça, que é aquela "mãozinha" que coleta amostras.
- Pinça Fechada (A Régua de 2,5 mm): A ponta metálica da pinça fechada mede cerca de 2,5 mm.
- Como medimos: Encostamos a pinça fechada ao lado do pólipo. Se o pólipo for do mesmo tamanho da ponta, tem 2,5 mm. Se for o dobro, tem 5 mm.
- Pinça Aberta (A Régua de 7-8 mm): Quando abrimos as "mandíbulas" da pinça completamente, a distância de uma ponta à outra é de aproximadamente 7 a 8 mm.
- Como medimos: Abrimos a pinça sobre o pólipo. Se ele couber certinho dentro dela, ele é um Pólipo Pequeno (até 8 mm). Se ele sobrar para fora, sabemos que ele já está chegando aos 10 mm (1 cm).
Saber se o pólipo é Pequeno (8 mm) ou Médio (12 mm) muda tudo:
- Define a Técnica: Pólipos gigantes não podem ser cortados de qualquer jeito, precisam ser fatiados (mucosectomia) para evitar perfuração.
- Define o Retorno:
- Pólipos < 10 mm (Diminutos/Pequenos): Geralmente são considerados de baixo risco. Se forem poucos e tubulares, sua próxima colonoscopia será em 5 a 10 anos.
- Pólipos ≥ 10 mm (Grandes): Você entra automaticamente no protocolo de alto risco. Sua próxima colonoscopia será antecipada para 3 anos (ou menos), pois precisamos garantir que nada cresceu no local ou que novos pólipos não surgiram.
📉 O Mistério do "Pólipo que Encolheu"
(Diferença entre o Vídeo e o Papel) Muitas vezes, o médico diz após o exame: "Tirei um pólipo de 15 mm". Dias depois, chega o laudo do laboratório (patologia) dizendo: "Pólipo de 11 mm". O paciente pensa: "Ué, mediram errado?"
Não. Isso é normal e esperado. Quando retiramos o pólipo, ele é colocado em um frasco com Formol para conservação. O formol desidrata o tecido, fazendo com que ele encolha. O tamanho real, dentro do seu corpo, era aquele que o médico viu no vídeo. O tamanho do laboratório é o tamanho da peça "seca".
Resumo: O tamanho importa sim. Pólipos pequenos são avisos ("brotinhos"); pólipos grandes são ameaças ("árvores com raízes"). A melhor estratégia é fazer o exame cedo para pegá-los enquanto ainda são sementes inofensivas.
Quando falamos de pólipos e câncer de intestino, a localização não é apenas um detalhe geográfico. Saber se a lesão está no lado direito (início do intestino) ou no lado esquerdo (fim do intestino) nos diz muito sobre como ela se comporta, quais sintomas causa e os desafios para removê-la.
Para entender isso, imagine o intestino grosso como um túnel longo (cerca de 1,5 metro) em formato de "U" invertido. Biologicamente, o lado direito e o esquerdo funcionam quase como dois órgãos diferentes.
📌 Por que a localização importa? A posição do pólipo no intestino pode influenciar:
✔️ como ele cresce,
✔️ qual é o risco de evolução,
✔️ como ele é visto durante a colonoscopia,
✔️ quais sintomas ele pode causar.
➡️ O Lado Direito (Cólon Proximal). O Inimigo Silencioso e "Camuflado".
Esta parte inclui o Ceco (o fundo do saco onde o intestino começa), o Cólon Ascendente e o Cólon Transverso Direito. É a região mais profunda e distante para o colonoscópio alcançar.
1. O Ambiente (Largo e Líquido)
- O "Salão": O cólon direito é mais largo (calibroso).
- As Fezes: Aqui, o bolo fecal ainda é líquido (parece uma sopa), pois a água ainda não foi absorvida.
- O Efeito: Mesmo que um pólipo cresça muito aqui, as fezes líquidas passam por ele sem causar entupimento ou dor. O paciente não sente cólica nem prisão de ventre.
2. O Tipo de Pólipo (O Mestre do Disfarce)
- Aparência: No lado direito, os pólipos gostam de ser Planos (Serrilhados). Em vez de formarem uma "cabeça" (cogumelo), eles se espalham rente à parede, como uma mancha pálida ou uma cicatriz.
- O Perigo: Eles são difíceis de ver. Podem se esconder atrás de dobras ou ser confundidos com sujeira.
- Genética: Frequentemente seguem a Via Serrilhada ou estão ligados à idade avançada. Estudos mostram que, quanto mais envelhecemos, mais tendência temos a desenvolver lesões neste lado.
3. Desafios Técnicos (Parede Fina)
- A parede do Ceco é a mais fina de todo o intestino.
- Para o médico, remover um pólipo aqui exige precisão cirúrgica extrema, pois o risco de perfuração ou sangramento é maior do que no lado esquerdo.
O Fator Idade e Gênero (A Migração do Risco) Estudos mostram uma tendência clara: conforme envelhecemos, a chance de desenvolver lesões neste lado (direito) aumenta.
- Isso vale para todos, mas as Mulheres parecem ter uma tendência ainda maior de ter lesões isoladas no lado direito.
Impacto nos Exames de Fezes (FIT) Como as fezes aqui são líquidas e o sangue tende a degradar antes de sair, os testes de sangue oculto nas fezes (FIT) podem ter menor sensibilidade para detectar essas lesões do lado direito comparado ao lado esquerdo. Por isso, a colonoscopia visual continua sendo o padrão-ouro.
⬅️ O Lado Esquerdo (Cólon Distal). O Sistema de Alarme.
Esta parte inclui o Cólon Transverso Esquerdo, o Cólon Descendente, o Cólon Sigmoide e o Reto. É o caminho de saída.
1. O Ambiente (Estreito e Sólido)
- O "Corredor": O cólon esquerdo é mais estreito, como um funil.
- As Fezes: Aqui, as fezes já estão formadas, duras e sólidas.
- O Efeito: Se um pólipo cresce aqui, ele age como uma barreira física. Ele atrapalha a passagem das fezes sólidas, funcionando como um "alarme" que causa sintomas mais cedo.
2. O Tipo de Pólipo (O Clássico)
- Aparência: Costumam ter o formato tradicional de "cogumelo" ou "verruga" (polipoides). Eles se projetam para fora da parede, sendo mais fáceis de detectar.
- Sintomas Visíveis: Como as fezes aqui já estão sólidas e o canal é mais estreito, esses pólipos "incomodam" mais cedo, causando sangramento visível ou alterações no funcionamento do intestino.
3. Facilidade Técnica (Parede Grossa)
- A parede deste lado é mais espessa e muscular. Isso torna a remoção dos pólipos geralmente mais segura.
- A Exceção (O Reto Baixo): Pólipos muito próximos ao ânus (linha denteada) são desafiadores não pelo risco de furar, mas porque essa área é rica em nervos (causa dor) e vasos sanguíneos (risco de hemorragia).
📊 Resumo Comparativo: Direito vs. Esquerdo
Característica |
Cólon Direito (Proximal) |
Cólon Esquerdo (Distal) |
Apelido |
O Silencioso |
O Alarme |
Fezes |
Líquidas |
Sólidas |
Sintoma Principal |
Anemia (sangue oculto) e fraqueza |
Sangue Vivo, dor e prisão de ventre |
Formato do Pólipo |
Plano (Mancha/Serrilhado) |
Elevado (Cogumelo/Polipoide) |
Visibilidade |
Difícil (Exige limpeza perfeita) |
Mais Fácil |
Parede do Intestino |
Fina (Cuidado redobrado) |
Grossa (Mais segura) |
Embora a maioria dos pólipos possa ser retirada na hora, existem situações em que a segurança do paciente vem em primeiro lugar. Algumas localizações são consideradas "áreas nobres" ou de alto risco cirúrgico:
- Válvula Ileocecal: A "porta" que conecta o intestino delgado ao grosso.
- Orifício do Apêndice: Pólipos que entram no apêndice.
- Linha Denteada (Reto Baixo): Área rica em nervos e vasos sanguíneos.
- Ceco (Parede Fina): A parede do intestino nesta região é a mais fina de todas, aumentando o risco de perfuração.
A Decisão Sábia: Se o seu médico encontrar uma lesão complexa nessas áreas, o protocolo correto pode ser não remover naquele momento. Em vez de arriscar uma perfuração ou sangramento grave, o endoscopista fará um relatório detalhado e encaminhará você para um Centro Especializado. Nesses centros, médicos experts utilizam equipamentos avançados e técnicas de dissecção para remover a lesão com segurança total.
- Não encare isso como uma falha, mas como um ato de extrema responsabilidade médica.
Resumo: Onde está o seu Pólipo?
Característica |
Cólon Direito (Proximal) |
Cólon Esquerdo (Distal) |
Tipo mais Comum |
Serrilhados (SSA/SSP) |
Adenomas e Hiperplásicos |
Formato |
Planos (Difíceis de ver) |
Elevados (Cogumelos) |
Quem afeta mais? |
Idosos e Mulheres |
População geral |
Detecção |
Exige preparo perfeito e médico atento |
Geralmente mais fácil |
Sintoma Principal |
Anemia (Silencioso) |
Sangue vivo e Cólica |
Sim. Estudos mostram que os tumores de cada lado seguem caminhos biológicos diferentes:
- Esquerda: Seguem a via clássica (Sequência Adenoma-Carcinoma). Demoram mais para crescer.
- Direita: Frequentemente seguem a Via Serrilhada ou estão ligados a síndromes genéticas (como Lynch). Podem crescer de forma mais agressiva e rápida.
A Lição Final: O aumento no diagnóstico de pólipos no lado direito nos últimos anos não significa apenas que a doença mudou, mas que a medicina melhorou. Hoje, com o reconhecimento da "via serrilhada", estamos encontrando e tratando lesões que, no passado, poderiam ter sido ignoradas.
✅ A Lição Prática: O Preparo Intestinal
Por que insistimos tanto que você tome o laxante até o final e que as fezes saiam "amarelas claras"?
- O preparo geralmente limpa fácil o lado esquerdo.
- O Lado Direito é o último a limpar.
- Se houver resíduos no lado direito, eles cobrirão justamente os pólipos planos e camuflados.
- Conclusão: Um preparo malfeito torna o lado direito um "ponto cego" perigoso. Capriche na limpeza para que possamos ver tudo.
Como a maioria dos pólipos é silenciosa (não causa dor nem sangramento visível), não podemos depender apenas de sintomas. Precisamos "entrar e olhar". Existem diferentes ferramentas para isso, cada uma com sua indicação, vantagens e limitações.
Os pólipos colorretais podem ser descobertos de duas formas principais:
- 🔎 Em exames de prevenção (rastreamento), feitos mesmo quando a pessoa não sente nada
- ⚠️ Em exames diagnósticos, quando a pessoa apresenta sintomas intestinais, como sangramento, anemia, dor abdominal ou alteração do hábito intestinal
🥇 1. Colonoscopia Convencional (O Padrão Ouro)
Se existe um "exame rei" na prevenção do câncer, é este. A colonoscopia não serve apenas para ver o problema; ela serve para resolver o problema na mesma hora.
- O que é: O médico introduz um tubo fino e flexível (colonoscópio) com uma câmera de alta definição na ponta através do ânus. Ele examina todo o trajeto: Reto, Cólon e o finalzinho do Intestino Delgado (íleo terminal).
- A Grande Vantagem: É o único exame "2 em 1". Se o médico encontra um pólipo, ele não apenas tira uma foto; ele usa pinças ou laços para remover o pólipo imediatamente.
- O que acontece se um pólipo: O material é enviado para um laboratório onde o médico patologista analisa o tecido para identificar:
- O tipo de pólipo
- Se há alterações pré-cancerosas
- Se existe câncer
- Dói? Não. O exame é feito sob sedação. Você dorme, não sente nada e acorda quando tudo já terminou.
- O Preparo: Exige uma limpeza intestinal completa (dieta e laxantes) para que o médico possa ver até as menores lesões.
VEJA DETALHES NO LINK: https://www.drderival.com/colonoscopia.html
Muitas pessoas têm medo da colonoscopia e preferem começar por um teste mais simples. O FIT (Teste Imunoquímico Fecal) é a evolução moderna do antigo exame de fezes.
- A Evolução: Diferente dos testes antigos, o FIT não exige dieta (você pode comer carne ou beterraba sem problemas). Ele usa anticorpos inteligentes que buscam exclusivamente hemoglobina humana.
- Como funciona: Se o pólipo sangrar (mesmo que seja uma gota invisível), o teste detecta.
- A Regra do Jogo:
- Deu Negativo? Ótimo. Repita em 1 ou 2 anos.
- Deu Positivo? Você precisa fazer a Colonoscopia para descobrir de onde vem o sangue.
- ⚠️ A Limitação Importante: O FIT é ótimo para achar lesões que sangram (geralmente no lado esquerdo). Porém, ele é ruim para detectar Pólipos Serrilhados (aqueles planos do lado direito), pois eles raramente sangram.
- Resumo: O FIT ajuda muito, mas não substitui a segurança total da colonoscopia.
- Geralmente é recomendado: A cada 1 ou 2 anos, em pessoas de risco médio a partir dos 45 anos
Vantagens: ✔️ Simples, ✔️ Não invasivo, ✔️ Não exige dieta especial, ✔️ Pode ser feito em casa, ✔️ Indicado para rastreamento em pessoas sem sintomas
VEJA DETALHES NO LINK: https://www.drderival.com/exame-de-sangue-oculto-nas-fezes.html
É uma opção tecnológica para quem não pode fazer a colonoscopia tradicional (por problemas graves de coração, pulmão ou anatomia difícil).
- Como funciona: Você faz o mesmo preparo de limpeza (laxantes), mas em vez de um tubo, você entra em uma máquina de Tomografia Computadorizada. Um software cria um "filme 3D" do seu intestino por dentro.
- Vantagens: Não precisa de sedação, é rápido e não invasivo. Menor risco imediato de complicações. Útil quando a colonoscopia tradicional não pôde ser completada
- Desvantagens:
- Se o médico encontrar um pólipo (mesmo pequeno), você terá que fazer a colonoscopia tradicional depois para retirá-lo (dois preparos, dois trabalhos).
- Não detecta bem pólipos pequenos (< 5mm) ou planos.
- Envolve radiação.
- Não permite biópsias
- Não remove pólipos
- Menor sensibilidade para pólipos pequenos
Por isso, ela não substitui a colonoscopia, mas pode ser usada em situações específicas.
🔭 4. Retossigmoidoscopia Flexível. (O Exame "Pela Metade")
É parecida com a colonoscopia, mas usa um aparelho mais curto (60 cm).
- O Alcance: Examina apenas a parte final do intestino (Reto e Sigmoide). O lado direito e o transverso ficam "cegos".
- Por que fazer? Hoje em dia, é pouco usada para rastreamento de câncer (pois ignora o lado direito). É mais usada para acompanhar doenças específicas dessa região ou para pacientes jovens com sangramento vivo leve.
- O Problema do Gás: Se encontrarmos um pólipo aqui, muitas vezes não podemos tirá-lo na hora com bisturi elétrico. Como o intestino não está 100% limpo, existe a presença de gás metano, o que traz risco de combustão. Geralmente, se achamos algo, indicamos a colonoscopia completa depois.
- Se um pólipo for encontrado, a colonoscopia completa se torna obrigatória, para:
- Procurar outros pólipos associados
- Remover pólipos com segurança
🩺 5. Retossigmoidoscopia Rígida. O Exame do Consultório
Este não é um exame de imagem sofisticado. A retossigmoidoscopia rígida faz parte do exame proctológico, realizado no consultório pelo coloproctologista.
- Como é: Feito no próprio consultório, sem sedação. Usa-se um tubo curto de acrílico ou metal para olhar os últimos centímetros do reto.
- Para que serve: É fundamental para quem tem hemorroidas, fissuras ou suspeita de tumores muito baixos no reto. Avaliar queixas anorretais, diagnosticar lesões baixas, fazer biópsias e retirar pólipos pequenos, sem uso de cauterização.
- Sensação: Pode ser desconfortável e causar cólica, mas é muito rápido. Permite fazer biópsias simples, mas não substitui a colonoscopia para ver o resto do intestino.
⚠️ Se um pólipo for identificado, a colonoscopia completa é necessária para investigar o restante do intestino e remover outras possíveis lesões com segurança.
VEJA DETALHES NO LINK: https://www.drderival.com/retossigmoidoscopia-rigida.html
Exame |
O que ele vê? |
Pode retirar pólipo? |
Precisa de Sedação? |
Colonoscopia |
Intestino Todo (100%) |
✅ SIM (Na hora) |
Sim |
FIT (Fezes) |
Sangue invisível |
❌ Não |
Não |
Virtual |
Imagem 3D (Tomografia) |
❌ Não |
Não |
Reto Flexível |
Só o lado esquerdo |
⚠️ Parcialmente |
Às vezes |
Quando terminamos uma colonoscopia, não olhamos apenas para o tamanho ou o tipo dos pólipos. Nós também os contamos. O número total de pólipos encontrados funciona como um indicador da "Fertilidade" do seu intestino para produzir tumores.
O intestino funciona como um “campo fértil”. Se vários pólipos aparecem ao mesmo tempo, isso sugere que:
- Se encontramos apenas 1 erva daninha, limpamos e sabemos que demorará para crescer outra.
- Se encontramos 10 ervas daninhas, sabemos que o solo é extremamente fértil para elas e que, se demorarmos a voltar, o jardim estará cheio novamente,
- A mucosa intestinal tem maior tendência a formar pólipos,
- Alterações genéticas ou ambientais estão mais ativas,
- Existe maior risco de surgirem novos pólipos com o passar dos anos.
⚠️ Isso não significa que a pessoa terá câncer com certeza, mas indica que o risco é maior do que na população geral. Na medicina, chamamos isso de risco de Câncer Metacrônico (o risco de um novo câncer surgir no futuro). Veja o que cada quantidade significa para a sua saúde:
🟢 Grupo 1: Baixo Risco (1 a 2 Pólipos < 10 mm). O Cenário Mais Comum.
A maioria dos pacientes que têm pólipos se encaixa aqui.
- O Significado: Seu intestino tem uma tendência leve a formar lesões, mas é um processo lento.
- A Leitura Médica: Se esses 1 ou 2 pólipos forem pequenos (< 1 cm) e tubulares (simples), consideramos que seu risco futuro é muito próximo ao da população geral.
- O Próximo Passo: Geralmente, você pode ficar tranquilo por um bom tempo. Se a limpeza do intestino estava boa, a próxima colonoscopia costuma ser indicada em 3 a 5 anos (dependendo das diretrizes médicas seguidas).
🟡 Grupo 2: Risco Intermediário (3 a 5 Pólipos). O Sinal de Alerta.
Aqui o cenário muda. Encontrar de 3 a 5 pólipos em um único exame indica que a mucosa do seu intestino está "instável".
- O Significado: Seu "corretor genético" está deixando passar mais erros do que o normal. Existe uma chance maior de que novos pólipos nasçam nos próximos anos.
- A Leitura Médica: Você saiu da zona de conforto. Mesmo que todos sejam pequenos, a quantidade nos obriga a encurtar o prazo.
- Pode haver maior probabilidade de pólipos com alterações pré-cancerosas ao longo do tempo
- O Próximo Passo: A vigilância aumenta. Geralmente, antecipamos o próximo exame para 2 a 3 anos. Precisamos garantir que não deixamos nada para trás e checar se o intestino continua produzindo lesões nesse ritmo.
🟠 Grupo 3: Alto Risco / Intestino Fértil (5 a 9 Pólipos). A Fábrica de Pólipos.
Quando encontramos entre 5 e 9 pólipos, consideramos que o paciente tem um "Intestino Fértil" para neoplasias.
- O Significado: Há uma atividade biológica intensa e difusa. O risco de você desenvolver novos pólipos (recorrência) em curto prazo é alto.
- A Preocupação: Estatisticamente, quem tem múltiplos pólipos tem maior chance de ter também um "pólipo avançado" escondido ou de desenvolver um câncer de intervalo se ficarmos muito tempo sem olhar.
- Existe maior risco cumulativo de evolução para câncer ao longo da vida, se não houver vigilância adequada
- O Próximo Passo: Vigilância Rigorosa. O retorno é mandatório em 1 e 3 anos, dependendo do caso. O exame precisa ser extremamente minucioso, revisando cada dobra do intestino.
⏱️ Quando a colonoscopia deve ser repetida?
🔴 Colonoscopia de seguimento em 1 ANO
Indicada quando há alto risco imediato, como:
- Presença de 5 a 9 pólipos E pelo menos um deles:
- Com tamanho ≥ 10 mm
- Com displasia de alto grau
- Com características consideradas avançadas pelo patologista
- Dificuldade técnica na remoção (ressecção em fragmentos)
- Dúvida se algum pólipo foi removido completamente
- Preparo intestinal ruim, que pode ter escondido outros pólipos
🟠 Colonoscopia de seguimento em 2 ANOS
Indicada em situações de risco intermediário dentro do grupo alto, por exemplo:
- 5 a 9 pólipos pequenos ou médios
- Todos removidos completamente
- Sem displasia de alto grau
- Preparo intestinal adequado
- Exame tecnicamente confiável
🟡 Colonoscopia de seguimento em 3 ANOS
Pode ser considerada quando:
- 5 a 9 pólipos pequenos
- Sem características avançadas
- Remoção completa e segura
- Intestino bem limpo no exame
- Paciente sem histórico familiar forte de câncer colorretal
📌 O que o paciente precisa entender
✔️ Ter 5 a 9 pólipos não é câncer
✔️ Mas indica alto risco futuro se não houver acompanhamento
✔️ O intervalo do exame é definido pela qualidade e características dos pólipos, não só pelo número
✔️ A vigilância correta reduz drasticamente o risco de câncer colorretal
🧠 Resumo simples
- Colonoscopia em 1 ano: pólipos mais agressivos ou dúvida na remoção
- Colonoscopia em 2 anos: risco intermediário, sem sinais graves
- Colonoscopia em 3 anos: pólipos menores e completamente removidos
VEJA DETALHES NO LINK: https://www.drderival.com/quando-repetir-a-colonoscopia.html#grupo-3-alto-risco
🔴 Grupo 4: Risco Muito Alto (10 ou mais Pólipos). A Suspeita Genética.
Encontrar 10 ou mais adenomas em um único exame é um evento que acende uma luz vermelha brilhante no consultório.
- O Significado: Isso foge do padrão do "envelhecimento" ou "maus hábitos". É um forte indicativo de que pode haver uma causa Genética Hereditária por trás, como a Polipose Adenomatosa Familiar Atenuada ou outras síndromes.
- A Ação Imediata:
- Vigilância Curta: A colonoscopia deve ser repetida em 1 ano (ou menos).
- Investigação Genética: É altamente recomendado encaminhar o paciente para Aconselhamento Genético e testes de DNA.
- Família: Os parentes de primeiro grau (filhos e irmãos) precisam ser avisados e examinados precocemente.
✅ Resumo: A sua "Nota" de Risco
O número de pólipos define a data do seu retorno. Não adianta comparar seu caso com o do vizinho.
- Quem tira 1 pólipo volta em 3-5 anos.
- Quem tira 5 pólipos volta em 2-3 anos.
- Quem tira 7 pólipos volta em 1-3 anos.
- Quem tira 10 pólipos volta em 1 ano e investiga a genética.
A boa notícia: Não importa quantos pólipos encontramos (1 ou 10), se eles foram removidos durante a colonoscopia, o risco daquelas lesões específicas virarem câncer foi zerado. A contagem serve apenas para planejarmos como protegeremos o seu futuro.
Quando o médico encontra um pólipo, ele não olha apenas o tamanho, mas também a forma como ele cresce na parede do intestino. Você pode imaginar que todos os pólipos são iguais, mas eles variam muito. Alguns parecem árvores, outros parecem verrugas e alguns são tão planos que parecem uma mancha de tinta na parede do intestino.
A maioria dos adenomas (cerca de 60 a 75%) são pequenos (menores que 1 cm), mas eles podem assumir formas muito diferentes. Na medicina, usamos a Classificação de Paris para descrever essas formas. Para facilitar, vamos dividir os pólipos em 4 "personalidades" visuais:
✔️ a facilidade de remoção
✔️ o risco de conter alterações pré-cancerosas
✔️ a chance de evoluir para câncer ao longo do tempo
Em termos simples: a forma do pólipo ajuda a dizer o quão perigoso ele pode ser e como deve ser tratado.
É a forma mais clássica e fácil de reconhecer.
- A Aparência: Ele se parece muito com um cogumelo ou um brócolis. Ele tem uma "cabeça" (onde ficam as células doentes) e um "caule" longo e fino (chamado pedículo) que o prende à parede do intestino. O pedículo funciona como um “pé”.
- O Risco: Como o caule afasta a "cabeça" doente da parede do intestino, demora mais para o câncer (se houver) invadir a raiz. São, em geral, menos perigosos que os planos.
- A Remoção: Geralmente é simples e segura. O médico passa um laço (alça) ao redor do caule e corta cauterizando, como se estivesse colhendo uma flor.
A palavra "séssil" significa "sentado". Significa que o pólipo não tem caule; ele está "sentado" diretamente sobre a parede.
- A Aparência: Ele não tem caule. Ele cresce "sentado" diretamente sobre a parede do intestino com uma base larga. Imagine uma meia laranja colocada sobre uma mesa, ou uma pequena montanha/domo.
- A Textura Importa: Ao olhar um pólipo séssil grande, > 10 mm, chamado de LST - Tumor de Disseminação Lateral, observamos a superfície:
- Granular (Parece uma Couve-Flor): Se a superfície for cheia de bolinhas, geralmente é benigno e mais fácil de retirar.
- Não-Granular (Liso e Vermelho): Se a superfície for lisa, avermelhada e tiver distorção nos vasinhos de sangue, acende-se o alerta vermelho. Isso pode indicar que o câncer já está invadindo a profundidade.
- A Remoção: É um pouco mais técnica. Como não tem caule para "agarrar", precisamos cortar rente à base. Se for grande, a chance de sangrar ou sobrar um pedaço é maior do que no pediculado.
- O Risco: É a forma mais comum dos adenomas. O risco depende muito do tamanho.
- ⚠️ Pode ser mais difícil de remover. Às vezes precisa ser retirado em partes. Exige mais cuidado técnico
- 📌 Pólipos sésseis, especialmente quando são maiores, podem ter maior risco de alterações pré-cancerosas, justamente por crescerem de forma mais espalhada.
Aqui começa o desafio da colonoscopia moderna. Estes são os "mestres do disfarce".
- A Aparência: Eles têm pouquíssima altura. Imagine uma moeda ou um tapete estendido no chão. Muitas vezes, a única diferença é uma leve mudança na cor (mais pálido ou avermelhado) ou na textura da mucosa.
- O Perigo: Ele é um dos tipos mais difíceis de identificar, principalmente para olhos menos treinados. Um exame feito às pressas ou com o intestino mal limpo pode facilmente não perceber essas lesões.
- ⚠️ Pode ser facilmente perdido se a colonoscopia não for muito cuidadosa.
- ⚠️ Alguns pólipos planos estão associados a maior risco de transformação em câncer, mesmo sendo pequenos.
- 📌 Por isso, a qualidade do exame e a experiência do médico são fundamentais.
- A Genética: Muitos desses pólipos planos (especialmente no lado direito do intestino) são do tipo Serrilhado. Eles podem crescer espalhados lateralmente e são mais difíceis de remover completamente.
Este é o menor grupo, mas é o mais perigoso de todos.
- A Aparência: Ao contrário dos outros que crescem "para fora" (como verrugas), este tem uma pequena depressão ou buraco no centro. Parece uma pequena úlcera ou uma cratera de vulcão.
- A Regra do Iceberg: Mesmo sendo minúsculos, os pólipos deprimidos são traiçoeiros.
- A espessura da parede ali é menor.
- Eles têm uma tendência altíssima de abrigar displasia de alto grau ou câncer invasivo precocemente.
- Eles invadem a submucosa (camada profunda) muito rápido. Por isso, ao encontrar uma lesão assim, o médico precisa de técnica apurada para decidir como tratar.
- O Grande Risco: Mesmo sendo pequenos (às vezes com 4 ou 5 mm), eles têm um comportamento agressivo.
- Por quê? A depressão central significa que a lesão já está "cavando" a parede. A distância entre a superfície e a camada profunda (submucosa) é encurtada.
- Câncer Rápido: Eles têm uma chance muito maior de invadir os vasos sanguíneos precocemente, mesmo sendo minúsculos. Exigem um médico expert para identificar e tratar.
- 📌 Por isso, pólipos deprimidos sempre exigem atenção máxima, investigação cuidadosa e remoção completa.
Para o paciente, a forma define se o procedimento será simples ou complexo:
- Pediculados (Cogumelos): Cortamos com alça simples (Polipectomia). Rápido e fácil.
- Sésseis e Planos Grandes: Não dá para simplesmente cortar. Precisamos usar uma técnica chamada Mucosectomia.
- Como funciona: O médico injeta um líquido (soro ou gel) embaixo do pólipo. Isso cria uma "almofada" que levanta o pólipo, transformando-o artificialmente em um morrinho. Só então cortamos. Isso protege a parede do intestino contra perfurações.
📊 Resumo Visual: O Que Você Precisa Sabe
Tipo |
Apelido Visual |
Facilidade de Ver |
Risco de Invasão Rápida |
Pediculado |
🍄 Cogumelo |
⭐⭐⭐ (Fácil) |
Baixo (O caule protege) |
Séssil |
🗻 Verruga/Domo |
⭐⭐ (Médio) |
Médio |
Plano |
➖ Tapete/Mancha |
⭐ (Difícil) |
Médio (Difícil de achar) |
Deprimido |
🕳️ Cratera/Buraco |
⭐ (Difícil) |
ALTO (Invasão precoce) |
Porque nem todo pólipo cresce do mesmo jeito. Dois pólipos do mesmo tamanho podem ter riscos completamente diferentes, dependendo da forma. Em geral:
- Pediculado: mais fácil de tratar
- Séssil: exige mais cuidado
- Plano: pode ser traiçoeiro
- Deprimido: pequeno, mas potencialmente perigoso
A colonoscopia não é apenas "achar e cortar". O médico analisa a forma, a altura e a textura de cada milímetro do seu intestino. Se o seu laudo descreve um pólipo Pediculado, o prognóstico geralmente é excelente. Se descreve um pólipo Plano ou Deprimido, saiba que a qualidade técnica do seu médico foi fundamental para evitar um problema futuro grave.
Se você leu o resultado da sua colonoscopia, provavelmente encontrou códigos estranhos como "Paris 0-Is" ou "Paris 0-IIa". Isso não é uma senha. É uma linguagem universal criada por especialistas em Paris para descrever a forma (morfologia) exata do seu pólipo. Para isso, existe um sistema internacional chamado Classificação de Paris. Essa classificação descreve a aparência do pólipo a olho nu (macroscópica) e ajuda o médico a decidir:
✔️ se o pólipo pode ser removido por endoscopia
✔️ qual técnica de remoção é mais segura
✔️ se há maior risco de invasão profunda
✔️ qual deve ser o acompanhamento após o tratamento
🧠 O que é a Classificação de Paris?
A Classificação de Paris é um consenso internacional criado por especialistas de várias áreas (endoscopia, cirurgia, patologia). Ela é hoje o sistema mais aceito e utilizado no mundo para descrever a forma dos pólipos colorretais.
👉 Em termos simples: ela classifica os pólipos de acordo com a maneira como eles se projetam (ou não) da parede do intestino. Por que isso importa? Porque a forma nos diz quão perigoso o pólipo é. Um pólipo que cresce "para cima" (como um cogumelo) é menos agressivo do que um que cresce "cavando" a parede (deprimido).
Antes de falar dos tipos, é importante esclarecer dois termos que costumam gerar confusão:
- Lesão invasiva:
Quando as células anormais começam a invadir camadas mais profundas da parede intestinal, como a submucosa.
👉 Pode ser uma lesão precoce (estágio inicial – T1). - Neoplasia avançada:
Quando o tumor já invade a camada muscular própria do intestino (T2 ou mais).
👉 Exige tratamento cirúrgico.
📌 Portanto: 👉 Uma lesão pode ser invasiva e ainda assim ser precoce.
O termo “Tipo O” na Classificação de Paris foi criado exatamente para diferenciar essas lesões superficiais das lesões avançadas clássicas (classificação de Borrmann).
Primeiro, as lesões são divididas em dois grandes grupos:
- Lesões polipoides – Tipo O-I
- Lesões não polipoides – Tipos O-II e O-III
Para saber em qual grupo o pólipo entra, usamos a altura da pinça de biópsia fechada (2,5 mm) como régua:
- Mais alto que a pinça? É uma Lesão Polipoide (Tipo 0-I).
- Mais baixo que a pinça? É uma Lesão Não Polipoide (Tipo 0-II).
São as lesões elevadas, que se destacam na parede do intestino. São as mais comuns e, geralmente, as mais fáceis de tratar.
- 🍄 Tipo 0-Ip (Pediculado):
- Visual: Tem uma cabeça e um caule longo (pescoço). Parece um cogumelo.
- Risco de Invasão: Baixo (cerca de 5%). O caule protege a parede.
- 🗻 Tipo 0-Is (Séssil):
- Visual: Não tem caule. Tem a base larga, como um domo ou uma meia laranja "sentada" na parede.
- Risco de Invasão: Médio a Alto (34%), dependendo do tamanho.
São lesões baixas, planas ou com pequenas depressões. São as mais traiçoeiras e difíceis de ver.
- ➖ Tipo 0-IIa (Levemente Elevada):
- Visual: Parece uma moeda ou um platô baixo. Um pouco mais alta que a mucosa.
- Risco de Invasão: Baixo (4%), mas exige limpeza perfeita para ser visto.
- Pode passar despercebida. Geralmente cresce lentamente.
- ➖ Tipo 0-IIb (Totalmente Plana):
- Visual: Completamente rente à parede, sem relevo. Quase invisível.
- Risco: Raro encontrar câncer invasivo aqui (0%), mas podem evoluir.
- Rara no cólon e reto. Muito difícil de identificar.
- 🕳️ Tipo 0-IIc (Deprimida):
- Visual: Tem uma pequena cratera ou "umbigo" no centro.
- Risco: PERIGO MÁXIMO.
- Embora raras, essas lesões têm 61% de chance de já terem invadido a camada profunda (submucosa), mesmo sendo pequenas. É o tipo mais agressivo.
- Lesões planas (IIa e IIb) costumam ter risco menor
- Lesões IIa apresentam risco muito menor (em torno de 1% a 2%)
- Lesões deprimidas (IIc) têm risco muito maior de câncer precoce.
- Lesões IIc têm risco de invasão submucosa entre 27% e 36%
🔴 Lesões Mistas (combinações)
Com o crescimento, algumas lesões passam a apresentar mais de uma característica, por exemplo:
- 0-IIc + IIa → deprimida com elevação nas bordas
- 0-IIa + IIc → elevada com depressão central
⚫ Tipo 0-III – Lesão escavada ou ulcerada
- São lesões ulceradas
- Praticamente não existem no cólon e reto
- Quando presentes, geralmente indicam doença avançada
📊 Por que essa classificação é tão importante?
Porque o risco de a lesão já ter invadido camadas profundas do intestino varia muito conforme a forma. Um estudo clássico mostrou taxas aproximadas de invasão submucosa de acordo com o tipo:
- 0-Ip: baixo risco
- 0-Is: risco intermediário
- 0-IIa: baixo risco
- 0-IIb: risco muito baixo
- 0-IIc: risco muito alto
Nem todo pólipo é simples. Na prática, muitas lesões são híbridas, misturando formatos diferentes.
- A Regra do Nome: Ao descrever essas lesões, listamos primeiro a característica que domina a paisagem, seguida pela secundária.
- Exemplo Prático (0-Is + IIc): Imagine uma pequena montanha (0-Is) que tem uma cratera no topo (IIc). O médico descreve assim para alertar que, embora pareça uma montanha, aquela cratera central é perigosa.
Por que nos preocupamos tanto com o formato? Um grande estudo com 3.680 pólipos malignos revelou que a forma como o pólipo cresce indica a chance dele já ter invadido a submucosa (a camada "raiz" do intestino, por onde o câncer se espalha).
Veja a "Escala de Perigo" baseada nesse estudo:
- 🍄 0-Ip (O Cogumelo/Pediculado):
- Risco de Invasão Profunda: Baixo (~5%).
- Tradução: Como ele cresce "pendurado" em um talo, o câncer demora muito para descer pelo talo e atingir a parede do intestino. São os mais seguros de retirar.
- ⛰️ 0-Is (Séssil/A Montanha):
- Risco de Invasão Profunda: Médio (~34%).
- Tradução: Ele tem a base larga, colada na parede. O caminho para o câncer invadir é mais curto.
- 🕳️ 0-IIc (Plano com Depressão/A Cratera):
- Risco de Invasão Profunda: Altíssimo (~61%).
- Tradução: Este é o vilão disfarçado. Embora possa ser pequeno e plano, a depressão central indica que ele está agressivamente perfurando o tecido para baixo.
📏 Tamanho + Formato = A Equação do Risco
Não é só o formato que conta. O tamanho funciona como um multiplicador de risco.
- A Tendência: Quanto maior a lesão, maior a chance de câncer.
- O Alerta: Uma lesão grande (2cm) que seja plana e deprimida (0-IIc) é muito mais perigosa do que uma lesão do mesmo tamanho que seja apenas uma mancha elevada (0-IIa).
⚖️ O Fator Humano: Vale lembrar que a Classificação de Paris depende do "olho" do médico. A concordância entre especialistas é considerada moderada. Por isso, a experiência do endoscopista e o uso de equipamentos de alta definição são fundamentais para uma classificação correta.
Quando uma lesão plana cresce muito (fica maior que 10 mm) mas não ganha altura, chamamos de LST (Lateral Spreading Tumor). Imagine um musgo se espalhando horizontalmente na parede. Aqui, a textura da superfície define o tratamento:
❶ A) LST Granular (Parece uma Couve-Flor)
A superfície é cheia de bolinhas ou nódulos.
- LST Granular homogênea (LST-G-H): Superfície com pequenos grânulos uniformes. Risco de câncer baixo. Fácil de retirar.
- LST Granular mista (LST-G-M): Nódulos grandes misturados. Maior risco.
❶ B) LST Não-Granular (Liso) A superfície é lisa, sem bolinhas.
- LST Não granular (LST-NG): Superfície lisa. Maior risco de invasão profunda.
- LST Não granular pseudodeprimida (LST-NG-PD): Superfície lisa com depressão central.
- 🚨 O Perigo: Se for liso e tiver uma depressão (pseudodeprimido), o risco de o câncer já estar invadindo a profundidade é altíssimo. Esses casos exigem técnicas avançadas de retirada (ESD) para garantir a cura.
- (A e B) O subtipo granular (LST-G), que tem uma superfície nodular.
- (C e D) O subtipo não granular (LST-NG), que tem uma superfície lisa.
Durante a colonoscopia, o médico não observa apenas se existe um pólipo, mas também como ele se parece, como reage aos movimentos do aparelho e como a mucosa ao redor se comporta. Esses detalhes visuais e táteis ajudam a identificar se a lesão é superficial (ainda tratável por endoscopia) ou se já apresenta sinais de invasão mais profunda, o que pode indicar câncer em estágio mais avançado.
🧠 O que significa “tumor invasivo”?
Um tumor invasivo é aquele em que as células anormais não estão mais restritas à superfície do intestino. Elas começam a penetrar camadas mais profundas, principalmente a submucosa, aumentando o risco de:
- Espalhamento para linfonodos
- Necessidade de cirurgia
- Tratamento mais complexo
Se o pólipo já tiver invadido a parede profunda do intestino (submucosa), tentar arrancá-lo com a alça comum pode ser perigoso ou incompleto. Por isso, procuramos por "Pistas Visuais" que indicam malignidade. É como um detetive: o câncer deixa rastros. A Diretriz Japonesa (referência mundial no assunto) lista os sinais que nos fazem acender o alerta vermelho:
Pólipos benignos costumam ser regulares e lisos. Já o tumor invasivo tem uma aparência "irritada" e desorganizada. Essas alterações sugerem que o pólipo não é apenas superficial. Procuramos por:
- Ulceração ou Erosão: O pólipo tem uma "ferida" aberta em cima dele, ou pontos de pus/fibrina.
- Crescimento expansivo: a lesão parece “empurrar” o tecido ao redor.
- Superfície áspera ou irregular: mucosa perde o aspecto liso normal.
- Mudança de cor: áreas mais avermelhadas ou com coloração diferente do restante do intestino.
- Sangramento Espontâneo: Ele sangra fácil, apenas ao toque do aparelho. Esse sangramento é diferente do que ocorre em pólipos simples e frágeis.
- Ausência de expansão com ar: ao insuflar ar, a área não se distende como o restante do intestino.
- Convergência de Pregas: O tumor é tão duro que começa a "repuxar" a pele ao redor dele, formando rugas (como uma cicatriz antiga).
- Depressão Profunda: Uma área funda, como uma cratera, no centro da lesão.
- Rigidez: Ao tocar com a pinça ou jogar ar, o pólipo não se mexe, parece
Este é um dos testes mais práticos que fazemos na hora. Para tirar um pólipo plano, injetamos um líquido (soro ou corante azul) embaixo dele para criar uma "almofada" e levantá-lo.
- ✅ Elevação uniforme. Sinal Bom (Lift): O pólipo flutua e sobe. Significa que ele está solto, não tem raízes profundas. Podemos cortar.
- ❌ Ausência de elevação ou elevação irregular. Sinal Ruim (Non-Lifting): O líquido se espalha, mas o pólipo fica grudado no chão. Ele não sobe.
- O que significa: Isso sugere que o câncer já criou raízes fibróticas que o prendem na camada muscular. Nesses casos, a endoscopia comum pode não resolver, sendo necessária cirurgia ou técnicas avançadas.
🔬 3. A Tecnologia: Luzes e Filtros (NBI e Kudo)
Hoje em dia, usamos filtros de luz digitais (como o NBI - Narrow Band Imaging) que funcionam como um "Raio-X" dos vasos sanguíneos do pólipo.
- Classificação NICE (Tipo 3): Quando ligamos essa luz especial, se virmos que os vasinhos de sangue estão todos tortuosos, quebrados ou se existem áreas sem vasos (amorfas), é um sinal forte de invasão profunda.
- Classificação de Kudo (A Textura): Usamos um zoom potente (magnificação) para ver os "poros" do pólipo (criptas).
- Se os poros são redondinhos (Tipo I ou II), é benigno.
- Se os poros estão destruídos ou desorganizados (Tipo V), é sugestivo de câncer.
Essas classificações ajudam a diferenciar:
- Lesões superficiais
- Lesões com invasão profunda, que geralmente não são seguras para remoção endoscópica simples
🧩 4. Atenção aos Pólipos Planos (LST)
Lesões grandes e planas (LST - Tumores de Disseminação Lateral) têm "pegadinhas" específicas:
- LST Não-Granular (Liso): Se ele for liso e tiver uma depressão, o risco de invasão é alto.
- LST Granular (Irregular): Se ele for cheio de bolinhas, mas tiver um Nódulo Dominante (uma bola muito maior que as outras), aquele nódulo específico pode ser o foco do câncer.
- É importante saber que:
- Nem sempre a aparência externa consegue definir com exatidão a profundidade da invasão
- Especialmente quando a invasão é muito superficial (menos de 1 mm)
- Por isso, em alguns casos:
- O pólipo é removido por técnicas avançadas
- O diagnóstico final só é confirmado no exame microscópico (anatomopatológico)
🧠 Em resumo para você entender
- Durante a colonoscopia, o médico avalia forma, cor, rigidez e comportamento do pólipo.
- Alguns sinais levantam suspeita de tumor invasivo.
- Lesões invasivas exigem tratamento mais cuidadoso.
- Identificar esses sinais precocemente ajuda a:
✔️ evitar tratamentos inadequados.
✔️ escolher a melhor estratégia terapêutica.
✔️ aumentar as chances de cura.
✅ Resumo: O que isso muda para você?
Se o médico identificar esses sinais de invasão profunda, ele pode decidir não remover o pólipo naquele momento. Isso não é desistência; é segurança.
- Tentar raspar um tumor invasivo pode causar perfuração ou deixar câncer para trás.
- Nesses casos, a conduta correta é fazer uma biópsia (tirar um pedacinho) e encaminhar o paciente para uma cirurgia oncológica curativa ou para um centro de endoscopia avançada (para fazer ESD - Dissecção Endoscópica).
Antigamente, a colonoscopia dependia apenas do "olhômetro" do médico usando uma luz branca simples. Hoje, a tecnologia avançou a níveis impressionantes. Temos recursos que nos permitem não apenas ver o pólipo, mas analisar sua estrutura microscópica em tempo real, antes mesmo de cortá-lo.
Durante a colonoscopia, o médico não enxerga apenas “carocinhos”. Com as tecnologias modernas de imagem, ele consegue observar detalhes muito finos da superfície do intestino, quase como se estivesse usando um microscópio. Esses detalhes ajudam a responder perguntas fundamentais:
- O pólipo é benigno ou pré-canceroso?
- Existe suspeita de câncer?
- O pólipo pode ser removido por endoscopia ou precisa de outro tipo de tratamento?
Isso é vital para responder à pergunta de um milhão de dólares: "Posso cortar isso com segurança ou é um câncer invasivo?" Para isso, usamos duas ferramentas principais: a Cromoendoscopia e a Magnificação.
Muitos pólipos (especialmente os planos e serrilhados do lado direito) são da mesma cor da parede do intestino. Eles se camuflam perfeitamente. Para encontrá-los, usamos a técnica de tingir o intestino.
A) Cromoendoscopia Tradicional (O Corante Índigo Carmim)
Às vezes, a luz digital não basta. Precisamos ver o relevo.
- Como funciona: O médico injeta um corante azul (Índigo Carmim) através de um spray dentro do intestino.
- O Efeito: O corante não pinta as células, ele se deposita nos "vales" e fendas da lesão. Isso cria um contraste 3D incrível, destacando bordas, depressões e limites que antes eram invisíveis. É como jogar tinta em uma escultura para ver os detalhes.
- Isso faz com que: Os limites do pólipo fiquem mais nítidos. Lesões pequenas ou planas se tornem mais visíveis. Áreas suspeitas de invasão sejam melhor identificadas.
Onde ela é mais útil?
- No cólon direito, onde os pólipos costumam ser mais planos
- Na detecção de lesões serrilhadas
- Em pacientes com:
- Colite ulcerativa (colonoscopia de vigilância)
- Síndromes hereditárias de câncer colorretal
- 📌 Em palavras simples: 👉 o corante funciona como um “realce”, destacando o relevo da mucosa.
🔍 O que o médico observa com o corante?
Com o índigo carmim, o médico analisa:
- O tamanho real do pólipo
- Seus limites exatos
- Se há áreas afundadas ou elevadas
- O desenho microscópico da superfície, chamado de padrão de criptas (pits)
Esses detalhes ajudam a diferenciar:
- Pólipos simples e benignos
- Pólipos pré-cancerosos
- Lesões suspeitas de câncer precoce
Antigamente, para enxergar detalhes minúsculos ou limites difíceis de uma lesão, o médico precisava jogar um corante líquido azul (índigo carmim) dentro do intestino através de um cateter. Essa é a Cromoendoscopia Clássica. Embora eficaz, ela é trabalhosa, aumenta o tempo do exame e nem sempre está disponível.
Hoje, vivemos a revolução da Cromoendoscopia Digital. As grandes fabricantes (Olympus, Fujinon e Pentax) desenvolveram tecnologias que permitem, ao toque de um botão na manopla do aparelho, aplicar "filtros de luz" digitais ou ópticos. É como se o médico ativasse uma "visão de raio-X" ou um "filtro de contraste" instantâneo. Isso permite ver vasos sanguíneos microscópicos e padrões da superfície do pólipo que a luz branca normal não mostra.
Chamamos isso de Biópsia Óptica: a imagem é tão nítida que o médico consegue prever, com alta taxa de acerto, se o pólipo é benigno ou maligno antes mesmo de retirá-lo.
🔬 As 3 Principais Tecnologias (O "ABC" da Imagem)
Cada marca tem seu sistema, mas todas buscam o mesmo objetivo: realçar o contraste para detectar lesões que passariam despercebidas.
1. NBI (Narrow Band Imaging – Olympus) 🔵🟢 nbi-narrow-band-imaging-olympus
É a tecnologia óptica mais famosa.
- Como funciona: O aparelho usa um filtro físico na lâmpada que deixa passar apenas luzes Azul e Verde (comprimentos de onda específicos de 415 e 540nm).
- A Mágica: O sangue absorve muito a luz azul. Quando ligamos o NBI, os vasos sanguíneos ficam escuros (pretos/marrons) em contraste com o fundo claro.
- Para o Paciente: Isso é crucial para identificar o câncer precocemente, pois tumores malignos costumam ter vasos sanguíneos desorganizados e caóticos que o NBI "acende" na tela.
A Fujinon usa uma abordagem digital (software).
- Como funciona: O aparelho captura a imagem normal e um computador interno processa essa imagem matematicamente, separando as cores e reconstruindo-as com alto contraste.
- A Vantagem: O médico pode escolher vários "presets" (configurações de cor). É excelente para diferenciar o tecido normal de uma cicatriz ou de uma lesão plana sutil.
Também baseado em software, foca no realce de bordas e texturas.
- Como funciona: O sistema digital realça as "bordas" das lesões e a textura da superfície (como se aumentasse a nitidez de uma foto no computador).
- Os Modos:
- i-scan 1: Detecção (realça a arquitetura da mucosa).
- i-scan 2 e 3: Caracterização (realça vasos e limites).
- Para o Paciente: Ajuda o médico a ver exatamente onde o pólipo começa e termina, garantindo que ele seja retirado com margem de segurança completa.
Apesar de fascinantes, é importante ser honesto com o paciente sobre o papel dessas ferramentas:
- Não existe "Botão Mágico": A tecnologia ajuda, mas não substitui o treinamento exaustivo do médico. Um endoscopista experiente usando luz branca fará um exame melhor do que um inexperiente com a melhor tecnologia.
- O Fator HD (Alta Definição): Mais importante que o filtro colorido é a resolução da imagem. Aparelhos modernos (High Definition) permitem ver detalhes que os aparelhos antigos analógicos simplesmente borravam.
- Custo e Acesso: No Brasil, esses equipamentos são caros. Infelizmente, nem todos os convênios cobrem o uso dessas tecnologias específicas ou os custos adicionais de materiais de cromoendoscopia clássica.
📚 Referências Bibliográficas
- ASGE (American Society for Gastrointestinal Endoscopy) Technology Committee. High-definition and high-magnification endoscopes. Gastrointestinal Endoscopy. (Diretriz americana sobre o impacto da alta definição na detecção de pólipos).
- Kamiński MF, et al. Advanced imaging for detection and differentiation of colorectal neoplasia: European Society of Gastrointestinal Endoscopy (ESGE) Guideline. Endoscopy. (A diretriz europeia que recomenda o uso de cromoscopia virtual (NBI/FICE/i-SCAN) para caracterizar lesões e prever histologia em tempo real).
- Rex DK, et al. Narrow-band imaging versus white light for the detection of colorectal adenomas: a randomized controlled trial. Gastroenterology. (Estudo fundamental comparando a eficácia da luz branca versus NBI).
- Machado, RS et al. FICE (Flexible Spectral Imaging Color Enhancement) in the diagnosis of colorectal lesions. (Estudos focados na tecnologia FICE e sua aplicabilidade clínica).
O que isso permite?
- Ver detalhes muito pequenos da superfície
- Avaliar melhor a textura e os desenhos da mucosa
- Aumentar a precisão da análise do pólipo
A ampliação pode ser feita:
- Com o uso de corantes (cromoendoscopia tradicional)
- Ou por sistemas digitais do próprio aparelho (cromoendoscopia eletrônica)
⚠️ Limitações importantes
Mesmo com imagens avançadas:
- Nem sempre é possível definir com 100% de certeza se um pólipo é benigno ou maligno.
- A profundidade exata da invasão só pode ser confirmada pelo exame anatomopatológico.
- 👉 Por isso, a análise visual orienta a conduta, mas não fecha o diagnóstico definitivo sozinha.
Você sabia que a superfície do seu intestino tem uma textura, assim como a sua pele tem poros e impressões digitais? A Classificação de Kudo é uma técnica japonesa refinada que nos permite analisar esses "poros" microscópicos (chamados de Criptas) na superfície dos pólipos.
👉 Em termos simples: o formato desses poros dá pistas sobre o tipo do pólipo e o risco de câncer.
Para fazer isso, usamos duas tecnologias avançadas simultaneamente:
- Cromoscopia: O uso de corantes (como o Índigo Carmim) que realçam o relevo.
- Magnificação: Um zoom potente que amplia a imagem em até 150x.
Por que isso é vital? Porque essa classificação tem boa correlação com o resultado da biópsia (histologia) e ajuda o médico a decidir na hora: "Posso cortar com segurança?" ou "Isso é um câncer profundo e preciso de cirurgia?".
⚠️ Importante: A Classificação de Kudo orienta a conduta, mas não substitui a biópsia. O diagnóstico definitivo sempre depende da análise do tecido em laboratório.
⚪ Tipo I: Normal (Bolinhas Redondas)
- O Desenho: Vemos orifícios redondos, regulares e bem organizados, todos do mesmo tamanho.
- O Diagnóstico: Mucosa normal e saudável. Não é pólipo.
⭐ Tipo II: Estrelado (Flocos de Neve)
- O Desenho: Os poros têm formato de estrela ou de floco de neve, organizados de forma uniforme.
- O Diagnóstico: Geralmente indica um Pólipo Hiperplásico (Benigno).
- ⚠️ Atenção: Se este desenho aparecer em uma lesão plana no lado direito do intestino, pode se tratar de um Pólipo Serrilhado sem displasia. Ele parece inocente, mas é um precursor de câncer e precisa ser removido com margem de segurança.
🧪 Tipo III: Tubular (Tubos de Ensaio)
Este é o padrão clássico dos Adenomas (pólipos que precisam ser removidos). Ele se divide em dois:
- Tipo III-S (Small/Pequeno): Os tubos são compactados e estreitos. É muito comum em lesões deprimidas (aquelas "crateras" perigosas).
- Tipo III-L (Large/Grande): Os tubos são alongados e largos, parecendo as curvas de um cérebro ou coral. É o padrão mais comum dos pólipos protuberantes (cogumelos).
🌿 Tipo IV: Ramificado (Folhas ou Dedos)
- O Desenho: Os poros são longos, tortuosos e ramificados, parecendo raízes ou folhas.
- O Diagnóstico: Indica que o pólipo tem um Componente Viloso (vilosidade).
- O Significado: Pólipos vilosos tendem a ser maiores e crescer mais rápido. O médico terá cuidado extra para retirá-lo por completo.
⚫ Tipo V: Desestruturado (O Caos)
Aqui está o sinal de perigo máximo. O desenho organizado desaparece.
- Tipo V-I (Irregular): Os poros ainda existem, mas estão bagunçados, com formas bizarras e irregulares.
- O que diz: Sugere Câncer Precoce ou Displasia de Alto Grau. Pode haver invasão superficial.
- Tipo V-N (Non-structural/Sem estrutura): A superfície está lisa, apagada ou ulcerada. Não há desenho visível.
- O que diz: Sugere Câncer Invasivo Profundo. O tumor já destruiu a arquitetura da glândula.
- Conduta: Geralmente, não devemos tentar retirar por endoscopia comum, pois a raiz é profunda. O paciente é encaminhado para cirurgia ou procedimentos avançados.
🧠 Resumo simples para você
- A Classificação de Kudo analisa o desenho da superfície do pólipo
- Tipos I e II → geralmente benignos
- Tipos III e IV → adenomas (pré-câncer)
- Tipo V → forte suspeita de câncer
- Sempre é usada junto com:
- tecnologia de imagem
- experiência do médico
- resultado da biópsia
✅ Resumo: Por que isso importa para você?
Essas tecnologias não são apenas "enfeites". Elas mudam o seu destino.
- Evitam Cirurgias Desnecessárias: Ao usar a Magnificação, posso ver que um pólipo "feio" é na verdade benigno (Tipo II) e evitar cortá-lo sem necessidade.
- Evitam Câncer de Intervalo: A Cromoendoscopia (corante) me ajuda a achar aquele pólipo plano no lado direito que, a olho nu, passaria despercebido e viraria câncer em 3 anos.
- Segurança no Corte: A análise dos poros me diz se a raiz é profunda. Se for profunda (Tipo V), eu não corto na hora (o que poderia causar perfuração ou deixar câncer para trás), mas encaminho para o tratamento oncológico correto.
Conclusão: Quando for fazer sua colonoscopia, a qualidade do aparelho e o treinamento do médico em usar essas tecnologias fazem toda a diferença entre um exame "normal" e um exame que realmente protege.
Depois que removemos o pólipo, ele vai para um laboratório onde um médico patologista o analisa no microscópio. Dias depois, você recebe um papel com o "Nome e Sobrenome" daquela lesão.
👉 A biópsia é o exame que diz exatamente “que tipo de pólipo é aquele” e se existe risco de virar câncer.
Para entender o seu risco, precisamos dividir os pólipos em dois grandes grupos:
- Não Neoplásicos: São crescimentos benignos, geralmente sem potencial para virar câncer. São "cicatrizes" ou "inchaços".
- Neoplásicos: São os verdadeiros precursores do câncer. Eles não são câncer ainda, mas têm a "semente" (DNA alterado) para se transformar no futuro se não forem retirados.
1️⃣ Pólipos Hiperplásicos. Os Mais Comuns e Geralmente "Inocentes"
2️⃣ Pólipo de Granulação Inflamatória. A Cicatriz Exuberante e o "Falso Alarme"
3️⃣ Pseudopólipos inflamatórios. (As "Ilhas" de Sobrevivência)
4️⃣ Pólipo Inflamatório do tipo Prolapso. O "Calo" do Intestino causado pelo Esforço
5️⃣ Hamartomas (Pólipos Juvenis e Peutz-Jeghers). A "Casa Mal Construída”
⚠️ Grupo 2: Pólipos Neoplásicos. (Os "Pré-Cancerosos" - A Semente do Problema)
1️⃣ Pólipo Serrilhado Séssil (ou Lesão Serrilhada Séssil). O Inimigo Camuflado
2️⃣ Adenoma Serrilhado Tradicional (TSA)
3️⃣ Pólipo Serrilhado Misto. O "Híbrido" ou Dois em Um
4️⃣ Síndrome da Polipose Serrilhada (SPS)
5️⃣ A Família dos Adenomas (Os Clássicos). Entendendo o laudo: Tubular, Tubulo-Viloso, Viloso e Displasia
Ao receber o laudo da colonoscopia, a palavra "pólipo" costuma assustar. No entanto, é fundamental entender que nem todo pólipo é um câncer em formação. Na verdade, dividimos os pólipos em duas grandes famílias. O Grupo 1 é formado pelos Não Neoplásicos.
O que isso significa? Significa que essas lesões, em sua grande maioria, não possuem a capacidade genética de se transformar em câncer. Elas surgem não por uma mutação perigosa, mas sim como uma resposta do intestino ao envelhecimento, a uma inflamação ou a um trauma mecânico. São como "verrugas", "cicatrizes" ou "calos" internos. Diferentemente dos pólipos pré-cancerígenos (adenomas e serrilhados avançados), eles não apresentam mudanças celulares que indiquem evolução para câncer.
Na prática, isso significa que, quando aparecem isoladamente e em pequeno número, esses pólipos geralmente não exigem tratamento complexo nem acompanhamento intensivo. Muitas vezes são removidos durante a própria colonoscopia apenas por precaução ou para confirmação diagnóstica ao microscópio.
Apesar de serem benignos, é importante lembrar que a identificação correta depende sempre da análise histopatológica (biópsia). A aparência durante a colonoscopia pode sugerir baixo risco, mas a confirmação definitiva vem do exame microscópico.
Outro ponto fundamental é que a presença de pólipos “inocentes” não elimina totalmente a necessidade de vigilância futura. O intervalo para repetir a colonoscopia dependerá do contexto geral do paciente — idade, histórico familiar, qualidade do exame e presença de outros fatores de risco. Na maioria das vezes, não exigem vigilância intensiva.
💡 Mensagem Importante para o Paciente
Mesmo que o médico suspeite que o pólipo seja "inocente" apenas olhando pela câmera, a regra de ouro da endoscopia é: "Na dúvida, removemos e analisamos". Apenas o exame microscópico (histopatológico) pode confirmar com 100% de certeza se o seu pólipo pertence ao Grupo 1 (Tranquilo) ou ao Grupo 2 (Alerta).
Receber o resultado de um pólipo não neoplásico costuma ser uma boa notícia.
Significa que:
✔ não há sinais de pré-câncer
✔ o risco de transformação maligna é extremamente baixo
✔ o acompanhamento tende a ser mais espaçado
Em outras palavras, esses pólipos fazem parte das alterações benignas que podem surgir ao longo da vida e, na maioria das vezes, não representam ameaça significativa à saúde. Ainda assim, detectá-los e removê-los faz parte da estratégia preventiva da colonoscopia — garantindo que qualquer lesão suspeita seja identificada precocemente e tratada antes de se tornar um problema maior.
Se o seu laudo de biópsia diz "Pólipo Hiperplásico", a primeira reação deve ser de tranquilidade. Eles representam cerca de 30% a 40% de todos os pólipos encontrados e são considerados, em sua grande maioria, lesões benignas sem potencial para virar câncer.
🧠 O que são pólipos hiperplásicos?
Não são tumores verdadeiros. São apenas um acúmulo de células normais do revestimento do intestino que cresceram um pouco mais rápido do que deviam. Eles surgem por uma hiperproliferação benigna da mucosa intestinal, ou seja, as células são normais, apenas estão em maior quantidade naquele ponto.
👁️Como eles costumam aparecer na colonoscopia?
Geralmente são muito pequenos (menores que 5 mm), pálidos ou brilhantes, de superfície lisa. Durante o exame, eles podem achatar ou “sumir” momentaneamente quando o ar é insuflado no intestino.
- Estão presentes em cerca de 10% a 20% das colonoscopias de rastreamento
- Representam aproximadamente 30% a 40% de todos os pólipos colorretais
- Tornam-se mais frequentes com o envelhecimento
- Muitos são tão pequenos que nem sempre são removidos, o que faz com que esses números sejam provavelmente subestimados
📍 A Regra da Localização (Esquerda vs. Direita)
Para entender se você precisa se preocupar, olhe no laudo onde o pólipo estava:
- No Reto e Sigmoide (Lado Esquerdo/Final do Intestino):
- O Veredito: São os clássicos "inocentes", considerados totalmente benignos. Não viram câncer. Sua presença ali não aumenta seu risco futuro.
- Curiosidade: Muitos médicos optam por nem retirar essas "bolinhas" minúsculas se tiverem certeza visual de que são hiperplásicos, pois elas não representam ameaça.
- No Cólon Direito (Início do Intestino) ou Grandes (≥ 10 mm):
- O Veredito: Exigem atenção e respeito.
- Por quê? Um pólipo hiperplásico grande ou localizado no lado direito pode ser facilmente confundido visualmente com uma Lesão Serrilhada Séssil (que é perigosa e pré-cancerosa).
- A Conduta: Por causa dessa semelhança visual, nós removemos e enviamos para análise para ter 100% de certeza de que não é um "lobo em pele de cordeiro".
✂️ Por que removemos se são benignos?
Se a maioria é inofensiva, por que gastar tempo tirando?
- Confirmação: A olho nu, um pólipo hiperplásico pode parecer idêntico a um adenoma ou serrilhado (que são perigosos). A biópsia é a "prova real".
- 👉 Por essa razão, é comum que o médico retire o pólipo e envie para biópsia, para confirmar o diagnóstico ao microscópio e garantir segurança.
- 📌 A remoção é indolor, feita durante a colonoscopia e um procedimento preventivo.
- 🔄 Eles podem voltar?
- O mesmo pólipo não cresce novamente após ser removido completamente.
- Porém, é muito comum surgirem novos pólipos hiperplásicos ao longo da vida.
🧬 Importância clínica dos pólipos hiperplásicos
Na prática, o maior valor clínico dos pólipos hiperplásicos está em:
- Diferenciá-los dos pólipos serrilhados sésseis.
- Avaliar se fazem parte de uma condição chamada síndrome da polipose serrilhada, quando aparecem em grande número ou em tamanhos maiores.
- Se um paciente tiver muitos pólipos hiperplásicos (mais de 20) espalhados pelo intestino, isso pode configurar uma condição genética específica que exige vigilância rigorosa.
- 👉 Isoladamente, os pólipos hiperplásicos têm pouco significado clínico e não representam risco direto à saúde.
📅 Quando devo repetir a colonoscopia?
O seguimento depende da quantidade e do tamanho:
- Cenário Comum (Baixo Risco):
- O caso: Você teve menos de 20 pólipos hiperplásicos e todos eram pequenos (< 10 mm).
- Retorno: Vida normal. Colonoscopia entre 5 e 10 anos, conforme a recomendação para a população geral.
- Cenário de Atenção (Risco Elevado):
- O caso: Você teve algum pólipo hiperplásico Grande (≥ 10 mm).
- Retorno: Esse pólipo é tratado como se fosse um serrilhado (potencialmente perigoso). O retorno é sugerido em 3 a 5 anos.
Resumo: O Pólipo Hiperplásico pequeno no reto é apenas um "sinal de uso" do intestino, sem gravidade. O Pólipo Hiperplásico grande ou do lado direito é um sinal de alerta que merece acompanhamento.
Resumo simples para você
- Pólipos hiperplásicos são muito comuns
- Geralmente são pequenos, benignos e não viram câncer
- São mais frequentes no reto e sigmoide
- Quando grandes ou no cólon direito, exigem mais atenção
- A biópsia serve para confirmar que são realmente benignos
- O acompanhamento costuma ser tranquilo e espaçado
👉 Encontrar um pólipo hiperplásico não é motivo de alarme — é, na maioria das vezes, apenas um achado benigno confirmado pela biópsia.
Se o seu médico mencionou "tecido de granulação" no laudo, não se assuste. Na medicina, granulação é o nome chique para cicatrização. Este tipo de pólipo nada mais é do que uma tentativa do seu corpo de curar uma ferida ou inflamação no intestino. É como se fosse uma "casca de ferida" que cresceu demais ou aquela "carne esponjosa" que às vezes aparece em machucados na pele. Apesar de, às vezes, ter uma aparência que assusta, ele não é câncer e não vira câncer.
🧠 O que é um pólipo inflamatório de granulação?
De forma simples, ele é formado por tecido de granulação, que é o tecido novo que o corpo produz para regenerar áreas machucadas.
👉 Pense nele como uma “cicatriz em crescimento” da mucosa intestinal. Ao microscópio, esse pólipo é composto por:
- Tecido inflamatório em regeneração.
- Vasos sanguíneos novos.
- Superfície coberta por epitélio em processo de cicatrização.
🏗️ Como eles se formam?
Eles surgem na fase de regeneração. O intestino sofreu uma agressão, e, ao tentar consertar o dano, produziu células de reparo em excesso, formando uma protuberância. As causas mais comuns são:
- Doenças Inflamatórias: Muito frequente em pacientes com Retocolite Ulcerativa ou Doença de Crohn.
- Infecções Passadas: Sequelas de disenterias graves (bactérias ou amebas).
- Colites graves: Colite isquêmica e Pós-diverticulite.
- Trauma Mecânico (O "Pólipo de Atrito"): Um grupo específico desses pólipos surge devido ao Prolapso da Mucosa (quando uma parte do reto escorrega e sofre atrito constante ao fazer força para evacuar). O corpo forma o pólipo como uma calosidade de proteção.
👺 A Aparência Enganosa (O "Sinistro" que é Bonzinho). Como ele pode parecer na colonoscopia?
Aqui mora a grande confusão. Embora seja benigno, o Pólipo de Granulação pode ter uma aparência "feia" na endoscopia.
- Únicos ou, menos frequentemente, múltiplos.
- Sésseis (base larga) ou pediculados (com “cabinho”).
- Ele pode ser grande, avermelhado, irregular ou ulcerado.
- Ou ter aspecto mais regular e esbranquiçado.
- Para o médico que está olhando, ele pode parecer muito com um câncer agressivo.
- A Realidade: Apesar dessa "cara de mau", ele é totalmente benigno.
- Risco de Câncer: Zero. Eles não possuem potencial maligno. São compostos apenas de vasos sanguíneos, células inflamatórias e tecido de cicatrização.
- Não aumenta o risco de câncer colorretal por si só. O risco, quando existe, está relacionado à doença inflamatória de base, e não ao pólipo em si.
- Precisa retirar?
- Se for pequeno: Geralmente não precisa, pois é apenas uma sequela.
- Se for grande (> 10 mm): Sim, removemos.
- Por que remover se é benigno? Justamente porque ele é indistinguível de um câncer apenas pelo olhar. Precisamos retirá-lo e enviá-lo para o microscópio para ter 100% de certeza de que não é uma lesão maligna disfarçada. Além disso, se forem muito grandes, podem sangrar ou atrapalhar a passagem das fezes.
- Nesses casos, a retirada serve principalmente para aliviar sintomas e confirmar o diagnóstico pela biópsia.
⏱️ Precisa de colonoscopias extras depois?
- Não é necessário seguimento especial apenas por causa do pólipo.
- O acompanhamento segue as recomendações da doença inflamatória intestinal, se ela existir.
📌 Resumo simples para você
- O pólipo inflamatório de granulação surge durante a cicatrização do intestino.
- Está ligado a inflamação, não a câncer.
- Pode parecer “feio” na colonoscopia, mas é benigno.
- Não vira câncer.
- Só precisa ser removido se:
- For grande.
- Causar sintomas.
- Gerar dúvida diagnóstica.
👉 Quando a biópsia mostra pólipo inflamatório de granulação, o resultado costuma ser tranquilizador.
Se você tem histórico de doenças intestinais (como Retocolite Ulcerativa ou Crohn) e viu o termo "Pseudopólipo" no seu laudo, fique tranquilo. A palavra "Pseudo" significa "Falso". Ou seja, eles não são pólipos verdadeiros no sentido neoplásico (não são tumores novos crescendo).
🏝️ O que são exatamente? (A Analogia da Ilha)
Imagine um terreno plano que sofreu uma forte erosão (inflamação e úlceras), rebaixando o nível do solo. Alguns pedaços de terra firme permaneceram intactos no meio da destruição. Esses pedaços que sobraram parecem "montanhas" ou "ilhas" em relação ao solo corroído ao redor.
- Na Prática: Os pseudopólipos são essas ilhas de mucosa saudável ou em regeneração que sobraram após uma crise grave de inflamação. Eles parecem estar elevados, mas na verdade, foi o "chão" ao redor deles que afundou devido às úlceras da doença.
📌 Em que situações eles aparecem?
- Os pseudopólipos inflamatórios são mais frequentes em:
- Retocolite ulcerativa,
- Doença de Crohn,
- Outras colites inflamatórias mais intensas ou prolongadas.
- Eles podem aparecer:
- Durante fases ativas da inflamação,
- Ou como “marcas” deixadas após crises antigas.
👀 Como eles costumam ser vistos na colonoscopia?
Durante a colonoscopia, os pseudopólipos inflamatórios podem apresentar aspectos variados:
- Podem ser pediculados (com um “cabinho”) ou sésseis (base larga)
- Geralmente são menores que 2 cm
- Costumam ser:
- Múltiplos
- Alongados ou finos (filiformes)
- Espalhados pelas áreas do intestino que sofreram inflamação
- Em inflamações mais recentes, podem:
- Aparecer como lesões únicas
- Ter muco aderido à sua superfície
- Ao microscópio, são formados por:
- Tecido inflamatório
- Mucosa distorcida pela inflamação
- Podem ou não ter pequenas erosões superficiais
A resposta é NÃO.
- O pseudopólipo em si não sofre transformação maligna. Ele é composto de tecido inflamatório e de regeneração.
- O Alerta Real: O perigo não está no pseudopólipo, mas na doença de base (a colite que causou tudo isso). Pacientes com inflamação crônica têm maior risco de desenvolver câncer na mucosa ao redor dos pólipos (o tecido plano).
- A Conduta Médica: Por isso, o médico examina com lupa a região "plana" vizinha aos pseudopólipos para garantir que não haja displasia (alterações celulares) escondida ali.
💊 Precisa operar ou retirar?
Na imensa maioria das vezes, não removemos os pseudopólipos.
- Não resolve: Como eles são reação à inflamação, se cortarmos e o intestino continuar inflamado, eles podem voltar.
- Tratamento: Não exigem tratamento específico. O foco é tratar a causa (a Retocolite ou Crohn) com medicamentos. Quando a inflamação sara, o aspecto do intestino melhora.
- Exceção: Só retiramos se eles forem gigantes (causando obstrução da passagem das fezes) ou se estiverem sangrando muito (o que é raro, pois o sangramento geralmente vem da úlcera, não do pólipo) ou dificultarem a avaliação da mucosa ao redor.
- Precisa de acompanhamento especial? Não é necessário seguimento adicional apenas por causa do pseudopólipo. O acompanhamento segue as recomendações da doença inflamatória intestinal do paciente
📌 Resumo simples para você
- Pseudopólipos inflamatórios não são pólipos verdadeiros
- Surgem como consequência da inflamação do intestino
- São comuns em retocolite ulcerativa e doença de Crohn
- Não viram câncer
- O risco, quando existe, está ligado à doença de base
- Geralmente não precisam ser removidos
👉 Quando a biópsia mostra pseudopólipos inflamatórios, o resultado costuma ser tranquilizador.
Se o seu laudo trouxe esse nome complexo, a primeira coisa que você precisa saber é: Isso não é um tumor. Diferente dos adenomas, que surgem por mutações nas células, o Pólipo do tipo Prolapso surge por Trauma Mecânico repetido na mucosa do intestino — especialmente no reto e no cólon sigmoide. É como se fosse um "calo" ou uma "bolha" que se formou porque aquela parte do intestino sofreu muito atrito e aperto.
🏗️ Como ele se forma? (A Mecânica do Problema)
Este pólipo é típico de quem sofre de Prisão de Ventre Crônica e precisa fazer muita força para evacuar há anos.
- O Deslizamento: Quando você faz força excessiva, a camada interna do intestino (mucosa) "escorrega" e desce (prolapso). Sofre atrito, tração e torção repetidas, e tenta se regenerar, formando uma espécie de “calo” inflamatório
- O Estrangulamento: Ao escorregar, essa sobra de pele fica presa e torcida pelos movimentos musculares do intestino (peristaltismo).
- A Lesão: Esse aperto corta a circulação de sangue (isquemia) momentaneamente. Com o tempo, essa área que sofre o "aperta e solta" constante fica inchada, vermelha e fibrosa (dura), formando o pólipo.
- Isso acontece com mais frequência em pessoas que:
- Têm prisão de ventre crônica,
- Fazem muita força para evacuar,
- Apresentam contrações intestinais espásticas,
- Ou têm doença diverticular.
Nota Médica: Esses pólipos fazem parte do que chamamos de "Síndrome do Prolapso Mucoso", que também inclui a Úlcera Retal Solitária e os Pólipos Cloacogênicos. Todos são causados pelo mesmo vilão: o esforço evacuatório.
👺 A Aparência "Sinistra" (O Falso Perigo). Como ele pode aparecer na colonoscopia?
Aqui mora o perigo do diagnóstico errado. Na colonoscopia, o Pólipo de Prolapso pode ter uma aparência assustadora.
- Ele costuma ser grande, vermelho vivo (hiperêmico) e brilhante às vezes lobulada.
- Pode ter dobras grossas e irregulares.
- Pode ter base larga (pedículo largo).
- Em alguns momentos, “entra e sai” com o movimento do intestino.
- Pode haver dobras mucosas redundantes e pequenas manchas de sangramento (petéquias).
- A Confusão: Por ser feio e grande, ele é frequentemente confundido com Câncer ou com Adenomas avançados à primeira vista. Muitos pacientes acabam indo para cirurgias desnecessárias porque o médico achou que era um tumor maligno, quando na verdade era apenas tecido inflamatório e fibroso.
- A Biópsia: É ela que traz o alívio. O microscópio mostra que não há células cancerígenas, apenas músculo e fibra (hiperplasia fibromuscular) tentando se defender do trauma.
Embora benigno, ele não é silencioso. Como é uma área machucada, pode causar:
- Sangramento: Sangue vivo nas fezes ou oculto.
- Mucorreia: Saída de muco (catarro) pelo ânus.
- Cólicas abdominais.
- Alteração do hábito intestinal.
- Tenesmo: A sensação de que você precisa evacuar, mas não sai nada (porque o pólipo ocupa espaço no reto).
🧩 Faz parte de alguma síndrome?
Sim. Ele integra um conjunto de condições chamado “síndrome do prolapso mucoso”, que inclui:
- Úlcera retal solitária,
- Pólipos inflamatórios cloacogênicos,
- Lesões associadas à doença diverticular.
💊 O Tratamento: Dieta ou Bisturi?
Diferente dos outros pólipos que resolvemos apenas cortando, aqui precisamos tratar a causa.
- Tratamento Conservador (A Regra):
- O objetivo é parar o trauma. Você precisa corrigir o intestino.
- Dieta rica em fibras, muita água e proibição de fazer força excessiva no vaso sanitário.
- Muitas vezes, ao corrigir a constipação, a lesão regride e diminui sozinha.
- Ressecção (A Exceção):
- Só retiramos (por endoscopia ou cirurgia) se o pólipo for muito grande, estiver obstruindo a passagem das fezes ou sangrando sem parar ou persiste dúvida diagnóstica mesmo após avaliação cuidadosa.
- Cuidado: Se retirar o pólipo, mas continuar fazendo força, ele pode voltar.
📌 Resumo simples para você
- É um pólipo benigno, causado por trauma e esforço repetidos
- Comum em quem tem prisão de ventre crônica
- Pode parecer “feio” na colonoscopia, mas não é câncer
- Não vira câncer
- O tratamento é corrigir o funcionamento do intestino
- A biópsia serve para confirmar o diagnóstico e evitar tratamentos desnecessários
👉 Quando a biópsia mostra pólipo inflamatório do tipo prolapso, o resultado costuma ser tranquilizador.
Se o seu laudo trouxe o termo Hamartoma ou Pólipo Juvenil, não se assuste com o nome estranho.
Para entender o que é um Hamartoma, use esta analogia simples: Imagine que alguém construiu uma casa usando os tijolos, cimento e madeira corretos, mas na ordem errada. O Hamartoma não é um tumor de células malignas estranhas. Ele é feito de tecido normal do próprio intestino (glândulas, músculo, tecido de sustentação), mas que cresceu de forma desorganizada e misturada, formando uma massa.
👉 Na maioria das vezes, não são câncer e não viram câncer. O cuidado maior surge quando eles aparecem em grande número ou fazem parte de síndromes genéticas específicas
Existem três tipos principais que você precisa conhecer:
A) Pólipos Juvenis. (Não é só coisa de criança)
O nome "Juvenil" confunde muitos pacientes. Ele refere-se ao tipo visual do pólipo no microscópio (glândulas cheias de cistos e líquido), e não apenas à idade do paciente. Embora sejam mais comuns em crianças, adultos também podem tê-los. Eles recebem o nome “juvenis” porque: São mais comuns na infância e podem ser encontrados em até 2% das crianças menores de 10 anos.
O Pólipo Juvenil Isolado (Esporádico):
- Cenário: Encontramos apenas 1 pólipo desse tipo localizado no reto ou sigmoide.
- Risco: Benigno. Não aumenta o risco de câncer.
- Frequência: Ocorre em até 2% das crianças. Geralmente fica no reto e pode causar sangramento ou sair pelo ânus (prolapso) ao evacuar.
- Tratamento: A maioria não precisa de tratamento se a pessoa não tiver sintomas. A remoção é indicada quando:
- Há sangramento pelo ânus,
- O pólipo prolapsa para fora do reto,
- Causa anemia ou desconforto.
- Cenário: O paciente tem vários ou múltiplos pólipos juvenis espalhados pelo estômago e intestino, pode afetar todo o trato gastrointestinal.
- Risco: Alto. É uma doença genética (Autossômica Dominante). Quem tem a síndrome tem risco aumentado de desenvolver câncer colorretal e precisa de vigilância rigorosa.
- 👉 Diferente do pólipo juvenil isolado, a síndrome aumenta o risco de câncer colorretal ao longo da vida. Por isso, pessoas com essa síndrome precisam de:
- Colonoscopias regulares
- Seguimento médico contínuo
São hamartomas com uma característica única: eles têm "galhos" de músculo liso no meio do pólipo (como os galhos de uma árvore).
- Associação: Geralmente estão ligados à Síndrome de Peutz-Jeghers.
- Sinais Externos: Muitos pacientes com essa síndrome apresentam manchas escuras (sardas azuis/marrons) nos lábios, boca e dedos.
- O Risco:
- O pólipo pode crescer muito e causar obstrução (entupir o intestino).
- A Síndrome aumenta muito o risco de câncer não só no intestino, mas também na mama, pâncreas e ovários.
- Conduta: Devem ser ressecados (removidos) e o paciente deve ser monitorado por um especialista em genética ou gastroenterologia.
Esta é uma condição muito rara e não hereditária (não passa de pai para filho).
- O que acontece: O intestino fica cheio de pólipos hamartomatosos, mas o corpo também dá sinais externos estranhos:
- Queda de cabelo (Alopecia).
- Unhas fracas ou deformadas (Onicodistrofia).
- Manchas na pele.
- Sintomas: Diarreia forte, perda de peso e dor.
- Gravidade: É uma doença séria, não tanto pelo câncer, mas porque a pessoa desnutre (o intestino não absorve comida). A mortalidade pode ser alta se não tratada com suporte nutricional e medicamentos para imunidade.
- ⚠️ Apesar de os pólipos não serem câncer, a síndrome em si é grave, exigindo tratamento especializado e acompanhamento rigoroso.
✅ Resumo Prático para o Paciente
Tipo de Hamartoma |
O que significa? |
Precisa se preocupar? |
Pólipo Juvenil ÚNICO |
Um erro de construção isolado. |
Não. Removeu, acabou. |
Pólipos Juvenis MÚLTIPLOS |
Possível Síndrome Genética. |
Sim. Exige rastreio familiar. |
Peutz-Jeghers |
Pólipo com músculo + Manchas na boca. |
Sim. Risco de câncer em vários órgãos. |
📌 Resumo simples para você
- Hamartomas são pólipos benignos
- Pólipos juvenis isolados:
- São comuns na infância
- Não aumentam o risco de câncer
- Precisam ser retirados apenas se causarem sintomas
- Muitos pólipos ou associação com síndromes genéticas exigem acompanhamento especial
- A biópsia é essencial para:
- Confirmar o tipo do pólipo,
- Diferenciar lesão isolada de síndrome.
👉 Na maioria das vezes, o resultado “hamartoma” na biópsia é tranquilizador.
Se o seu laudo trouxe a palavra "Adenoma" ou "Neoplasia", não entre em pânico. Embora a palavra "Neoplasia" assuste (pois muitos a associam imediatamente a câncer), na medicina ela significa literalmente "Novo Crescimento".
Estes são os pólipos que nós, médicos, queremos encontrar.
- Eles não são câncer ainda, mas são a etapa anterior.
- Eles têm a "semente" (o DNA alterado) para se transformar em um tumor maligno no futuro.
- A Boa Notícia: Ao retirá-los durante a colonoscopia, nós interrompemos o ciclo da doença. Aquele pólipo específico não vai mais virar câncer, porque ele não existe mais.
🧠 Por que os pólipos neoplásicos são tão importantes?
- Eles representam a etapa anterior ao câncer colorretal
- A maioria dos cânceres do intestino começa a partir de um pólipo neoplásico
- A remoção precoce pode impedir totalmente o surgimento do câncer
- 👉 Em outras palavras: retirar um pólipo neoplásico é prevenir o câncer.
Eles se dividem em duas famílias principais:
- Serrilhados (a via nova e discreta)
- Adenomas Convencionais (a via clássica)
Durante muito tempo, acreditou-se que apenas os Adenomas clássicos viravam câncer. Hoje, sabemos que existe uma "rota alternativa" e perigosa: a Via Serrilhada também conhecida como sequência serrilhado–carcinoma.
O Pólipo Serrilhado Séssil (SSL/SSA) é o protagonista dessa história. Ele é responsável por cerca de 20% a 30% de todos os cânceres de intestino. Esse tipo de câncer tende a ser mais comum com o avanço da idade, principalmente a partir dos 50–60 anos.
Por que o Pólipo Serrilhado Séssil é tão perigoso?
Diferente dos adenomas comuns que são "bolinhas" fáceis de ver, o Serrilhado Séssil é o mestre do disfarce:
- É Plano: Ele cresce "esparramado" na parede do intestino, quase sem relevo.
- É Pálido: Tem a mesma cor da mucosa normal.
- Esconde-se no Lado Direito: Ele adora o cólon proximal (o fundo do intestino), onde as pregas são profundas e as fezes líquidas dificultam a visão.
- O "Chapéu" de Muco: Muitas vezes, a única pista que o médico tem é uma capa de muco ou fezes grudada em um ponto específico. O médico precisa lavar essa sujeira para descobrir o pólipo escondido embaixo.
O Nome "Serrilhado": Vem da aparência dele no microscópio. As criptas (glândulas) têm o formato de dentes de serra ou de uma bota, com a base alargada.
Sintomas: por que ele passa despercebido?
A maioria dos pólipos serrilhados sésseis não causa sintomas. Diferente de outros pólipos, eles raramente sangram, porque não costumam ter vasos sanguíneos anormais.
👉 Por isso:
- O teste de sangue oculto nas fezes geralmente é negativo
- O pólipo costuma ser descoberto por acaso, durante:
- Colonoscopia de rastreamento
- Colonoscopia de vigilância
- Exames feitos por outros motivos
Quão frequente é o pólipo serrilhado séssil?
A frequência varia bastante nos estudos, principalmente porque:
- São pólipos difíceis de enxergar
- Dependem da experiência do endoscopista
- Exigem critérios específicos no exame anatomopatológico
Fatores de risco conhecidos. Quem tem mais chance de ter esses pólipos?
- Fumantes.
- Pessoas com Obesidade ou Diabetes.
- Além disso, alterações genéticas chamadas metilação do DNA aumentam significativamente após os 50–60 anos, facilitando a progressão para câncer.
Como ele aparece na colonoscopia?
Durante o exame, o pólipo serrilhado séssil geralmente:
- É plano ou pouco elevado
- Tem bordas mal definidas
- Pode estar recoberto por muco
- Às vezes acumula resíduos ou bolhas ao redor
- É mais comum no cólon direito (cólon proximal)
✔️ Sim.
Apesar de o risco individual de um pólipo virar câncer ser baixo, ele existe, e por isso:
👉 A remoção completa por colonoscopia é sempre recomendada.
Esses pólipos são uma das principais causas do chamado câncer colorretal de intervalo, que aparece entre colonoscopias aparentemente normais.
🍂 História Natural dos Pólipos Serrilhados Sésseis: O "Caminho Alternativo" e Silencioso do Câncer
Durante décadas, a medicina acreditou que todos os cânceres de intestino nasciam da mesma forma: a partir dos Adenomas convencionais (aqueles em formato de cogumelo). Hoje, sabemos que isso não é verdade. Cerca de 20% a 30% dos cânceres colorretais surgem por uma via diferente, chamada de Via Serrilhada. O protagonista dessa história é o Pólipo (ou Lesão) Serrilhado Séssil.
Entender a "vida" desse pólipo é crucial, pois ele se comporta como um "lobo em pele de cordeiro".
1. O Nome e a Aparência: Por que "Serrilhado"?
Ao microscópio, as criptas (glândulas) desse pólipo têm o formato de dentes de serra. Mas, a olho nu, durante a colonoscopia, eles são mestres da camuflagem:
- São Planos (Sésseis): Diferente dos adenomas que formam "bolinhas", o serrilhado cresce espalhado, como um tapete ou uma mancha na parede.
- São Pálidos: Têm a mesma cor da mucosa normal, dificultando a visão.
- A "Capa de Invisibilidade": Frequentemente, eles produzem um muco que cobre a lesão. Se o intestino não estiver perfeitamente limpo, essa capa de muco esconde o pólipo debaixo de sujeira ou bolhas.
2. O Endereço Perigoso: O Lado Direito
Enquanto os adenomas comuns gostam do lado esquerdo (perto do final), os Pólipos Serrilhados Sésseis preferem o Cólon Direito (Ceco e Ascendente). Essa é a parte mais profunda e difícil de limpar do intestino. Por serem planos e estarem em uma região de dobras altas, eles podem passar despercebidos em exames rápidos ou com preparo ruim.
3. O Motor Genético (A Via BRAF e Metilação)
Diferente do adenoma clássico (que sofre quebras no DNA), o pólipo serrilhado sofre um processo de "envelhecimento acelerado" ou "desligamento de chaves".
- Mutação BRAF: É como se o acelerador da célula travasse, mandando ela crescer sem parar.
- Ilhas CpG (Metilação): Para se defender, a célula tenta frear, mas acaba "silenciando" genes protetores importantes. Esse mecanismo cria uma instabilidade genética (MSI) que torna esse caminho único.
4. A Evolução: Lenta... e de repente, Rápida.
A história natural desse pólipo tem dois tempos distintos:
- Fase 1: O Sono Longo (Indolente) O Pólipo Serrilhado Séssil pode ficar anos ali, crescendo lentamente, sem virar câncer. Ele é apenas uma lesão precursora.
- Fase 2: O Salto para o Perigo (Displasia) Se esse pólipo ganha uma característica chamada Displasia (células desorganizadas), o cenário muda drasticamente. Diferente do adenoma que demora anos para evoluir, uma Lesão Serrilhada com Displasia pode se transformar em um câncer invasivo de forma muito mais rápida e agressiva.
⚠️ O "Câncer de Intervalo": Você já ouviu falar de alguém que fez colonoscopia, deu normal, e 2 ou 3 anos depois descobriu um câncer? Muitas vezes, o culpado é um Pólipo Serrilhado do lado direito que não foi visto no primeiro exame ou que evoluiu rapidamente.
O Pólipo Serrilhado Séssil demora para crescer, mas quando ele desenvolve Displasia, o processo para virar câncer acelera drasticamente.
- O que é: É quando uma parte do pólipo serrilhado sofre uma mutação mais grave.
- O Tempo: Isso costuma acontecer cerca de 10 anos após o surgimento do pólipo original.
- A Aparência: O pólipo, que era plano, começa a ganhar um "caroço" ou nódulo na superfície (dupla elevação). Ele também começa a criar vasos sanguíneos anormais→ pode sangrar.
- Tem maior risco de progressão rápida para câncer.
📌 É considerado o principal precursor do câncer colorretal esporádico pela via serrilhada.
Sinais de displasia na colonoscopia
Alguns achados levantam suspeita:
- Nódulos sobre o pólipo
- Áreas mais elevadas
- Depressão central
- Aparência semelhante a adenoma tradicional
Para entender a velocidade dessa lesão, veja este exemplo médico:
Um paciente tinha uma lesão serrilhada pequena (8 mm) no cólon. Como tomava anticoagulantes, não pôde retirar na hora. Apenas 8 meses depois, ao repetir o exame, aquela lesão pequena já tinha se transformado em um Câncer Avançado de 2 cm.
Lição: Lesões serrilhadas com displasia não perdoam atrasos. Elas precisam ser removidas imediatamente.
🛠️ Tratamento: como os pólipos serrilhados sésseis são removidos?
✔️ Pólipos sem displasia
- Polipectomia a Frio (Cold Snare):
- Para lesões serrilhadas menores (< 10 mm), a melhor técnica é cortar com a alça sem usar bisturi elétrico (cauterização). Mesmo pólipos maiores podem ser removidos de forma fragmentada com segurança
- Por quê? Evita queimar a parede fina do intestino (reduz risco de perfuração) e remove a lesão com segurança.
⚠️ Pólipos com suspeita de displasia
- NÃO devem ser tratados apenas com alça fria
- Preferência por:
- Ressecção Endoscópica da Mucosa (EMR)
- Dissecção Endoscópica da Submucosa (ESD)
- Remoção completa
- Avaliação adequada pelo patologista
- Menor risco de recorrência
⏱️ Vigilância após a remoção
O intervalo da próxima colonoscopia depende do tamanho, número e presença de displasia:
- 1–2 pólipos <10 mm sem displasia → 3 a 5 anos
- ≥3 pólipos <10 mm → 3 anos
- ≥10 mm ou com displasia → 2 a 3 anos
- Múltiplos grandes ou com displasia → 1 a 3 anos
VEJA DETALHES NO LINK: https://www.drderival.com/quando-repetir-a-colonoscopia.html#grupo-4-polipos-serrilhados
Dentro da família dos pólipos serrilhados, existe um primo raro e agressivo: o Adenoma Serrilhado Tradicional (TSA). Ele representa menos de 1% de todos os pólipos colorretais e menos de 5% dos pólipos serrilhados, mas merece destaque especial porque tem características visuais e riscos bem diferentes dos seus "irmãos" (os serrilhados sésseis planos) , pois tem potencial aumentado de evoluir para câncer colorretal.
1. O Que o Diferencia? (A Aparência)
Enquanto o pólipo serrilhado comum é plano e pálido (difícil de ver), o TSA é exibido.
- O Visual: Ele é protuberante (cresce para fora). A superfície dele é cheia de vilosidades que lembram muito uma Pinha pequena ou uma Framboesa vermelha.
- Confusão Comum: Por ser avermelhado e cheio de franjas, ele é frequentemente confundido com o Adenoma Viloso (convencional).
- Localização: Diferente dos outros serrilhados que gostam do lado direito (fundo), o TSA prefere o Lado Esquerdo (Cólon Descendente, Sigmoide e Reto).
- Idade: É uma doença típica do envelhecimento, sendo mais comum em pacientes na casa dos 60 ou 70 anos.
Por crescerem no final do intestino (reto distal), os TSAs tendem a causar sintomas mais cedo do que outros pólipos:
- Sangramento: A superfície "framboesa" é frágil e sangra com a passagem das fezes.
- Prolapso: Se estiverem muito baixos no reto, podem sair pelo ânus durante a evacuação.
⚠️ O Perigo Biológico:
O TSA é considerado, por natureza, uma lesão avançada.
- A maioria dos TSAs já apresenta displasia de baixo grau, ou seja, alterações iniciais das células
- Em alguns casos, pode evoluir para displasia de alto grau, o que aumenta ainda mais o risco de câncer
⚠️ O TSA pode virar câncer? ✔️ Sim. O adenoma serrilhado tradicional é considerado um pólipo avançado, com risco relativamente elevado de progressão para câncer colorretal, especialmente quando:
- É grande (≥10 mm)
- Apresenta displasia de alto grau
- Não é completamente removido
3. O Tratamento: Atenção à Técnica
Como costumam ser grandes e localizados no reto, a remoção exige perícia.
- Polipectomia Padrão: Funciona para os pequenos.
- Técnicas Avançadas (EMR/ESD): Para TSAs grandes e planos no reto, muitas vezes precisamos usar técnicas de Dissecção Endoscópica ou Microcirurgia Transanal (TEMS). O objetivo é retirar a lesão inteira em bloco, sem deixar raízes, preservando a musculatura do ânus.
- Raridade: Em casos muito extensos ou mal localizados, pode ser necessária cirurgia (colectomia), mas tentamos evitar isso ao máximo com a endoscopia moderna.
4. A "Dupla Ameaça" (Risco Combinado)
Um dado científico recente e importante para você saber:
- Pacientes que têm TSA + Adenomas Convencionais ao mesmo tempo possuem um "perfil de risco único".
- Estudos mostram que essa combinação aumenta significativamente a chance de ter novos pólipos perigosos no futuro.
- Fator Tabagismo: Esse grupo específico (quem tem os dois tipos de pólipos) costuma ter uma associação muito forte com o cigarro. Parar de fumar é parte essencial do tratamento para evitar a volta da doença.
📅 Quando devo voltar? (Vigilância)
O intervalo depende do tamanho da "pinha" que retiramos:
Tipo de TSA Encontrado |
Quando Repetir a Colonoscopia? |
Pequeno (< 10 mm) |
5 Anos (Se não tiver displasia grave) |
Grande (≥ 10 mm) |
3 Anos (Tratado como Adenoma Avançado) |
Com Displasia de Alto Grau |
3 Anos (ou menos, a critério médico) |
Resumo: O Adenoma Serrilhado Tradicional (TSA) é raro, visualmente marcante (parece uma framboesa) e agressivo. Se o seu laudo trouxe esse diagnóstico, a boa notícia é que ele foi removido antes de virar câncer, mas você precisará de vigilância rigorosa, especialmente se for fumante.
📝 Mensagem final para o paciente
👉 O adenoma serrilhado tradicional é raro, mas não deve ser subestimado. Ele costuma surgir em pessoas mais velhas, pode sangrar, tem aparência típica na colonoscopia e carrega risco aumentado de câncer, especialmente quando grande.
✔️ A boa notícia é que:
- Quando detectado precocemente
- Removido completamente
- E acompanhado com colonoscopias no intervalo correto
👉 O risco de evolução para câncer pode ser significativamente reduzido.
Imagine encontrar uma fruta que é metade maçã e metade laranja. Na colonoscopia, algo parecido pode acontecer. O Pólipo Misto (ou de morfologia combinada) é uma lesão rara onde, ao olharmos no microscópio, encontramos características de dois tipos diferentes de pólipos misturados na mesma massa.
Como isso acontece?
Os cientistas debatem duas teorias principais para explicar esse fenômeno, e entender isso ajuda a compreender o seu risco:
- A Teoria da Colisão (Os Vizinhos): Imagine que nasceram dois pólipos diferentes muito próximos um do outro (por exemplo, um Serrilhado e um Adenoma). Eles cresceram tanto que seus "terrenos" se encontraram e eles se fundiram em uma única massa. É uma coincidência biológica.
- A Teoria da Evolução (A Transformação): Esta é a teoria mais aceita hoje. Acredita-se que o pólipo começou como uma Lesão Serrilhada (aquela plana e discreta). Com o tempo, ela sofreu uma mutação genética extra e começou a desenvolver dentro dela uma área de Adenoma Convencional (displasia).
- Por que isso importa? Isso prova que o pólipo serrilhado estava evoluindo e se tornando mais agressivo.
A Combinação Mais Comum
Geralmente, o "mix" envolve:
- Base: Um Pólipo Serrilhado Séssil (Plano/Lado Direito).
- Topo: Um Adenoma Tubular ou Túbulo-Viloso crescendo sobre ele.
Acredita-se que a maioria dos pólipos mistos seja, na verdade, uma lesão serrilhada séssil que passou a apresentar áreas de adenoma convencional.
Porque ele reúne dois mecanismos diferentes de risco para câncer:
- A via serrilhada, associada a um crescimento silencioso,
- A via adenoma–carcinoma, mais clássica e conhecida.
- O pólipo for grande,
- Houver displasia,
- A remoção não for completa.
🛠️ Tratamento do pólipo serrilhado misto
O tratamento é feito por polipectomia endoscópica, ou seja, remoção do pólipo durante a colonoscopia. A técnica utilizada depende de:
- 📏 Tamanho do pólipo,
- 📍 Formato (plano, elevado ou pediculado),
- 🔬 Suspeita de displasia.
✔️ Na prática, o tratamento segue os mesmos princípios usados para pólipos convencionais, sempre buscando:
- Remoção completa,
- Margens livres de lesão.
⏱️ Acompanhamento (vigilância)
Após a remoção, o intervalo da próxima colonoscopia:
- Não depende apenas do nome “pólipo misto”.
- Depende principalmente do componente de maior risco.
- Se predominar um adenoma avançado → vigilância mais curta.
- Se o componente for de baixo risco → vigilância mais espaçada.
- Tamanho.
- Número.
- Presença ou não de displasia.
O Retorno (Vigilância): Se uma parte do pólipo era um Adenoma Avançado, tratamos você como um paciente de alto risco.
- Geralmente, o intervalo para a próxima colonoscopia será de 3 anos (ou menos, dependendo do grau de displasia encontrado na parte adenomatosa).
Resumo: O Pólipo Misto é um sinal claro de que aquela lesão estava biologicamente ativa e mudando. A sua remoção completa interrompeu esse processo de transformação em câncer.
📝 Mensagem final para o paciente
👉 O pólipo serrilhado misto é incomum, mas não deve ser ignorado. Ele representa uma lesão mais complexa, que combina características de diferentes tipos de pólipos e pode ter maior potencial de evolução se não for tratada adequadamente. ✔️ A boa notícia é que:
- A colonoscopia de qualidade,
- A remoção completa,
- E o acompanhamento correto.
Pacientes com a síndrome têm um risco aumentado de câncer colorretal. Em uma meta-análise de 36 estudos que incluíram 2788 pacientes com a síndrome, o risco geral de CaCR foi de 20 por cento. O risco de CCR no momento do diagnóstico e durante a vigilância foi de 15 por cento e 3 por cento, respectivamente. Pacientes com SPS também tiveram uma alta incidência de histórico de CaCR antes do diagnóstico de SPS. Este risco de CaCR é atribuível à presença de pólipos serrilhados com displasia, adenomas avançados e à presença de pólipos colônicos proximais grandes ou múltiplos.
Diagnóstico da síndrome da polipose serrilhada (SPS) ou síndrome da polipose hiperplásica (SPH)
Deve-se pensar na possibilidade dessa polipose quando múltiplos, grandes e/ou proximais ao retossigmóide. Diferem dos pólipos hiperplásicos isolados, pois podem atingir até 3 cm. Apesar de afetar preferencialmente pacientes entre a sexta e sétima décadas, existem casos descritos em jovens.
O diagnóstico clínico de SPS/SPH requer a presença de um dos seguintes critérios da Organização Mundial da Saúde:
- >20 lesões/pólipos serrilhados/hiperplássico de qualquer tamanho, distribuídos por todo o cólon, sendo ≥5 proximais ao reto.
- Pelo menos cinco lesões serrilhadas/hiperplásicas proximais ao reto, todos ≥ 5 mm, com pelo menos dois ≥ 10 mm de tamanho.
Gestão da síndrome da polipose serrilhada (SPS) ou síndrome da polipose hiperplásica (SPH)
As estratégias de gestão para pacientes com SPS/SPH e suas famílias não foram bem definidas. Pólipos ≥1 cm devem ser ressecados completamente. Os intervalos subsequentes de colonoscopia são baseados no número e tamanho dos pólipos, bem como no número de adenomas concomitantes, mas geralmente devem ser realizados a cada um a três anos.
Recomendações para vigilância na síndrome da polipose serrilhada
As estratégias de gestão para pacientes com síndrome da polipose serrilhada e suas famílias não foram bem definidas, mas os autores recomendam:
- Pólipos ≥1 cm devem ser ressecados completamente.
- Os intervalos subsequentes de colonoscopia são baseados no número e tamanho dos pólipos, bem como no número de adenomas concomitantes, mas geralmente devem ser realizados a cada 1-3 anos.
- O rastreamento de parentes de primeiro grau de indivíduos com síndrome da polipose serrilhada deve ser aos 40 anos ou 10 anos antes do diagnóstico do parente de primeiro grau, o que ocorrer primeiro. A vigilância subsequente é a cada cinco anos se nenhum pólipo for achado.
Indicações para colectomia (ressecção do cólon)
- Câncer colorretal documentado ou suspeito.
- Pólipos com displasia de alto grau ou múltiplos serrilhados maiores que 6 mm.
- Aumentos no número de pólipos em exames consecutivos.
- Incapacidade de examinar adequadamente o cólon por causa de múltiplos pólipos muito pequenos.
- Preferência do paciente para evitar a vigilância por colonoscopia. A decisão de se submeter à colectomia em tais casos requer uma discussão informada dos riscos relativos versus benefícios da vigilância regular e polipectomias versus risco cirúrgico da colectomia. Pacientes com pólipos serrilhados sésseis podem ter risco aumentado de lesões perdidas, ressecção incompleta e complicações de polipectomia, dado que os pólipos são planos e têm cor e margens indistintas.
A maioria dos adenomas convencionais se desenvolve a partir de mutações de DNA adquiridas esporadicamente, mas também se desenvolvem em síndromes hereditárias de câncer colorretal. A síndrome de Lynch é a síndrome hereditária mais comum do câncer colorretal, mas os adenomas convencionais geralmente não são numerosos e são mais propensos a estar no cólon direito e abrigar displasia de alto grau e um componente viloso, mesmo quando pequeno.
Fatores de risco para pólipo adenomatoso e câncer colorretal
São fatores de risco modificáveis para o câncer de intestino: tabagismo pesado, consumo frequente de álcool, obesidade, sedentarismo, consumo frequente de carne vermelha e processada, consumo frequente de gordura animal e frituras, consumo frequente de ultraprocessados, baixo consumo de frutas e vegetais, baixo consumo de fibras, baixo consumo de aves e peixes, baixo consumo Vitamina D e cálcio, baixo consumo de antioxidantes, estresse psicológico crônico e disbiose. Pessoas com três ou mais destes fatores de risco encontram-se em risco aumentado para o câncer de intestino.
Fatores de risco não modificáveis para pólipos neoplásicos (adenomas e serrilhados) e câncer colorretais incluem idade, sexo, raça-etnia, história familiar de pólipo colorretal, história familiar de câncer colorretal, história pessoal de pólipo e câncer colorretal, portador de Doença Inflamatória Intestinal, diabetes e síndromes genéticas. Embora essas características sejam geralmente imutáveis, a identificação de indivíduos de risco intermediário e alto risco otimiza o rastreamento e vigilância de lesões pré-cancerosas.
Características endoscópicas e microscópicas dos adenomas
O adenoma convencional pode ser polipoide e não polipoide (ver acima). O adenoma polipoide pode ser pediculado quando está ligado à mucosa por um pedículo ou caule ou séssil que se liga diretamente à mucosa. As lesões não polipoides podem ser planas ou deprimidas e aquelas que se estendem por mais de 10 mm são denominadas "lesões de crescimento lateral".
Os adenomas convencionais são categorizados com base na quantidade de alterações vilosas que exibem à microscopia: adenoma tubular (AT), túbulo-viloso (ATV) e viloso (AV). Os ATs têm menos de 25% de arquitetura vilosa e são o tipo mais comum; a maioria tem menos de 1 cm e tem uma superfície lisa. À medida que as lesões aumentam de tamanho, quando > 1 cm, as projeções semelhantes a vilos tornam-se aparentes ou predominantes e as lesões são classificadas como ATV se o componente viloso for maior que 25% e menor que 75% ou AV quando maior que 75%. Está bem estabelecido que a arquitetura das vilosidades é mais provável de ser encontrada em adenomas maiores. Pelo menos um terço dos adenomas ≥10 mm de tamanho têm um componente viloso.
Os adenomas avançados são pólipos adenomatosos associados a um risco aumentado de recorrência e progressão local quando ressecados aos poucos ou incompletamente excisados e são definidos como qualquer pólipo maior que 10mm e/ou com um componente viloso e/ou com displasia de alto grau. Esses pólipos também são considerados marcadores de risco aumentado de CaCR metacrônico ou CaCR familiar.
O diagnóstico histológico do adenoma convencional geralmente é direto, mas as alterações secundárias podem causar alguma dificuldade. Essas alterações incluem ulceração, fibrose e hemorragia.
História natural e previsão de risco dos adenomas
O risco geral de um adenoma convencional progredir para câncer colorretal (CaCR) é estimado em cerca de 5% com um tempo de atraso superior a 10 anos. No entanto, pacientes com adenomas convencionais com pelo menos 25% de componente viloso e/ou displasia de alto grau e/ou tamanho >10 mm (chamados de "adenomas avançados") apresentam risco aumentado de desenvolver câncer colorretal. Adenomas com padrão de crescimento lateral (LST) também apresentam maior risco de desenvolver câncer. Por outro lado, um pequeno adenoma tubular tem um risco insignificante de progressão para CaCR e pequenos adenomas raramente contêm adenocarcinoma invasivo.
Tratamento dos adenomas
O tratamento padrão dos adenomas convencionais é a ressecção, que é realizada endoscopicamente na maioria dos casos (veja https://www.drderival.com/colonoscopia-no-tratamento-das-doencas-colorretais.html#Tratamento“). O acompanhamento após a ressecção depende da natureza e do número de adenomas ressecados (veja em https://www.drderival.com/colonoscopia-na-prevencao-do-cancer-colorretal.html#rastreamento-com-a-colonoscopia-em-quem-ja-teve-polipo-intestino“). As diretrizes nacionais variam, mas, em geral, pacientes com menos de 3 adenomas sem características avançadas (<25% componente viloso, displasia de alto grau, tamanho <10mm) devem fazer uma endoscopia de acompanhamento entre 5-10 anos. Pacientes com 3 ou mais adenomas ou com adenoma avançado devem ser submetidos a vigilância endoscópica de acompanhamento em um intervalo mais curto, geralmente 2-3 anos ou menos.
Aproximadamente 66% de todos os pólipos intestinais neoplásicos são adenomas. Cerca de 35% dos intestinos com um adenoma conterão pelo menos um outro adenoma sincrônico.
O aumento da idade é um fator de risco para o desenvolvimento de adenomas intestinais e está associado ao desenvolvimento de displasia de alto grau dentro de um adenoma, independentemente do tamanho e da histologia. A prevalência de adenomas é de aproximadamente 25 a 30% aos 50 anos e de até 50% aos 70 anos.
A maioria dos adenomas são assintomáticos e detectados por exames de triagem de câncer de intestino. As taxas de crescimento de pólipos adenomatosos são variáveis e não seguem uma tendência linear consistente, mas a maioria dos pequenos pólipos exibe crescimento mínimo (média de 0,5 mm/ano). Apenas uma pequena minoria de adenomas progride para câncer (cerca de 5%) ao longo de 7 a 10 anos. O risco de progressão é maior para adenomas avançados (adenoma com displasia de alto grau, >10 mm de tamanho ou um componente viloso).
Aproximadamente 5 a 7% dos pacientes com adenomas têm displasia de alto grau, e 3 a 5% têm carcinoma invasivo no momento do diagnóstico. A proporção de adenomas que mostram características histológicas avançadas aumenta com o tamanho do pólipo de aproximadamente 1 a 2% em adenomas pequenos (<5 mm) para 7 a 12% para adenomas de tamanho médio (5 a 10 mm) e 20 a 30% para adenomas grandes (>1 cm).
O risco de alguém com adenoma de intestino desenvolver um novo adenoma ou mesmo um câncer de intestino varia de acordo com a histologia (biópsia), número e tamanho do adenoma removido (adenoma ou câncer de intestino metacrônico é aquele diagnosticado seis meses após a remoção de um adenoma ou câncer).
São fatores de risco para o desenvolvimento de um novo pólipo ou câncer de intestino:
- Adenoma viloso, com displasia de alto grau e câncer “in situ”.
- Presença de 3 ou mais adenomas de qualquer tamanho. O risco é tanto maior quanto maior o número de adenomas encontrados.
- Presença de adenoma ≥ 10 mm. Em comparação com pacientes com adenomas <5 mm, aqueles com adenomas de base de 10 a 19 mm e ≥ 20 mm têm um risco significativamente maior de câncer no futuro (8, 16 e 19%, respectivamente).
Adenomas de baixo risco. Vigilância pela colonoscopia.
Adenomas de baixo risco: um a dois adenomas tubulares <10 mm detectados na primeira colonoscopia de vigilância.
- A primeira colonoscopia de vigilância deve ser realizada em 3 anos para os pacientes de risco intermediário e em 5 anos para os pacientes de risco médio para o câncer de intestino.
- Se nenhum adenoma for encontrado na primeira colonoscopia de vigilância, a próxima colonoscopia de vigilância deve ser realizada em 3 anos para pacientes com história familiar de adenoma avançado ou câncer de intestino e em 5 anos para os pacientes de risco médio para o câncer de intestino.
- Se um ou dois pequenos adenomas <10 mm forem detectados em qualquer colonoscopia de vigilância, a colonoscopia de vigilância subsequente deve ser realizadas no mesmo intervalo da primeira, ou seja, a cada 3 anos para os pacientes de risco intermediário e a cada 5 anos para os pacientes de risco médio para o câncer de intestino.
- Se um adenoma avançado ou 3 ou mais adenomas forem detectados em qualquer colonoscopia de vigilância, a colonoscopia subsequente será no intervalo de tempo descrito no tópico do adenoma avançado.
Adenomas de alto risco. Vigilância pela colonoscopia.
Adenoma de alto risco: 3-10 adenomas de qualquer tamanho e adenoma avançado: adenoma tubular ≥ 10 mm; adenoma viloso e displasia de alto grau de qualquer tamanho.
- A primeira colonoscopia de vigilância nas pessoas com adenoma de alto risco deve ser em 2-3 anos.
- Se a primeira colonoscopia de vigilância for normal (sem adenoma, pólipo serrilhado, pólipo hiperplásico ≥10 mm ou câncer) ou for encontrado 1-2 adenomas < 10 mm, a próxima colonoscopia de vigilância deve ser realizada em 3-5 anos.
- Se um novo adenoma de alto risco for encontrado todas as colonoscopias subsequentes devem ser realizadas entre 2-3 anos poque esta pessoa permanece como alto risco por toda a vida.
- Para adenomas ≥20 mm que foram ressecados em fragmentos, a próxima colonoscopia deve ser realizada em seis meses.
- Pacientes com mais de 10 adenomas devem ser avaliados para a síndrome de câncer colorretal hereditário e realizar colonoscopia de vigilância em 2 anos ou menos (veja as indicações para avaliação genética).
As recomendações assumem que a colonoscopia de base foi completa e adequada e que todos os pólipos visíveis foram completamente removidos.
Indicações para avaliação genética para o câncer de intestino hereditário
Aproximadamente 20 por cento dos pacientes com câncer de intestino têm histórico familiar de câncer de intestino em pelo menos um parente de primeiro grau. A síndrome de Lynch é a síndrome hereditária mais comum ao câncer de intestino e é responsável por aproximadamente 3% dos casos recém-diagnosticados de câncer de intestino e 2-3% do cânceres de endométrio. A síndrome de Lynch é a causa de aproximadamente 8 por cento dos casos de câncer de intestino diagnosticados antes dos 50 anos.
Uma síndrome hereditária de predisposição ao câncer de intestino deve ser considerada em pacientes que se apresentam com idade precoce no diagnóstico do adenoma avançado ou câncer, ou com números ou histologias incomuns de câncer ou condições pré-malignas.
A MSI está presente em 96% dos cânceres de intestino associado ao HNPCC (síndrome de Lynch). As diretrizes Bethesda forma revisadas para testar cânceres de intestino para instabilidade de microssatélites (MSI), portanto os cânceres de inrtestino devem ser testados para MSI nas seguintes situações:
- Câncer colorretal diagnosticado em paciente com menos de 50 anos de idade.
- Presença de tumores colorretais sincrônicos, metacrônicos ou outros associados ao HNPCC *, independentemente da idade.
- Câncer colorretal com histologia semelhante a MSI-H ¶ Δ diagnosticado em paciente com menos de 60 anos de idade ◊.
- Câncer colorretal diagnosticado em paciente com um ou mais parentes de primeiro grau com tumor relacionado ao HNPCC, sendo um dos cânceres diagnosticado com menos de 50 anos.
- Câncer colorretal diagnosticado em paciente com dois ou mais parentes de primeiro ou segundo grau com tumores relacionados ao HNPCC, independentemente da idade.
* Tumores relacionados ao HNPCC incluem tumores colorretais, endometriais, gástricos, ovarianos, pâncreas, ureter e pelve renal, trato biliar e cérebro (geralmente glioblastoma como visto na síndrome de Turcot), adenomas de glândulas sebáceas e ceratocantomas e carcinoma do intestino delgado.
¶ MSI-H em tumores refere-se a alterações em dois ou mais dos cinco painéis de marcadores microssatélites recomendados pelo National Cancer Institute.
Δ Presença de linfócitos infiltrantes do tumor. Reação linfocítica semelhante a Crohn, diferenciação mucinosa/em anel de sinete ou padrão de crescimento medular.
Quando disponível, a pesquisa da instabilidade de microssatélites (MSI) em adenomas avançados (adenomas >10 mm e/ou com um componente viloso e/ou displasia de alto grau) deve ser realizada com os mesmos critérios descritos na diretriz de Bethesda para o câncer de intestino.
A MSI é um achado raro em adenomas convencionais de pacientes não selecionados (2,8%), mas pode ser identificado na maioria dos adenomas de pacientes com síndrome de Lynch (69,5%). Os adenomas com MSI são altamente indicativos de síndrome de Lynch com uma especificidade de 97,2%. Em outras palavras, o teste MSI em adenomas é menos sensível, mas uma vez que a MSI é detectada, a chance de que este caso seja um paciente de síndrome de Lynch será maior.
As características de adenomas avançados aumentam significativamente a prevalência de MSI em pacientes com síndrome de Lynch para 81–88%. Esses resultados reforçam ainda mais a hipótese de que a MSI é frequentemente um evento tardio na carcinogênese da síndrome de Lynch e sugere que relativamente mais pacientes com síndrome de Lynch serão detectados por meio do foco na triagem de adenomas avançados.
Portanto, reforçam ainda mais a hipótese de que a MSI é frequentemente um evento tardio na carcinogênese da síndrome de Lynch e sugere que mais pacientes com síndrome de Lynch serão detectados por meio do foco na triagem de adenomas avançados.
Além disso, a inclusão de adenomas avançados na triagem presumivelmente terá um grande efeito nos custos, dado o fato de que identificaremos os pacientes índice antes que eles desenvolvam câncer.
Pacientes com 10 ou mais adenomas colorretais cumulativos ou qualquer número de adenomas em combinação com adenomas duodenais ou ampulares, tumores desmóides, câncer de tireoide papilar, cistos epidérmicos e osteomas, deve levantar a possibilidade de polipose adenomatosa familiar (PAF).
Geralmente o pólipo maligno é retirado pela colonoscopia e o exame histológico (anatomopatológico) evidencia o foco de câncer e define os riscos na qual a conduta médica é determinada. A retirada endoscópica pode ser curativa e depende da análise de cada caso. O receio se deve ao risco da metástase quando a lesão atinge a submucosa.
As taxas de incidência relatadas de pólipos malignos variam amplamente. No entanto, uma vez que 85% a 95% dos cânceres colorretais surgem de pólipos adenomatosos ou serrilhados, é provável que a incidência de pólipos malignos reflita a do câncer colorretal de forma mais geral. Recentemente, há aumentos preocupantes na incidência do câncer colorretal, especialmente em jovens, embora faltem dados em nível populacional, pode-se esperar que a incidência de pólipos malignos nessa população de pacientes continue a aumentar também.
Fatores de risco para os pólipos colorretais malignos
Os fatores de risco relacionados ao paciente para o desenvolvimento de pólipos malignos são os mesmos para o desenvolvimento do adenoma avançado e câncer colorretal. (Veja em “https://www.drderival.com/fatores-de-risco-para-polipo-e-cancer-colorretal.html”)
Características histopatológicas dos pólipos colorretais malignos
Os pólipos malignos são definidos como aqueles pólipos que abrigam adenocarcinoma que invade através da mucosa muscular e na submucosa. Essas lesões são categorizadas como lesões T1 no sistema de estadiamento TNM. O manejo subsequente do pólipo maligno depende fortemente de algumas características histopatológicas. Essas características incluem tamanho, morfologia macroscópica, profundidade de invasão, margem de polipectomia, arquitetura, invasão linfovascular e diferenciação.
Outras entidades patológicas, como carcinoma in situ, displasia de alto grau e pseudo-invasão, são distintas do pólipo maligno.
Teoriza-se que a formação de pólipos malignos ocorra em 2 fases separadas: início do tumor e progressão do tumor. A iniciação do tumor é o momento em que o adenoma se forma pela primeira vez no lúmen do cólon ou reto. A progressão do tumor abrange a cascata de mutações genéticas que se seguem.
Tamanho e morfologia dos pólipos colorretais malignos
No momento da endoscopia, os pólipos são classificados macroscopicamente como pediculados ou sésseis. Os pólipos pedunculados estão ligados ao epitélio colônico circundante por meio de um pedículo. Os pólipos sésseis possuem uma base ampla e plana ou elevada. Essa morfologia macroscópica tem implicações para a remoção.
Os pólipos sésseis não possuem o pedículo protetor dos pólipos pedunculados e são mais propensos a abrigar invasão linfática, bem como metástases linfonodais, no momento da identificação. Os pólipos sésseis podem ser mais tecnicamente exigentes para remover. Isso é especialmente verdadeiro para a polipectomia endoscópica com alça, que pode ser simples para um pólipo pediculado, mas desafiadora ou mesmo impossível para um pólipo séssil de tamanho semelhante.
O tamanho do pólipo e a probabilidade de abrigar malignidade estão intimamente ligados, com pequenos pólipos sendo muito menos propensos a conter câncer invasivo. À medida que o tamanho aumenta, também aumenta o risco de malignidade, sendo praticamente zero nos pólipos com menos de 5 mm, chegando a 42,7% para pólipos entre 2,6 cm e 3,5 cm e a 75,8% dos casos nos pólipos maiores que 3,5 cm. Portanto, tanto o tamanho quanto a morfologia devem ser considerados ao estimar o risco de malignidade subjacente em um pólipo.
Existem várias morfologias de pólipos distintas adicionais que são indicativas de potencial invasão submucosa. Lesões elevadas com centro deprimido, descritas como lesões do tipo IIa + IIc pela classificação de Paris, apresentam risco aumentado. Da mesma forma, contornos irregulares, um pedículo curto ou imóvel ou incapacidade de elevar um pólipo séssil são qualidades preocupantes para invasão.
Profundidade da invasão dos pólipos colorretais malignos
A disseminação radial do carcinoma do epitélio para as camadas mais profundas da parede intestinal é chamada de profundidade de invasão. A classificação de Haggitt tem sido usada para descrever o nível de invasão com mais detalhes para pólipos pedunculados e sésseis (Fig. 1).
- As lesões no nível 0 do sistema de Haggitt estão confinadas à mucosa e não penetram na muscular da mucosa.
- Os níveis 1-3 aplicam-se apenas a pólipos pediculados e referem-se à invasão submucosa na cabeça, colo (transição entre o epitélio adenomatoso e o epitélio normal) e pedículo do pólipo, respectivamente.
- O nível 4 é usado para descrever invasão na submucosa, no nível do epitélio circundante em pólipos sésseis e pediculados. Qualquer pólipo séssil com algum grau de invasão submucosa é, portanto, automaticamente considerado pelo menos nível 4 de Haggitt. O nível IV também é o único nível de Haggitt clinicamente relevante, pois relaciona a um risco aumentado de metástase linfonodal. Embora o risco de metástase linfonodal relacionada a uma lesão de nível 0-III de Haggitt seja inferior a 1%, o risco de metástase linfonodal em lesões de Haggitt 4 pode ser de até 25%.
Sm1 - Invasão no 1/3 superior da submucosa
Sm2 - Invasão nos 2/3 superiores da submucosa
Sm3 - Invasão no 1/3 inferior da submucosa
As lesões pediculadas, os níveis de invasão Haggitt 1, 2 e 3 correspondem a sm1 e o nível 4 se subdivide em sm1, sm2 ou sm3 conforme descrito acima.
A principal dificuldade dessa classificação é a significativa variabilidade intra e inter-observador associada à determinação do nível de invasão dentro de uma camada fina como a submucosa intestinal.
Uma grande desvantagem desse esquema de classificação é que ele exige que a amostra contenha uma porção da muscular própria ou que o patologista estime onde essa margem pode ter sido, o que também coloca o paciente em maior risco de perfuração.
Margem de ressecção dos pólipos colorretais malignos
As amostras de polipectomia devem ser removidas com margem suficiente para garantir a retirada adequada das células malignas. O tamanho da margem necessária é debatido, mas a maioria das evidências mostra uma margem ≥1 mm para amostras de polipectomia maligna. Em uma série de Butte e colegas, nenhum dos pacientes com margem de polipectomia ≥1 mm apresentou doença residual na amostra obtida durante a colectomia subsequente.
Arquitetura histológica dos pólipos colorretais malignos
Existem 3 variantes arquitetônicas principais de pólipos adenomatosos: tubulares, vilosos e túbulo-vilosos. O potencial maligno está correlacionado diretamente com o grau de histologia das vilosidades. Os pólipos vilosos têm a maior associação com malignidade subjacente (10% -18%), mais do que os pólipos túbulo-vilosos (6% -8%) e tubulares (2% -3%).
Invasão linfovascular dos pólipos colorretais malignos
A invasão do pólipo maligno na submucosa abre a possibilidade de metástase para os sistemas linfático ou vascular. A invasão linfovascular tem sido associada de forma consistente e independente ao risco de metástase linfonodal. Por esse motivo, a presença ou ausência de invasão linfovascular é uma característica patológica importante dos pólipos malignos e um fator importante na escolha de uma estratégia de tratamento.
Diferenciação histológica dos pólipos colorretais malignos
O grau histológico determina a agressividade do tumor e categoriza as neoplasias colorretais em:
- Grau 1 ou bem diferenciado, a arquitetura celular está parcialmente mantida, as células se dividem pouco e estão pouco diferentes;
- Grau 2 ou moderadamente diferenciado, as características são intermediárias entre o grau 1 e o grau 3 e
- Grau 3 ou pouco diferenciado, arquitetura celular está acentuadamente distorcida, as células se dividem muito e estão totalmente anormais (incapazes de desempenhar sua função habitual).
Patologia e manejo dos pólipos colorretais malignos
Em conjunto, as características histopatológicas do pólipo são primordiais na orientação do manejo.
A polipectomia pode ser um tratamento insuficiente quando um dos itens de alto risco está presente como:
- Quando o câncer está presente a 1 mm ou a menos de 1 mm da margem de ressecção do pólipo;
- Quando há câncer pouco diferenciado presente;
- Quando há evidência de invasão linfovascular; ou
- Quando há invasão da submucosa nível IV de Haggitt no pólipo pediculado ou Sm3 (terço distal no pólipo séssil) ou mais de 1 mm.
- Pólipo séssil no reto distal
- Invasão Sm1-2 ou Haggit 1-3;
- Bem diferenciado ou moderadamente diferenciado;
- Sem invasão linfovascular;
Diagnóstico dos pólipos malignos
O manejo de pólipos malignos começa com a detecção durante a colonoscopia. A colonoscopia completa é necessária para descartar lesões síncronas que alterariam o manejo, bem como para avaliar a ressecabilidade endoscópica da lesão. Uma preparação intestinal mecânica completa é essencial para um exame colonoscópico preciso, bem como para o tratamento endoscópico subsequente.
Apesar das melhorias nas técnicas de colonoscopia de triagem, equipamentos e conhecimento do usuário, ainda há uma taxa significativa de erros para pólipos e câncer relatados na literatura. Uma revisão sistemática publicada em 2006 relatou uma taxa de erro de 13% para pólipos de 5 a 10 mm e 2,1% para pólipos de 10 mm ou maiores com o uso de colonoscopia de triagem.
Tatuagem do local da ressecção de pólipos suspeitos
É essencial localizar pequenas lesões antes da cirurgia, pois pode ser difícil identificá-las no intraoperatório. Isso é particularmente verdadeiro para lesões que foram parcialmente removidas no momento do diagnóstico e podem ser difíceis de identificar novamente por via endoscópica. A tatuagem endoscópica é o principal meio pelo qual a reidentificação é alcançada.
Os estudos mais recentes recomendam a tatuagem de quaisquer lesões suspeitas na colonoscopia sem qualquer referência ao tamanho. O endoscopista, portanto, deve fazer uma avaliação subjetiva da necessidade de localização futura com base na aparência da lesão. Teoricamente, a injeção direta do corante perto ou através de lesões neoplásicas pode levar à disseminação do tumor. A tatuagem deve, portanto, ser realizada na submucosa na parede do cólon, longe da lesão, para evitar esse risco.
A tatuagem é realizada em 2 etapas. Primeiro, uma bolha é criada pela injeção submucosa de 1 ml de solução salina estéril, seguida pela injeção do agente corante. Realizar a injeção de solução salina primeiro leva a uma visualização precisa de 98% em comparação com 80% com uma injeção de etapa única. Deve-se tomar cuidado para evitar a injeção acidental de corante transmural, que pode obscurecer a localização da lesão nas alças intestinais próximas. A tinta nanquim é preferida, pois não tem difusão através do mesentério e pode persistir por anos.
Manejo e gestão dos pólipos malignos
Não existe uma abordagem de tratamento única que possa ser aplicada universalmente para pacientes com pólipo maligno. Em vez disso, essas decisões de gerenciamento devem ser guiadas por alguns princípios fundamentais. O cuidado deve otimizar a segurança oncológica, mantendo a sensibilidade aos fatores de risco específicos do paciente e as preferências informadas do paciente. Existem 2 postos-chaves na decisão sobre o tratamento dos pólipos malignos:
- O primeiro ponto de decisão é no momento da colonoscopia, quando o endoscopista deve decidir se um pólipo suspeito pode ser ressecado endoscopicamente com segurança.
- O segundo ponto de decisão é após o exame patológico de uma amostra de polipectomia, quando uma decisão deve ser tomada sobre a tentativa de re-excisão endoscópica, ressecção cirúrgica ou somente vigilância.
A segurança oncológica refere-se à probabilidade de que um determinado tratamento resulte em cura. Procedimentos com menos segurança oncológica têm maior probabilidade de resultar em doença residual. Isso se manifesta como margens positivas,
recorrência local e metástases linfonodais ou à distância. Ao tratar pólipos malignos ou difíceis, uma variedade de opções está disponível, e cada uma está associada a um perfil distinto de segurança oncológica. A segurança oncológica deve ser equilibrada com outras considerações, como o risco de recorrência, a seleção do paciente e as preferências do paciente.
O sucesso de um determinado tratamento depende, em parte, da seleção apropriada do paciente. A capacidade de tolerar anestesia geral, idade e grau de comorbidade devem ser considerados. Para pacientes extremamente enfermos, a morbidade imediata reduzida da ressecção endoscópica ou minimamente invasiva deve ser equilibrada com a probabilidade de sucesso técnico, bem como as consequências potenciais de recorrência posterior.
A preferência do paciente desempenha um papel importante na orientação da seleção de uma abordagem de tratamento. Por exemplo, alguns pacientes podem não estar dispostos a tolerar a necessidade da colonoscopia de vigilância após a polipectomia. Outros podem desejar fortemente uma abordagem endoscópica minimamente invasiva, mesmo que isso tenha um custo de segurança oncológica reduzida.
Polipectomia simples para o pólipo maligno
A polipectomia endoscópica isolada pode ser um primeiro passo apropriado para pólipos sem características de alto risco. É fundamental que o endoscopista realize uma ressecção completa sem tumor residual, bem como indique a localização do pólipo no cólon com um marcador permanente, como tinta nanquim, no pólipo de alto risco.
- A maioria dos pólipos pediculados malignos é considerada de baixo risco e pode ser tratada apenas com polipectomia por meio da alça com cautério. A ressecção cirúrgica subsequente é necessária quando a lesão apresenta baixa diferenciação histológica, envolvimento vascular ou linfático ou margens positivas na patologia. Pacientes sem esses fatores de risco têm sido tradicionalmente considerados de baixo risco para tumor residual pós-polipectomia ou metástases linfonodais. A polipectomia sozinha é uma opção terapêutica segura e eficaz para pólipos pT1 de baixo risco.
- Os pólipos sésseis, devido à sua morfologia, continuam sendo um desafio para ressecar devido às dificuldades técnicas e ao alto índice de complicações. A abordagem dos pólipos sésseis permanece controversa. A ressecção endoscópica de pólipos sésseis é possível, mas deve ser realizada por um endoscopista adequadamente qualificado. Pólipos sésseis ≤3 cm são removidos com pinça de biópsia a frio, uma vez que o risco de portar malignidade e praticamente zero. Pólipos entre 3 e 10 mm são removidos com alça de polipectomia a frio com risco zero de perfuração e quase zero de sangramento. Pólipos sésseis >10 mm ou pólipo ≤10 mm com aparência de alto risco deve ser removidos pela resseção endoscópica da mucosa após injeção de solução salina na submucosa (mucosectomia).
- Lesões que têm uma aparência endoscópica de penetração além da submucosa não são passíveis de polipectomia. Isso é ainda sugerido por lesões que não se elevam com a injeção submucosa, têm umbilicação central ou ulceração. Lesões especialmente grandes podem não ser passíveis de polipectomia, e uma técnica mais avançada é preferida nesses casos.
Polipectomia em fragmentos para o pólipo maligno
Para os pólipos sésseis >20 mm a mucosectomia em único bloco pode ser difícil e aumenta o risco de complicações, principalmente a perfuração. Para essas lesões >20 mm, recomenda-se a retirada em fragmentos (mucosectomia a piecemeal). Independentemente da abordagem, deve-se tomar cuidado para remover todo o tecido adenomatoso.
A polipectomia em fragmentos apresenta desafios adicionais tanto para o endoscopista quanto para o patologista. A recorrência ou persistência de pólipos após a polipectomia em fragmentos é relativamente comum, ocorrendo em até 24% dos pacientes, embora a maioria dessas recorrências seja passível de terapia endoscópica adicional. A polipectomia incompleta também pode tornar as tentativas futuras de remoção endoscópica avançada mais desafiadoras tecnicamente.
A polipectomia em fragmentos, particularmente de pólipos malignos, pode representar um desafio formidável para o patologista e pode impedir uma avaliação precisa das margens e, portanto, exigir a ressecção cirúrgica.
As taxas de recorrência de pólipos malignos após ressecção endoscópica em fragmentos da mucosa (EPMR) na literatura são inconclusivas, com parâmetros variáveis para tamanho e duração do acompanhamento relatados. A literatura atual recomenda colonoscopia de acompanhamento em 3-6 meses, seguida de colonoscopia adicional 1 ano depois.
Ressecção endoscópica da mucosa para o pólipo maligno
A ressecção endoscópica da mucosa (EMR) é indicada para pólipos malignos confinados à submucosa superficial e aqueles não passíveis de polipectomia simples. A EMR é uma adaptação da polipectomia com alça para a remoção de pólipos maiores ou mais desafiadores. Uma solução é injetada primeiro na submucosa para elevar a lesão. A solução salina normal é barata e amplamente disponível, mas é rapidamente absorvida, exigindo injeções repetidas durante procedimentos mais longos. Soluções alternativas estão disponíveis e persistem por mais tempo no tecido como a dextrose, glicerol, ácido hialurônico ou várias outras preparações disponíveis comercialmente. Uma vez que a mucosa tenha sido levantada, uma alça é passada ao redor do pólipo para cortá-lo a frio ou com o cautério.
Dissecção endoscópica da submucosa para o pólipo maligno
A dissecção endoscópica da submucosa (ESD) é uma técnica endoscópica avançada para a remoção de pólipos grandes ou desafiadores. A ESD fornece um plano de dissecção submucoso mais profundo, permitindo a remoção em bloco de um pólipo grande ou maligno e subsequente exame histológico preciso. Essa técnica é particularmente útil para pólipos que não podem ser levantados durante a EMR, pólipos malignos intramucosos e aqueles com carcinoma confinado à submucosa superficial.
Como a EMR, a ESD começa com a elevação da lesão com uma solução tumescente de solução salina normal ou hialuronato de sódio. A margem de ressecção deve então ser marcada com eletrocautério. Um plano submucoso é então desenvolvido, elevando a lesão para cima. Facas de eletrocautério endoscópicas com ponta protegida são usadas para desenvolver esse plano e coagular pequenos vasos. Devido à dissecção mais extensa, a ESD tem taxas de perfuração mais altas (7,4% em 1 série) e tempos de procedimento mais longos, mas taxas de recorrência mais baixas com menos tumor residual em comparação com a polipectomia isolada. Tanto o sangramento quanto a perfuração durante a ESD geralmente são passíveis de tratamento com clipes endoscópicos após a conclusão da polipectomia. Devido ao aumento da profundidade da ressecção, a ESD na parede fina do ceco e do cólon direito deve ser realizada de forma seletiva e cautelosa. A ESD pode ser tecnicamente desafiadora, demorada e intensiva em recursos.
Pólipo maligno localizado no reto
As lesões retais merecem consideração especial. O tratamento do câncer retal é um processo multidisciplinar que requer decisões complexas sobre o fornecimento, o momento e a sequência da quimioterapia, radiação e cirurgia. No câncer retal localmente avançado, os resultados são otimizados quando a quimiorradiação é usada no cenário neoadjuvante em vez de adjuvante. Devido a essas considerações, uma avaliação completa do estadiamento deve ser realizada antes de intervir em um pólipo retal maligno suspeito. Ressonância nuclear magnética (RNM) com protocolo retal dedicado deve ser realizada para identificar quaisquer linfonodos locorregionais suspeitos.
Antes de prosseguir com a ressecção endoscópica, deve-se considerar também se o paciente estaria apto para uma abordagem de observação e espera. A remoção da lesão primária pode dificultar ou impossibilitar o acompanhamento posterior da resposta clínica de um paciente em tratamento neoadjuvante. Lesões sésseis do reto distal devem ser consideradas para ressecção cirúrgica com linfadenectomia ou excisão transanal de espessura total. Embora existam várias abordagens técnicas disponíveis para pólipos malignos retais, a seleção cuidadosa do paciente é fundamental.
Ressecção cirúrgica do cólon no tratamento do pólipo maligno
Lesão com alto risco de disseminação linfática deve ser submetida à ressecção cirúrgica. Essas características, que incluem invasão no terço profundo da submucosa, lesões sésseis do reto distal, lesões pouco diferenciadas ou com invasão linfovascular, estão resumidas no algoritmo acima.
A ressecção fragmentada é uma indicação relativa para ressecção cirúrgica, pois as margens normalmente não podem ser avaliadas com segurança. A margem adequada é debatida, mas deve ser de pelo menos 1 mm. Apesar da proliferação de novas técnicas endoscópicas, a ressecção cirúrgica continua sendo o padrão de tratamento sempre que a segurança oncológica de outras abordagens não pode ser garantida. Abordagens minimamente invasivas e vias de recuperação aprimoradas podem minimizar a morbidade e acelerar a recuperação, e devem ser utilizadas sempre que possível.
Vigilância após o tratamento do pólipo maligno
A colonoscopia de vigilância baseia-se no princípio de que os exames em intervalo definidos previnem e reduzem a morbidade e a mortalidade relacionadas ao câncer colorretal por meio de intervenção precoce.
Os pacientes com adenoma na colonoscopia inicial têm uma probabilidade de 30% a 50% de ter adenomas adicionais no momento da detecção e 30% de probabilidade de detecção na próxima colonoscopia de seguimento.
Após a remoção de um pólipo maligno, recomenda-se a vigilância de rotina para avaliar o local do cólon onde pólipo foi removido, bem como a recorrência local posterior. A colonoscopia é repetida precocemente em 3 a 6 meses, particularmente no caso de polipectomia em fragmentos. Se os achados forem negativos no acompanhamento inicial, a colonoscopia deve ser repetida em intervalos regulares com base na estratificação de risco basal, bem como na patologia e no número de pólipos anteriores.
Na polipectomia em fragmentos de um pólipo maligno a primeira colonoscopia de vigilância deve ser realizada em 2-3 meses e depois a cada 6 meses nos primeiros 2 anos, dependendo dos achados subsequentes.
Não há dados para apoiar ou refutar a vigilância pós-polipectomia com imagens transversais (TC ou RNM). Essas modalidades não são suficientemente sensíveis para identificar a recorrência luminal precoce, mas podem ser capazes de detectar linfadenopatia suspeita.
- A prevalência do câncer colorretal segue a distribuição geográfica dos pólipos, isto é, o seguimento do cólon onde o pólipo é mais frequentemente encontrado é o mesmo do câncer;
- A idade média de diagnóstico do câncer colorretal é cerca de 7-10 anos maior que a idade média de diagnóstico dos pólipos pré-cancerígenos;
- Cerca de um terço dos intestinos retirados com câncer colorretal contém um ou mais pólipos pré-cancerígenos, frequência seis vezes maior que a encontrada nos intestinos retirados por outras doenças;
- Quanto maior o pólipo neoplásico pré-cancerígeno maior a prevalência de displasia de alto grau e de câncer, portanto, o tamanho do pólipo é o principal fator de risco.
- Os pólipos pré-cancerígenos (adenoma e serrilhado) colorretais são encontrados em cerca de 25-30% das colonoscopias em pessoas entre 45-50 anos e em cerca de 50% aos 70 anos.
- Cerca de 30% dos adenomas vilosos possuem áreas de displasia de alto grau, o que explica o seu maior risco de evoluir para o câncer colorretal.
- O tempo médio de transformação para o câncer é de 7 anos para os adenomas com displasia de alto grau e de 11 anos para os adenomas de baixo grau.
- Os estudos que analisaram a morfologia dos adenomas encontraram diferenças importantes na prevalência da displasia de alto grau e do câncer colorretal. Encontrada em 75% dos adenomas deprimidos, em comparação com 14,3% e 8,3% dos adenomas planos e polipoides, respectivamente.
Ao contrário de outras vias, um CaCR de novo é um tumor derivado de células cancerosas sem progressão de alterações adenomatosas ou serrilhadas e sua verdadeira via permanece desconhecida. Um adenoma é uma lesão pré-cancerosa, enquanto um CaRC de novo é um tipo de CaCR inicial. O CaRC de novo parece ser responsável por 5% dos cânceres colorretais esporádicos.
Alguns CaCRs de novo podem ser derivados do adenoma plano, uma vez que adenomas planos podem apresentar displasia de alto grau, mesmo <10 mm e o componente adenomatoso pode desaparecer com o crescimento do tumor e pode parecer ser do tipo de novo.
Os CaCRs de novo estão localizados mais frequentemente no cólon proximal (85%), invadem mais profundamente a submucosa e têm permeação venosa mais frequente, mesmo os < 1 cm. Uma análise de ensaios clínicos recentes revelou o prognóstico ruim dos CaCRs proximais em comparação aos CaCRs distais. Isso pode sugerir a significância clínica dos CaCRs de novo. Não há dúvida de que as características clínico patológicas dos CaCRs de novo diferem daquelas dos CaCRs derivados do adenoma-serrilhado.
Com base na aparência endoscópica, os CaCRs pequenos do tipo 0-IIa+IIc (ligeiramente elevado + deprimido) e tipo 0-Is são os tipos mais comuns. Para CaCRs derivados do adenoma, o tipo Is + IIc (polipoide com depressão) é a apresentação mais comum. Outro achado significativo foram as alterações superficiais: descobrimos que a erosão e a mucosa avermelhada são características marcantes dos CaCRs de novo. No grupo CaCR adenoma, a erosão foi a mesma que a ulceração. Além disso, a mucosa avermelhada raramente é observada no grupo CaCR adenoma.
Os CaRCs de novo têm maior potencial metastático, e todos os indicadores patológicos indicam que o câncer de novo tem pior prognóstico. Devido à capacidade altamente invasiva e metastática do CaRC de novo, a ressecção endoscópica da mucosa ou a dissecção endoscópica da submucosa não podem ser realizadas sem observação exata quando encontramos pequenas lesões protuberantes ou deprimidas. A observação das lesões com endoscopia ampliada e cromoendoscopia é necessária para confirmar o diagnóstico. Se suspeitarmos que as lesões podem ser CaRCs de novo, é crucial avaliar a profundidade da invasão por endoscopia ampliada e cromoendoscopia, ou por imagem de tomografia computadorizada e US endoscópico quando necessário. Então, os regimes de tratamento devem ser escolhidos com cautela.
Os CaRCs de novo são caracterizados por rápido crescimento tumoral, invasão submucosa e metástase de linfonodos durante o estágio inicial e alto grau de malignidade, são conhecidos como carcinoma de novo.
Polipose Adenomatosa Familiar ou PAF
Síndrome de Lynch (HNPCC - câncer colorretal hereditário não polipose)
Síndrome de Peutz-Jeghers (SPJ)
Síndrome de polipose juvenil
Síndrome de Cronkite-Canadá
Hiperplasia nodular linfoide no íleo terminal
Síndrome de Cowden
Estas duas síndromes apresentam um padrão de herança autossômico dominante, o que significa que os indivíduos afetados são geneticamente heterozigotos e que os descendentes de um paciente afetado têm 50% de chance de ser também portador da mutação, assim como cada progenitor tem 50% de possibilidade de transmitir o alelo mutado. Apenas as crianças homozigotas recessivas (25%) não desenvolverão a doença e não poderão transmiti-la. Entretanto, aproximadamente um terço das pessoas afetadas não possui nenhum parente com a mesma desordem. Esses indivíduos têm uma nova mutação, podendo, obviamente transmiti-la para sua prole.
O diagnóstico clínico é baseado na confirmação histológica de pelo menos 100 adenomas. No entanto, com a prática generalizada de aconselhamento familiar e testes genéticos, esse número de adenomas não é mais aplicado de forma rígida. Na ausência de história familiar de FAP, o número 100 ou mais ainda é bom para considerar o diagnóstico. A característica importante da doença é o fato de que um ou mais desses pólipos acabarão se transformando em um adenocarcinoma invasivo, a menos que a proctocolectomia profilática seja realizada.
Manifestações Clínicas e Diagnóstico da Polipose Adenomatosa Familiar
Os sintomas geralmente não existem até que haja o desenvolvimento completo da polipose. Sangramento anal e diarreia são os sintomas mais comuns. As características clínicas das lesões malignas, por sua vez, são aquelas comuns a todas as neoplasias semelhantes adquiridas, tais como perda de peso, inanição, obstrução intestinal ou diarreia hemorrágica. O diagnóstico é feito pela colonoscopia ou retossigmoidoscopia que examina o reto e cólon. Deve ser confirmado por achados histológicos de pólipos adenomatosos. Apenas ocasionalmente os adenomas túbulo-vilosos são encontrados e os adenomas vilosos são raros.
O diagnóstico de polipose adenomatosa familiar (PAF) deve ser suspeitado em qualquer paciente com 10 ou mais adenomas colorretais cumulativos. Também deve ser suspeitado se um indivíduo tiver histórico de adenomas em combinação com características extracolônicas de PAF, como adenomas duodenais/ampulares, tumores desmoides, câncer papilar de tireoide, hamartomas do epitélio pigmentar da retina com PAF (RPEH-PAF), cistos epidérmicos ou osteomas, mesmo que o número absoluto de adenomas seja menor. A confirmação da mutação da linha germinativa no gene APC estabelece um diagnóstico de PAF.
A idade média em que a doença é diagnosticada é de 36 anos. Os adenomas realmente aparecem muito mais cedo, como é visto em comparação com a idade do diagnóstico em membros da família chamados para exame, quando a idade média é de 24 anos. Quase dois em cada três pacientes (65%) com sintomas já têm carcinoma. A idade média do carcinoma colorretal nesses pacientes é de 39 anos, em comparação com 65 anos na população normal.
Um exame colônico completo tornou-se importante desde que a preservação retal foi relatada, mesmo quando o adenocarcinoma está presente no cólon proximal. Embora o reto esteja quase invariavelmente envolvido com pólipos, o número de pólipos em cada segmento do cólon e do reto varia de pessoa para pessoa. Em geral, o cólon esquerdo tem uma densidade maior de pólipos do que o cólon direito. Em qualquer paciente, os pólipos variam em tamanho, desde nódulos mucosos pouco visíveis1 ou 2 mm de diâmetro, até 1 cm ou mais. A maioria dos pacientes com PAF tem milhares de pólipos, frequentemente até 5.000.
Aconselhamento genético da Polipose Adenomatosa Familiar
O aconselhamento genético deve ser oferecido antes do teste genético. Uma revisão meticulosa do histórico médico pessoal e familiar, incluindo a verificação da histologia adenomatosa, é fundamental.
A polipose adenomatosa familiar (PAF) e suas variantes são causadas por mutaçõees no gene supressor de tumor, APC, localizado no cromossomo 5q21-q22. A PAF segue um padrão autossômico dominante de herança com penetrância quase completa da polipose colônica, mas penetrância variável das manifestações extracolônicas da doença. Até 25 por cento dos casos de PAF são devidos a mutações APC novas. Esses pacientes não têm histórico familiar de PAF, mas correm o risco de transmitir a mutação para os descendentes.
O teste de genética molecular APC detecta até 95% das mutações causadoras da doença e está indicado no diagnóstico precoce nos membros ≥11 anos das famílias de alto risco e indivíduos com menos de 100 pólipos adenomatosos com diagnóstico duvidoso de PAF.
Os indivíduos que não possuírem a mutação não mais precisarão participar do intensivo programa de rastreamento, enquanto os portadores de mutação devem seguir com o rastreamento e serem indicados para a cirurgia profilática.
Se uma mutação APC for identificada, testes genéticos específicos para mutação devem ser oferecidos a parentes em risco do caso índice. Isso inclui todos os parentes de primeiro grau do caso índice e parentes de primeiro grau daqueles posteriormente encontrados com uma mutação APC. Além disso, parentes de segundo grau podem receber avaliação genética e testes quando um membro da família recusa o teste genético ou morre. A idade razoável para iniciar a avaliação genética para mutação APC em menores é de 10 a 12 anos, antes do início da colonoscopia de triagem. Testes mais precoces podem ser considerados em famílias de pacientes com tumores de início precoce, incluindo hepatoblastoma infantil.
Risco para os membros da família de um portador da Polipose Adenomatosa Familiar
Pais de um portador da PAF - Aproximadamente 75 a 80% dos indivíduos com PAF têm um dos pais afetado. Portanto, sempre é apropriado avaliar os pais com teste molecular do gene APC. Aproximadamente 20 a 25% de indivíduos com PAF têm o gene alterado como resultado de uma mutação genética nova.
Irmãos de um portador da PAF - O risco para os irmãos depende da condição genética dos pais. Se um dos pais é afetado, o risco é de 50%. Se nenhum dos pais de um indivíduo com PAF tem a doença, os irmãos de um indivíduo com PAF não estão em risco.
Descendentes de um portador da PAF - Todos os filhos de um indivíduo com FAP têm uma chance de 50% de herdar e apresentar a mutação.
Polipose Adenomatosa Familiar Atenuada
A PAF atenuada (PAFA) é uma variante da PAF na qual a maioria dos pacientes apresenta entre 10 e 100 adenomas, localizados principalmente proximais à flexura esplênica e muitas vezes morfologicamente planos. A incidência é desconhecida, mas acredita-se que seja tão rara quanto a clássica.
Adenomas e câncer na PAFA são diagnosticados em uma idade mais tardia do que na PAF clássica (idades médias de 44 e 58 anos, respectivamente) e são caracterizados por uma distribuição mais proximal no cólon. Assim, o diagnóstico de pólipos e carcinomas na PAFA é geralmente 10 a 15 anos mais tardio do que na PAF clássica. Pacientes com PAFA apresentam risco aumentado de desenvolver câncer colorretal, mas não igual a PAF clássica, assim, as indicações para colectomia profilática diferem.
As manifestações extracolônicas na PAFA são semelhantes à PAF. Para indivíduos assintomáticos em risco por ter parentes conhecidos de FAP ou PAFA, o teste genético deve ser idealmente realizado entre as idades de 10 e 15 anos para determinar a presença ou ausência de uma mutação APC.
Pólipos e câncer no trato gastrintestinal alto podem também ser vistos em pessoas com FAP atenuada e, embora as manifestações extra-intestinais possam estar presentes, tumores desmoides e lesões por HCEPR (hipertrofia congênita do epitélio pigmentar da retina) são raros.
A colonoscopia e endoscopia digestiva alta com duodenoscopia devem ser realizadas no momento do teste genético ou aos 15 anos de idade. Como os pólipos ocorrem mais tarde em indivíduos com PAFA do que na PAF clássica, uma segunda colonoscopia aos 20 anos deve ser considerada para detectar pólipos de aparecimento tardio. Se ambos os exames forem negativos, nenhuma vigilância adicional é necessária, e o paciente pode ser submetido a rastreamento futuro de carcinoma colorretal como um indivíduo de risco médio.
Em pacientes com poucos adenomas, a polipectomia colonoscópica é suficiente para limpar os segmentos intestinais afetados. Quando múltiplos pólipos estão agrupados em um único segmento do cólon, especialmente o ceco, a ressecção cirúrgica pode ser a opção mais segura. Quando a ressecção é necessária, uma colectomia abdominal total pode ser realizada com uma ileorretoanastomose, uma vez que o retal geralmente não está envolvido nesses pacientes, mas o segmento retal precisa de vigilância contínua porque essa mucosa ainda está em risco. A colectomia abdominal total com leorretoanastomose também pode ser necessária em pacientes que são difíceis de examinar completamente por colonoscopia e, portanto, incapazes de se submeter a vigilância adequada.
Manifestações Extracolônicas da Polipose Adenomatosa Familiar
A doença afeta todo o corpo, mas os fatores que contribuem para as manifestações extracolônicas não estão resolvidos. Pólipos ocorrem no trato gastrointestinal alto em 30 a 100 por cento dos pacientes com PAF.
● Síndrome de Gardner – Síndrome de Gardner era um termo usado originalmente para descrever famílias com polipose colônica e manifestações extracolônicas. Essas manifestações extracolônicas incluem tumores desmoides, cistos sebáceos ou epidermoides, lipomas, osteomas (especialmente da mandíbula), fibromas, dentes supranumerários, pólipos gástricos da glândula fúndica, angiofibromas nasofaríngeos juvenis e hamartomas do epitélio pigmentar da retina com FAP ([RPEH-FAP], formalmente descrito como hipertrofia congênita do epitélio pigmentar da retina [CHRPE]). Como a síndrome de Gardner também é causada por uma mutação APC subjacente, e a maioria dos indivíduos com FAP invariavelmente exibe algumas características extracolônicas, a distinção entre FAP e síndrome de Gardner é semântica, e os termos são essencialmente intercambiáveis.
● Síndrome de Turcot – Síndrome de Turcot, também conhecida como síndrome de tumor cerebral-polipose, é um termo histórico que originalmente descreveu a associação de câncer de cólon familiar com tumores cerebrais (principalmente meduloblastomas e gliomas). Esses termos também foram aplicados a pacientes com síndrome de Lynch que desenvolvem tumores cerebrais (astrocitoma ou glioblastoma), apesar da clara diferença na genética subjacente.
● Pólipos de glândulas fúndicas são encontrados na maioria dos pacientes com PAF. São pólipos pequenos (<1 cm), sésseis, localizados no fundo ou corpo do estômago, e alguns pacientes podem ter centenas dessas lesões. Displasia de baixo grau ocorre em quase metade dos pólipos de glândulas fúndicas, embora raramente evoluam para câncer.
● Adenomas gástricos são muito menos comuns do que pólipos de glândulas fúndicas em pacientes com PAF; eles são tipicamente isolados, localizados no antro e estão associados a um risco relativamente baixo, mas definitivo, de progressão para câncer.
● Adenomas duodenais ocorrem em 34 a 90 por cento dos pacientes com PAF, e há uma predileção pelas regiões ampular e periampular. O risco vitalício de câncer duodenal é de 3,1 a 5 por cento, constituindo a segunda causa mais comum de morte em pacientes com PAF. Adenomas podem ocorrer raramente na vesícula biliar, ducto biliar e intestino delgado, particularmente no íleo distal.
● Tumores desmoides são tumores mesenquimais que ocorrem em 10 a 15 por cento dos pacientes com PAF. Embora esses tumores sejam de crescimento lento e não metastatizem, eles podem, no entanto, causar morbidade e mortalidade significativas. Os desmoides são mais comumente localizados no abdômen e, embora alguns possam se resolver espontaneamente ou permanecer estáveis, aproximadamente 10 por cento dos casos terão um curso rapidamente progressivo, comprimindo e envolvendo estruturas adjacentes. Isso pode resultar em dor, obstrução intestinal, obstrução ureteral e comprometimento vascular.
● Até metade dos pacientes com PAF apresentam nódulos benignos da tireoide. A prevalência de câncer de tireoide em pacientes com PAF é de 2,6 por cento, com uma proporção de mulheres para homens de 19:1. A idade média do diagnóstico de câncer de tireoide é de 31 anos. O câncer de tireoide na PAF é tipicamente o subtipo papilar e pode ser multifocal.
● Os hepatoblastomas são tumores embrionários diagnosticados em uma idade média de 6 a 36 meses e ocorrem em 1,6 por cento dos pacientes com PAF. Ao contrário dos tumores desmoides e da tireoide, o hepatoblastoma tem predileção masculina.
● Aproximadamente 1 a 2 por cento dos pacientes com PAF desenvolvem tumores cerebrais. Estes incluem meduloblastoma (80 por cento dos casos), ependimomas e astrocitoma de alto grau, e esta combinação tem sido historicamente designada síndrome de Turcot (ver discussão acima).
● Cistos sebáceos ou epidermoides, lipomas, osteomas, fibromas, anormalidades dentárias (por exemplo, dentes impactados, anquilose dentária, hipodontia ou dentes supranumerários), angiofibromas nasofaríngeos juvenis e adenomas adrenais também foram associados à PAF.
Tratamento da Polipose Adenomatosa Familiar
A triagem para tumores associados à polipose adenomatosa familiar (PAF) deve ser realizada em indivíduos com teste genético positivo. A triagem para cânceres associados à PAF também deve ser realizada em indivíduos em risco de PAF que não foram submetidos à avaliação genética ou têm resultados de testes genéticos indeterminados. A triagem para câncer colorretal e outros cânceres associados à PAF nesses pacientes deve ser individualizada com base em seu histórico pessoal e familiar de adenomas e câncer.
Indivíduos em risco de FAP incluem:
●Parentes de primeiro grau de pessoas com PAF.
●Indivíduos com >10 adenomas colorretais cumulativos ou adenomas colorretais em combinação com características extracolônicas associadas à PAF (por exemplo, adenomas duodenais/ampulares, tumores desmoides, câncer papilar de tireoide, hamartomas do epitélio pigmentar da retina associados à FAP (RPEH-FAP), cistos epidérmicos ou osteomas).
Triagem e vigilância do câncer colorretal na polipose adenomatosa familiar (PAF)
● Em indivíduos com risco de FAP clássico, começamos a triagem de CaRC por volta dos 10 a 15 anos de idade com colonoscopia. O número, tamanho e distribuição dos pólipos devem ser observados durante a colonoscopia para definir a extensão da polipose e o plano para colectomia. Vários pólipos também devem ser amostrados para confirmar a histologia. Os pacientes devem continuar a passar por vigilância anual de CaRC com colonoscopia enquanto aguardam a colectomia definitiva.
O rastreio anual deve ser continuado ao longo da vida em portadores da variante patogénica do APC mesmo na ausência de adenomas colorretais. Se os parentes em risco não conseguirem descartar a PAF, seja porque o indivíduo afetado não concluiu o teste ou porque nenhuma variante patogénica foi identificada, então devem começar o rastreio anual de colonoscopia aos 10 a 15 anos. Se não forem encontrados pólipos aos 15 anos, então o intervalo pode ser prolongado para dois anos.
● Em contraste com a PAF clássica, a PAF atenuada (PAFA) se apresenta em uma idade mais avançada e com lesões mais proximais. A colonoscopia deve ser realizada a cada um ou dois anos em indivíduos de risco, começando no final da adolescência. Pacientes com pólipos colorretais devem ser submetidos à ressecção endoscópica de todos os pólipos detectáveis quando possível, seguidos por colonoscopia anual para vigilância. Pacientes com adenomas muito numerosos para serem eliminados endoscopicamente, ou nos quais a vigilância endoscópica não é tecnicamente viável, devem ser submetidos à colectomia.
Colectomia na polipose adenomatosa familiar (PAF)
A colectomia é recomendada para pacientes com PAF clássica, pois o risco de desenvolver CaRC é considerado de 100 por cento e, dado o alto número de pólipos, o controle endoscópico não é viável. Em pacientes com PAFA nos quais o controle endoscópico é viável, a vigilância pode evitar ou atrasar a necessidade de colectomia.
As indicações para uma colectomia não profilática em pacientes com PAF incluem:
- Câncer colorretal documentado ou suspeito;
- Sintomas graves relacionados à neoplasia colônica (por exemplo, sangramento gastrointestinal);
- Adenomas com displasia de alto grau ou adenomas múltiplos maiores que 6 mm;
- Aumentos acentuados no número de pólipos em exames consecutivos;
- Incapacidade de examinar adequadamente o cólon devido a múltiplos pólipos diminutos.
Extensão da ressecção do cólon - As opções cirúrgicas para pacientes com PAF incluem proctocolectomia total com ileostomia terminal, proctocolectomia total com anastomose anal da bolsa ileal (IPAA) ou colectomia total com anastomose ileorretal (IRA). Ao escolher a extensão da ressecção do cólon, o efeito preventivo é ponderado em relação ao impacto na qualidade de vida pós-operatória e leva em consideração a idade do paciente e a quantidade de pólipos retais. Em geral, a operação preferida depende da gravidade e distribuição dos adenomas colorretais. Outros fatores importantes a serem considerados incluem o risco de tumores desmoides e a idade e comorbidades do paciente. A IPAA é uma cirurgia mais extensa em comparação com a IRA e está associada a um risco aumentado de sangramento e redução da fertilidade em mulheres. Pacientes com IRA que posteriormente desenvolvem polipose retal grave precisarão de uma proctectomia secundária.
- Em pacientes com <10 adenomas retais, sugerimos colectomia total com IRA, desde que os pólipos retais possam ser tratados endoscopicamente.
- Em pacientes com polipose profusa e >10 adenomas retais, sugerimos proctocolectomia com IPAA.
- Em pacientes com risco de desmoides, sugerimos proctocolectomia primária com IPAA, pois a conversão futura de IRA para IPAA pode ser difícil devido a tumores desmoides mesentéricos e encurtamento do mesentério.
Momento da colectomia - A presença de sintomas, o número e o tamanho dos adenomas e a presença de displasia de alto grau ou câncer influenciam o momento da colectomia.
A colectomia urgente (semieletiva) deve ser realizada em pacientes com:
- Câncer colorretal documentado ou suspeito
- Adenoma com displasia de alto grau
A colectomia precoce (próximo ao momento do diagnóstico) deve ser realizada em pacientes com:
- Sintomas (por exemplo, sangramento gastrointestinal)
- Vários pólipos de 6 a 10 mm que não podem ser removidos endoscopicamente
- Aumento acentuado do número de pólipos em exames consecutivos
A colectomia eletiva pode ser adiada para o final da adolescência ou início dos vinte anos em pacientes com PAF clássica que estão na segunda década de vida com apenas adenomas esparsos (<10) ou pequenos (<5 mm).
Vigilância após colectomia
A colectomia não elimina completamente o risco de câncer, pois os tumores podem surgir no reto se uma IRA foi realizada ou na zona de transição anal ou dentro da bolsa ileal em pessoas que tiveram uma IPAA. Portanto, a vigilância contínua é recomendada após a colectomia. A avaliação endoscópica do reto ou da bolsa ileal deve ser realizada a cada 6 a 12 meses (ou a cada ano para ileostomias terminais). Pacientes que foram submetidos à proctocolectomia total permanecem em risco de desenvolvimento de adenomas e adenocarcinoma na bolsa ileal.
Triagem e vigilância para tumores do sistema gastrointestinal alto
O rastreio do trato gastrointestinal (GI) alto é recomendado em pacientes com Polipose Adenomatosa Familiar (PAF) clássica e atenuada, dada a alta prevalência de pólipos gástricos e duodenais e o risco de câncer; no entanto, o rastreio do trato gastrointestinal alto não demonstrou diminuir a mortalidade. O desenvolvimento de sintomas ou sinais referentes ao trato digestivo alto, incluindo pancreatite ou obstrução biliar, deve levar à avaliação do estômago e do duodeno, com atenção especial à ampola de Vater.
A triagem endoscópica alta usando um endoscópio de visão frontal para pólipos gástricos e um duodenoscópio de visão lateral para pólipos duodenais deve ser iniciada em pacientes com PAF (clássica ou atenuada) no início da polipose colônica ou por volta dos 20 a 25 anos (o que ocorrer primeiro). Em pacientes sem evidência de adenomas duodenais, realizamos uma endoscopia alta com duodenoscopia a cada quatro anos.
Avaliação e tratamento das lesões detectadas
Pólipos gástricos - Pólipos de glândulas fúndicas são encontrados na maioria dos pacientes com PAF. Eles geralmente estão localizados no fundo ou corpo do estômago e estão associados a um baixo risco de progressão para câncer. Pequenos pólipos gástricos proximais devem ser removidos em pacientes com PAF para confirmar sua histologia. Pólipos grandes ou de aparência irregular devem ser biopsiados ou ressecados completamente para avaliar a displasia. Displasia de baixo grau é comum em pólipos de glândulas fúndicas, mas a cirurgia deve ser reservada para displasia de alto grau ou câncer. Pólipos antrais geralmente são adenomas e devem ser completamente ressecados endoscopicamente, se possível.
Pólipos duodenais - Adenomas duodenais endoscopicamente visíveis são identificados em mais da metade dos pacientes com PAF. Aproximadamente metade dos cânceres duodenais são ampulares ou periampulares. A polipectomia completa ou biópsia de pólipos duodenais deve ser realizada no momento da descoberta inicial e em cada exame subsequente. Uma papila de aparência anormal deve ser biopsiada. Os adenomas identificados na ampola de Vater devem ser removidos endoscopicamente, se possível.
A frequência da vigilância endoscópica alta varia com base na gravidade da polipose duodenal. A presença de pólipos de glândulas fúndicas não displásicas não deve alterar os intervalos de triagem recomendados.
Triagem e vigilância para câncer de tireoide
Realizamos ultrassonografia da tireoide em pacientes com polipose adenomatosa familiar (PAF) começando no final da adolescência e repetimos a ultrassonografia a cada dois a cinco anos se normal. O exame físico sozinho é insuficiente para detectar malignidade.
●O câncer colorretal hereditário não polipose refere-se a pacientes e/ou famílias que preenchem os critérios de Amsterdam II (tabela 1). Uma parte desses pacientes terá síndrome de Lynch em testes moleculares germinativos. (Consulte 'Critérios baseados no histórico da família' abaixo.)
●A síndrome de Lynch refere-se a pacientes e famílias com uma mutação germinativa em um dos genes de reparo de incompatibilidade de DNA (MLH1, MSH2, MSH6, PMS2) ou no gene EPCAM.
Epidemiologia da síndrome de Lynch
Genética da síndrome de Lynch
Manifestações colônicas da síndrome de Lynch
Manifestações extra-colônicas da síndrome de Lynch
Identificação de indivíduos em risco para a síndrome de Lynch
Critérios diagnósticos da síndrome de Lynch baseados no histórico familiar
Critérios de Amsterdã na síndrome de Lynch
Critérios de Bethesda revisados na síndrome de Lynch
Teste de tumor para pesquisa da síndrome de Lynch
Teste de instabilidade de microssatélites (MSI) na síndrome de Lynch
Teste imuno-histoquímico (IHC) na síndrome de Lynch
Avaliação adicional com base nos resultados do teste MSI/IHC
Pesquisa da síndrome de Lynch no pólipo avançado
Abordagem diagnóstica na suspeita da síndrome de Lynch
Indicação do painel multigênico da linha germinativa para a síndrome de Lynch
Interpretação do painel multigênico da linha germinativa na síndrome de Lynch
Diagnóstico diferencial da síndrome de Lynch
Avaliação genética de familiares para a síndrome de Lynch
Rastreamento do câncer colorretal na síndrome de Lynch
Cirurgia no câncer de cólon na síndrome de Lynch
Cirurgia no câncer de reto na síndrome de Lynch
Quimioterapia no câncer colorretal na síndrome de Lynch
Os genes MMR que estão associados à síndrome de Lynch incluem:
- MLH1 (MutL homólogo 1), que está localizado no cromossomo 3p22.2
- MSH2 (MutS homólogo 2), que está localizado no cromossomo 2p21-16
- MSH6 (MutS homólogo 6), que está localizado no cromossomo 2p16.3
- PMS2 (segregação pós-meiótica 2), que está localizado no cromossomo 7p22.1
Os riscos de CCR e câncer endometrial são semelhantes em indivíduos com mutações MLH1 e MSH2, mas os riscos para câncer urotelial e manifestações cutâneas da síndrome de Lynch são maiores em portadores da mutação MSH2.
Embora a idade de início varie de acordo com o genótipo, o CCR na síndrome de Lynch ocorre frequentemente em uma idade mais jovem em comparação com o CCR esporádico. No entanto, deve-se notar também que muitos CCRs em pacientes com síndrome de Lynch ocorrerão acima de 50 anos.
Indivíduos com síndrome de Lynch apresentam risco aumentado para CCRs síncronos (simultâneos) e metacrônicos (épocas diferentes). Aproximadamente 7 por cento das pessoas com síndrome de Lynch têm mais de um câncer no momento do diagnóstico. Em indivíduos com síndrome de Lynch que foram submetidos a uma ressecção colônica segmentar para o primeiro câncer de cólon, 16% desenvolverão um novo CCR em 10 anos, 41% em 20 anos e 62% em 30 anos.
Os CCRs na síndrome de Lynch diferem dos CCRs esporádicos, pois são predominantemente localizados no lado direito. A maioria dos CCRs associados a Lynch evoluem de adenomas, mas os adenomas na síndrome de Lynch tendem a ser maiores e de crescimento lateral (LST), mais frequentemente proximais e são mais propensos a ter displasia de alto grau e/ou histologia de vilosidades em comparação com adenomas esporádicos.
A sequência adenoma-carcinoma também pode progredir mais rapidamente na síndrome de Lynch em comparação com o CCR esporádico (35 meses versus 10 a 15 anos), mas o câncer pode se desenvolver diretamente de criptas microscópicas da mucosa do cólon sem passar pelo adenoma. No entanto, a sobrevida global de 10 anos do CCR na síndrome de Lynch é alta (88% para o câncer de cólon e 70% para o câncer no retossigmoide).
Tumores na síndrome de Lynch demonstram evidência de alto MSI (MSI-H) e perda de expressão de uma proteína de reparo de incompatibilidade (MMR) na imuno-histoquímica. CCRs na síndrome de Lynch também têm características histológicas distintas. Eles são mais frequentemente mucinosos, células em anel de sinete ou tipo histológico medular, pouco diferenciados, e têm um infiltrado linfocítico vivo ou são margeados por uma reação linfoide produtora de centro germinativo semelhante a Crohn.
Crescente evidências sugere que homens com síndrome de Lynch estão em maior risco de câncer de próstata, que pode chegar a 30% de risco ao longo da vida. Um risco aumentado de câncer de mama feminino também foi relatado em vários estudos entre mulheres com síndrome de Lynch, no entanto, outros não detectaram um risco aumentado. Vários outros cânceres foram relatados em indivíduos com síndrome de Lynch, mas não está claro se a incidência desses cânceres está acima da população geral.
A triagem universal de câncer de endométrio e CCR para instabilidade de microssatélites (MSI) melhorou a identificação da síndrome de Lynch entre pacientes com câncer. Dados de estudos também sugerem que mutações da síndrome de Lynch, principalmente MSH6 e PMS2, também estão presentes em uma pequena porcentagem de pacientes com tumores estáveis de microssatélites (MSS).
- Deve haver pelo menos três parentes com qualquer câncer associado à síndrome de Lynch (câncer colorretal, câncer de endométrio, intestino delgado, ureter ou pelve renal)
- Um deve ser parente de primeiro grau dos outros dois
- Pelo menos duas gerações sucessivas devem ser afetadas
- Pelo menos um deve ser diagnosticado antes dos 50 anos
- A polipose adenomatosa familiar deve ser excluída no(s) caso(s) de câncer colorretal, se houver
- Tumores devem ser verificados por exame patológico
Os critérios de Amsterdã podem ser lembrados pela "regra 3-2-1" (3 membros afetados, 2 gerações, 1 com menos de 50 anos). A sensibilidade e especificidade dos critérios Amsterdam II para o diagnóstico da síndrome de Lynch são 22 e 98 por cento, respectivamente. Embora a utilidade clínica dos critérios de Amsterdã tenha diminuído, eles continuam sendo úteis para distinguir famílias que têm síndrome de Lynch daquelas que têm forte risco hereditário de CCR, mas não têm síndrome de Lynch.
Os tumores devem ser testados para MSI nas seguintes situações:
- Câncer colorretal diagnosticado em paciente com menos de 50 anos de idade.
- Presença de tumores colorretais sincrônicos, metacrônicos ou outros associados ao HNPCC *, independentemente da idade.
- Câncer colorretal com histologia semelhante a MSI-H ¶ Δ diagnosticado em paciente com menos de 60 anos de idade ◊.
- Câncer colorretal diagnosticado em paciente com um ou mais parentes de primeiro grau com tumor relacionado ao HNPCC, sendo um dos cânceres diagnosticado com menos de 50 anos.
- Câncer colorretal diagnosticado em paciente com dois ou mais parentes de primeiro ou segundo grau com tumores relacionados ao HNPCC, independentemente da idade.
HNPCC: câncer colorretal hereditário nãom polipose; MSI-H: instabilidade de microssatélites alta.
* Tumores relacionados ao HNPCC incluem tumores colorretais, endometriais, gástricos, ovarianos, pâncreas, ureter e pelve renal, trato biliar e cérebro (geralmente glioblastoma como visto na síndrome de Turcot), adenomas de glândulas sebáceas e ceratocantomas e carcinoma do intestino delgado.
¶ MSI-H em tumores refere-se a alterações em dois ou mais dos cinco painéis de marcadores microssatélites recomendados pelo National Cancer Institute.
Δ Presença de linfócitos infiltrantes do tumor. Reação linfocítica semelhante a Crohn, diferenciação mucinosa/em anel de sinete ou padrão de crescimento medular.
Os critérios de Bethesda e Bethesda revisados foram originalmente desenvolvidos para identificar indivíduos com CCR que deveriam ser submetidos a testes no tumor para MSI. A sensibilidade e especificidade de qualquer uma das diretrizes revisadas da Bethesda para o diagnóstico da síndrome de Lynch são 82 e 77%, respectivamente. Os critérios de Bethesda e Bethesda revisados foram amplamente substituídos pela pesquisa da deficiência de MMR por imuno-histoquímica e/ou teste de MSI em CCRs e câncer de endométrio no diagnóstico da síndrome de Lynch.
Indicações para testar o tumor para pesquisa da síndrome de Lynch:
- Câncer colorretal ou de endométrio antes dos 50 anos;
- Câncer colorretal ou de endométrio diagnosticado com idade ≥50 anos e com história pessoal e/ou familiar adicional sugestiva de síndrome de Lynch;
- Câncer colorretal ou de endométrio mucinosos, células em anel de sinete ou tipo histológico medular diagnosticado com idade ≥50 anos;
- Câncer colorretal ou de endométrio com quantidades significativas de linfócitos infiltrando o epitélio tumoral ou são margeados por uma reação linfoide produtora de centro germinativo semelhante a Crohn.
Embora, alguns indicam a triagem genética no tumor com testes MSI ou IHC para a síndrome de Lynch em todos os CCRs, independentemente da idade, porque a sensibilidade é ligeiramente maior para a identificação da síndrome de Lynch em comparação com outras estratégias e demonstrou ser custo-efetiva.
O teste para MSI é realizado usando a reação em cadeia da polimerase (PCR). Pacientes com síndrome de Lynch desenvolvem tumores que caracteristicamente apresentam MSI devido a deficiência de MMR de DNA. A presença de MSI-H no CCR, em tumores sólidos não CCR e câncer de endométrio está associada à síndrome de Lynch. A MSI não é específica da síndrome de Lynch, além de estar presente em aproximadamente 15 por cento de todos os CCRs esporádicos devido à hipermetilação de MLH1, portanto, quando presente deve-se fazer painel multigênico da linha germinativa. A sensibilidade e especificidade do teste MSI para a síndrome de Lynch são de aproximadamente 85 e 90 por cento, respectivamente.
As mutações nos genes MMR que causam a síndrome de Lynch normalmente resultam em uma proteína MMR truncada ou perdida que pode ser detectada como perda de coloração da proteína no teste de IHC do tumor. O teste IHC no tecido tumoral para falta de expressão de proteínas MMR tem sensibilidade e especificidade de 83 e 89 por cento, respectivamente. A IHC geralmente está mais disponível porque pode ser realizada em pequenas biópsias, é barata e tem o valor na identificação de qual dos genes MMR pode estar causando o tumor.
A sensibilidade da IHC para a síndrome de Lynch pode estar diminuída no tecido tumoral retal que foi previamente irradiado. Portanto, a realização de IHC em uma biópsia pré-tratamento é o ideal. A IHC em outros tumores da síndrome de Lynch foi estudada com menos rigor e, embora estudos tumorais anormais possam ser indicativos de síndrome de Lynch, estudos tumorais normais não excluem necessariamente a síndrome de Lynch. Os resultados da IHC nestes tumores devem ser avaliados à luz da história familiar e pessoal de tumores.
- Ausência de MSI e expressão intacta de todas as quatro proteínas MMR – Exclui a maioria dos casos de síndrome de Lynch. No entanto, é possível que um câncer esporádico se desenvolva pelas vias mais comuns, mesmo em alguém com síndrome de Lynch.
- MSI-H ou perda de expressão de uma proteína MMR na IHC – A decisão entre a realização do painel multigênico ou testes mais seletivos para a síndrome de Lynch é baseada no padrão de perda de IHC.
- Perda de MLH1/PMS2 – CCRs que mostram perda de MLH1/PMS2 na IHC podem ser testados para a mutação BRAF V600E comum para ajudar a determinar se a perda de expressão de MLH1/PMS2 por IHC é devido à síndrome de Lynch ou hipermetilação do promotor MLH1.
- Perda de expressão de MSH2/MSH6 – Em indivíduos com perda de expressão de MSH2/MSH6, a decisão de buscar testes de painel multigênico versus testes focados apenas no diagnóstico da síndrome de Lynch deve ser baseada em um histórico familiar abrangente.
Quando disponível, a pesquisa da instabilidade de microssatélites (MSI) em adenomas avançados (adenomas >10 mm e/ou com um componente viloso e/ou displasia de alto grau) deve ser realizada com os mesmos critérios descritos na diretriz de Bethesda para o câncer de intestino.
A MSI é um achado raro em adenomas convencionais de pacientes não selecionados (2,8%), mas pode ser identificado na maioria dos adenomas de pacientes com síndrome de Lynch (69,5%). Os adenomas com MSI são altamente indicativos de síndrome de Lynch com uma especificidade de 97,2%. Em outras palavras, o teste MSI em adenomas é menos sensível, mas uma vez que a MSI é detectada, a chance de que este caso seja um paciente de síndrome de Lynch será maior.
As características de adenomas avançados aumentam significativamente a prevalência de MSI em pacientes com síndrome de Lynch para 81–88%. Esses resultados reforçam ainda mais a hipótese de que a MSI é frequentemente um evento tardio na carcinogênese da síndrome de Lynch e sugere que relativamente mais pacientes com síndrome de Lynch serão detectados por meio do foco na triagem de adenomas avançados.
Portanto, reforçam ainda mais a hipótese de que a MSI é frequentemente um evento tardio na carcinogênese da síndrome de Lynch e sugere que mais pacientes com síndrome de Lynch serão detectados por meio do foco na triagem de adenomas avançados.
Além disso, a inclusão de adenomas avançados na triagem presumivelmente terá um grande efeito nos custos, dado o fato de que identificaremos os pacientes índice antes que eles desenvolvam câncer.
Pacientes com 10 ou mais adenomas colorretais cumulativos ou qualquer número de adenomas em combinação com adenomas duodenais ou ampulares, tumores desmóides, câncer de tireoide papilar, cistos epidérmicos e osteomas, deve levantar a possibilidade de polipose adenomatosa familiar (PAF).
A síndrome de Lynch deve ser suspeitada em pacientes com câncer colorretal (CCR) sincrônico ou metacrônico, CCR ou câncer de endométrio antes dos 50 anos de idade, múltiplos cânceres associados a Lynch (p. intestino delgado ou pelve renal/ureter) e em casos de agrupamento familiar de cânceres associados a Lynch. A síndrome de Lynch também deve ser suspeitada em qualquer tumor que apresente reparo de incompatibilidade deficiente (MMR) em testes de instabilidade de microssatélites (MSI) ou imuno-histoquímica (IHC).
Algoritmo 1 – Abordagem para rastreio da síndrome de Lynch em indivíduos com pólipo colorretal avançado, câncer colorretal e/ou câncer de endométrio
Indivíduo com histórico pessoal de pólipo colorretal avançado e/ou câncer colorretal e/ou câncer de endométrio tem algum dos seguintes itens:
• Diagnosticado <50 anos de idade
• Diagnosticado ≥50 anos associado a manifestações extra-colônicas da síndrome de Lynch e/ou história familiar sugestiva de síndrome de Lynch
* A avaliação genética da linha germinativa pode ser apropriada em indivíduos com qualquer um dos seguintes: 1) Histórico familiar de câncer que atenda aos critérios Amsterdam I ou II ou às diretrizes revisadas de Bethesda; 2) > 2,5% de chance de uma mutação do gene MMR por modelos de predição; 3) Parente de primeiro grau daqueles com mutação conhecida do gene MMR/EPCAM.
¶ IHC normal tem sensibilidade de apenas aproximadamente 85% para a síndrome de Lynch. Considere o teste MSI para confirmar ou descartar MMR deficiente.
Δ A presença de metilação do promotor MLH1 ou mutação BRAF V600E sugere CRC esporádico.
◊ Tumores endometriais não são elegíveis para o teste BRAF V600E, portanto, aqueles com perda de MLH1/PMS2 no IHC devem fazer o teste de hipermetilação do promotor MLH1.
§ A síndrome de Lynch deve ser suspeitada em indivíduos com CCR síncrono ou metacrônico, CCR antes dos 50 anos de idade, múltiplos cânceres associados a Lynch (por exemplo, CCR e endométrio, ovário, estômago, intestino delgado ou pelve renal/ureter) e em casos de agrupamento familiar de cânceres associados a Lynch.
¥ Outras considerações importantes incluem etnia, a prevalência de mutações genéticas fundadoras específicas em algumas populações e a preferência do paciente.
† Indivíduos com inativação somática bialélica (por mutação e/ou perda de heterozigosidade) de genes MMR não têm síndrome de Lynch.
Sugere-se que pacientes com suspeita da síndrome do CCR hereditário realizem avaliação genética com painel multigênico da linha germinativa para todos os 10 a 15 genes de alto risco potenciais ou suspeitos, incluindo os genes MMR da síndrome de Lynch.
A avaliação genética para a síndrome de Lynch está indicada nas seguintes situações:
- Câncer colorretal ou de endométrio antes dos 50 anos;
- Câncer colorretal ou de endométrio diagnosticado com idade ≥50 anos e com história pessoal e/ou familiar adicional sugestiva de síndrome de Lynch;
- Câncer colorretal ou de endométrio mucinosos, células em anel de sinete ou tipo histológico medular diagnosticado com idade ≥50 anos;
- Identificação de uma variante patogênica de MMR no teste de tumor somático em qualquer tipo de tumor;
- Indivíduos não afetados (sem câncer) com um dos seguintes:
- História familiar de câncer que atende aos critérios Amsterdam I ou II ou diretrizes revisadas da Bethesda;
- Parente de primeiro ou segundo grau daqueles com mutação genética MMR/EPCAM conhecida.
Indivíduos com tumores MSI-high (MSI-H) ou perda de expressão de uma proteína MMR em IHC requerem testes adicionais com base no padrão de perda de expressão de uma proteína MMR (algoritmo 1). Se o teste no tumor não for viável e a suspeita clínica do risco de câncer hereditário, devido ao histórico familiar, for forte ou indisponível (por exemplo, devido à adoção, doação de esperma etc.), os pacientes devem receber testes germinativos.
- Uma variante causadora de doença (patogênica ou provavelmente patogênica) em um gene MMR ou em EPCAM em um indivíduo afetado estabelece o diagnóstico de síndrome de Lynch.
- Se uma variante da doença foi identificada em uma família e o indivíduo testado não possui essa variante, isso exclui o diagnóstico de síndrome de Lynch.
- Uma variante de significância desconhecida (VSD) em um indivíduo de risco é um achado inconclusivo e não estabelece a presença ou ausência de risco no indivíduo testado. No entanto, o sequenciamento de DNA normal (sem VSD) oferece algum grau de garantia de que os genes de risco hereditário testados parecem ter sequências normais (não mutadas) quando comparados com as sequências de referência usadas pelo laboratório que realiza o teste. Em indivíduos com VSD, a interpretação atualizada da patogenicidade deve ser obtida periodicamente.
Algoritmo – Manejo dos indivíduos com a presença da mutação da síndrome de Lynch
●Mutações somáticas bialélicas na suspeita de síndrome de Lynch – São indivíduos com CCR ou câncer de endométrio em que o teste molecular mostra a presença de MSI-H e/ou anormalidades na expressão de proteínas do gene MMR no teste de expressão de tecido tumoral por IHC, mas não é encontrado mutação patogênica da linha germinativa em genes MMR de DNA e o fenótipo não é explicado pela hipermetilação adquirida do promotor MLH1 ou mutações BRAF.
À medida que o teste genético em tumores se tornou clinicamente disponível, deve ser oferecido àqueles indivíduos que se enquadram nesse perfil, pois a comprovação da causa somática evitará que sejam erroneamente rotulados como síndrome de Lynch, com toda a triagem e riscos inerentes.
●Síndrome da deficiência de reparo de incompatibilidade constitucional (CMMR-D) – Refere-se a pacientes e/ou famílias com mutações bialélicas germinativas de um gene MMR de DNA. Em contraste com a síndrome de Lynch, na qual os cânceres ocorrem na quinta ou sexta década de vida, portadores de mutações homozigóticas ou heterozigotas compostas de mutações MLH1, MSH2, MSH6 ou PMS2 geralmente desenvolvem malignidades associadas a Lynch, malignidades hematológicas e cerebrais e sarcomas durante infância, muitas vezes nas primeiras décadas de vida.
●Câncer Colorretal Familiar Tipo X (FCCTX) – Refere-se a pacientes e/ou famílias que atendem aos critérios de Amsterdam I, mas quando os tumores são testados, não apresentam MSI que é característico da síndrome de Lynch. Pacientes com FCCTX também não parecem ter um risco aumentado de câncer endometrial ou outros cânceres associados a Lynch. Esses indivíduos devem ser submetidos a testes de painel multigênico para descartar causas genéticas raras de CCR familiar.
●Síndrome de Lynch Clínica – A síndrome de Lynch clínica descreve indivíduos raros sem explicação clara para seu tumor deficiente em MMR. Os indivíduos têm um tumor MSI-H, mas não terão uma mutação germinativa da síndrome de Lynch, não terão hipermetilação do promotor MLH1 e não terão evidência de inativação somática bialélica de um dos genes da síndrome de Lynch. Esses indivíduos e famílias são tratados clinicamente como síndrome de Lynch e/ou têm manejo fortemente guiado pela história pessoal/familiar.
●Polipose adenomatosa familiar atenuada (PAFA) e polipose associada a MUTYH (MAP) – Indivíduos com PAFA e MAP e alguns adenomas colorretais podem ser difíceis de distinguir clinicamente da síndrome de Lynch. Apenas testes genéticos podem distinguir definitivamente entre Mapa, MAP e síndrome de Lynch, embora um padrão autossômico dominante de herança CCR torne a MAP improvável. A PAFA é caracterizada por mutações germinativas no gene APC e indivíduos com MAP apresentam mutações bialélicas nos genes MUTYH .
Parentes em risco devem ser encaminhados para aconselhamento genético e testes para a mutação familiar que causa a síndrome de Lynch no heredograma e testes genéticos adicionais se necessário devido ao histórico pessoal e familiar. O teste em crianças deve ser oferecido 10 anos antes da idade mais precoce do início do câncer na família ou por volta dos 20 a 30 anos, quando o rastreamento do CCR é recomendado para indivíduos com síndrome de Lynch. A presença da mesma mutação estabelece um diagnóstico de síndrome de Lynch, e um resultado negativo do teste para a mutação familiar indica que o indivíduo não tem síndrome de Lynch.
A síndrome de Lynch é uma doença autossômica dominante e pode ser transmitida por qualquer um dos pais para aproximadamente 50% de seus filhos. Além disso, os casais devem ser alertados sobre a possibilidade e os riscos associados se ambos os parceiros forem portadores de variantes patogênicas no mesmo gene de reparo de incompatibilidade (MMR), levando a uma chance de 25% de ter um filho com síndrome de deficiência constitucional de MMR ou deficiência constitucional de MMR (mutações bialélicas dos genes MMR do DNA).
O teste de portador pode ser oferecido ao parceiro para determinar se ele é portador de variantes patogênicas no mesmo gene MMR. Isso é particularmente relevante porque as mutações MSH6 e PMS2, que podem estar associadas a um fenótipo de penetrância mais moderada, são comuns na população e podem não estar associadas a um forte histórico familiar de câncer.
Sugere-se que os indivíduos com síndrome de Lynch sejam submetidos à triagem de CCR com colonoscopia a cada um ou dois anos, começando na idade de 20 a 25 anos, ou dois a cinco anos antes da idade mais precoce do diagnóstico de CCR na família (o que ocorrer primeiro).
Em portadores de MSH6 e portadores de PMS2, a triagem de CCR pode ser adiada até os 30 a 35 anos e realizada a cada um ou dois anos, se não houver história familiar de CCR de início precoce ou outros cânceres da síndrome de Lynch, que de outra forma sugeririam que a mutação familiar possa ser exibindo maior penetrância do que o habitual.
A triagem colonoscópica do CCR demonstrou diminuir a mortalidade em indivíduos com síndrome de Lynch. Estima-se que a vigilância colonoscópica em membros da família com síndrome de Lynch estaria associada a um ganho de aproximadamente 14 anos de vida em comparação com nenhum rastreamento.
Um estudo da Europa comparou intervalos de triagem de colonoscopia de um ano, um a dois anos e três anos em pacientes com síndrome de Lynch e não encontrou diferença na incidência de CCR quando os três grupos foram comparados. Os fatores associados ao risco aumentado de CCR incluíram história de CCR anterior, sexo masculino, mutação MLH1/MSH2, idade > 40 anos e um adenoma identificado na primeira colonoscopia.
A colectomia profilática para portadores de síndrome de Lynch com o cólon normal à colonoscopia não é recomendada na rotina, mas é uma opção para pacientes que não podem ou não desejam se submeter à vigilância de rotina do CCR.
Em indivíduos com síndrome de Lynch com câncer de cólon ou adenoma endoscopicamente irressecável, a colectomia abdominal total com anastomose ileorretal é o procedimento de escolha para redução de risco, com vigilância endoscópica anual contínua do reto. A colectomia segmentar com vigilância colonoscópica pós-operatória anual é reservada para indivíduos que não são candidatos à colectomia total ou não querem ser submetidos à colectomia total. No entanto, se um segundo câncer de cólon se desenvolver, apesar da adesão ao rastreamento intensivo, a colectomia total deve ser realizada.
Indivíduos com síndrome de Lynch que se submetem a colectomia segmentar para o primeiro diagnóstico de câncer de cólon têm um risco aumentado de adenoma ou CCR subsequente em comparação com indivíduos que se submetem a colectomia subtotal com anastomose ileorretal. O risco cumulativo de CCR metacrônico para portadores com colectomia segmentar em 10, 20 e 30 anos foi estimado em 16, 41 e 62 por cento, respectivamente. O risco de CCR metacrônico é reduzido em 31% para cada 10 cm de intestino removido.
Em indivíduos com síndrome de Lynch com câncer retal, a proctocolectomia total com anastomose anal da bolsa ileal é a operação de redução de risco mais definitiva, dado o alto risco de câncer de cólon metacrônico naqueles com proctectomia. No entanto, esta cirurgia também pode estar associada a mais complicações pós-operatórias e problemas de continência a longo prazo em comparação com uma ileostomia permanente ou uma ressecção anterior baixa seguida de anastomose ileorretal ao coto retal.
Uma equipe multidisciplinar, incluindo coloproctologia, oncologia de radiação, oncologia clínica e genética clínica do câncer, deve estar envolvida na decisão sobre a extensão da cirurgia, que deve ser guiada pela idade ao diagnóstico, fatores que podem aumentar a probabilidade de um resultado funcional ruim e preferências do paciente. Se um remanescente retal for preservado para continência, é importante garantir pelo menos uma vigilância colonoscópica anual do cólon.
Indivíduos com síndrome de Lynch que se submetem à proctectomia para o primeiro câncer retal apresentam um risco aumentado de câncer de cólon metacrônico em comparação com aqueles que se submetem à proctocolectomia total com ileostomia permanente ou anastomose anal com bolsa ileal. O risco cumulativo de câncer de cólon metacrônico em 10, 20 e 30 anos após a proctectomia para câncer retal é estimado em 19, 47 e 69 por cento, respectivamente. Esses riscos eram evidentes apesar do intervalo de vigilância colonoscópica de um a dois anos após a cirurgia retal.
A presença de alto nível de instabilidade de microssatélites (MSI-H), característica dos CCRs associados à síndrome de Lynch, tem implicações para quimioterapia e imunoterapia adjuvantes.
A síndrome de Peutz-Jeghers (SPJ) é rara, com uma prevalência estimada de 1:8.000 a 1:200.000 nascimentos. Homens e mulheres são igualmente afetados e 10 a 20% dos indivíduos com РЈЅ não têm histórico familiar e presume-se que tenham SPJ é devido a mutações de novo.
As duas manifestações características da síndrome de Peutz-Jeghers (PЈS) são manchas mucocutâneas pigmentadas e múltiplos pólipos gastrointestinais hamartomatosos. Indivíduos com PJS também apresentam risco aumentado para cânceres gastrointestinais e extraintestinais.
As manchas mucocutâneas (manchas de melanina) estão presentes em mais de 95% dos indivíduos com SPJ. As manchas são tipicamente planas, azul-acinzentadas a manchas marrons de 1 a 5 mm de tamanho. Essas manchas ocorrem mais comumente nos lábios e na região perioral (94%), palmas das mãos (74%), mucosa bucal (66%) e solas dos pés (62%). Elas também podem ser vistas no nariz, área perianal e genitais, e raramente nos intestinos. As manchas mucocutâneas geralmente ocorre durante o primeiro a dois anos de vida, aumenta em tamanho e número ao longo dos anos seguintes e finalmente desaparece após a puberdade, com exceção daquelas na mucosa bucal. A transformação maligna é extremamente rara.
Embora 50 por cento dos pacientes sejam assintomáticos no momento do diagnóstico, indivíduos com РJS podem apresentar obstrução causada por intussuscepção ou oclusão do lúmen gastrointestinal pelo pólipo, dor abdominal causada por infarto, anemia por sangramento agudo ou crônico ou extrusão do pólipo através do reto. Até 69% dos pacientes apresentam uma intussuscepção durante a vida, mais frequentemente no intestino delgado.
Os pólipos de Peutz-Jeghers (PJ) podem ser sésseis e pediculados, de 1 a mais de 20 por segmento do intestino e de 0,1 a mais de 5 cm de tamanho. Na histologia, os pólipos PJ são hamartomas que contêm caracteristicamente uma proliferação de músculo liso que se estende para a lâmina própria de forma semelhante à arborização; o epitélio sobrejacente é normal.
O risco de câncer gastrointestinais e extraintestinais na SPJ está aumentado. O risco ao longo da vida para qualquer câncer varia entre 37 e 93%. A idade média de desenvolvimento de uma malignidade é em torno dos 42 anos. Os locais mais comuns para malignidade são: colorretal, seguido por mama, estômago, intestino delgado e pâncreas. A distribuição de cânceres gastrointestinais na SPJ é semelhante à dos pólipos hamartomatosos e o ϲаrϲinoma que surge em hamartomas está claramente documentado. A razão para o aumento do risco de câncer gastrointestinal é incerta.
Diagnóstico da síndrome de Peutz-Jeghers (SPJ
O diagnóstico clínico da SPJ pode ser feito pela presença de qualquer um das seguintes alterações:
- Dois ou mais pólipos hamartomatosos do trato gastrointestinal do tipo Peutz-Jeghers;
- Manchas mucocutânea característica da boca, lábios, nariz, olhos, genitália ou dedos em uma pessoa com histórico familiar de SPJ;
- Qualquer número de pólipos de Peutz-Jeghers em um indivíduo com histórico familiar de SPJ em um parente de primeiro grau
- Qualquer número de pólipos de Peutz-Jeghers em uma pessoa com manchas mucocutânea característica da SPJ
Gerenciamento da síndrome de Peutz-Jeghers (SPJ
Indivíduos com SPJ devem ser submetidos a um exame físico anual com hemograma completo para detectar anemia ferropriva devido a sangramento oculto de pólipos do trato gastrointestinal ou câncer.
Indivíduos com SPJ apresentam risco aumentado de câncer gastrointestinal e extraintestinal. O risco de câncer ao longo da vida varia entre 37 e 93 por cento, com uma idade média de 42 anos no diagnóstico do câncer. Os locais mais comuns de malignidade do trato gastrointestinal são o cólon e o pâncreas, e o local mais comum de câncer do trato extraintestinal é a mama.
Câncer gastrointestinal na síndrome de Peutz-Jeghers (SPJ)
Devido ao risco aumentado de pólipos gástricos, do intestino delgado e colorretais em indivíduos com SPJ, a triagem endoscópica basal do trato gastrointestinal deve incluir endoscópica gastrointestinal alta, cápsula endoscópica e colonoscopia, começando entre as idades de oito e dez anos. O intervalo de triagem subsequente deve ser baseado nos achados do primeiro exame:
- Se pólipos forem detectados na triagem inicial, a endoscopia digestiva alta, a cápsula endoscópica e a colonoscopia devem ser repetidas a cada dois ou três anos.
- Se nenhum pólipo for detectado na triagem inicial, a endoscopia digestiva alta, a cápsula endoscópica e a colonoscopia devem ser repetidas aos 18 anos, ou antes, se os sintomas surgirem, e depois a cada dois ou três anos.
A polipectomia endoscópica deve ser realizada para pólipos >0,5 cm que são detectados durante a endoscopia alta e colonoscopia. Os pólipos do intestino delgado que são sintomáticos ou >1 cm de tamanho devem ser ressecados para reduzir o risco de complicações relacionadas aos pólipos (por exemplo, anemia, sangramento, obstrução, malignidade e necessidade de cirurgia urgente). Os avanços na endoscopia do intestino delgado melhoraram a capacidade de tratar pólipos do intestino delgado sem cirurgia. A polipectomia bem-sucedida do intestino delgado usando enteroscopia assistida por balão foi descrita com enteroscopias de balão simples e duplo.
As indicações para cirurgia incluem a incapacidade de obter controle endoscópico de pólipos devido ao tamanho ou número de pólipos e à presença de neoplasia. A cirurgia também pode ser necessária em pacientes com obstrução do intestino delgado ou intussuscepção. Pacientes com SPJ submetidos a laparotomia devem ser submetidos a enteroscopia intraoperatória para identificar e ressecar pólipos do intestino delgado.
Abordagens quimiopreventivas para diminuir a carga de pólipos em SРJ foram estudadas, mas não há dados suficientes para recomendar seu uso.
Cânceres extraintestinais na síndrome de Peutz-Jeghers (SPJ)
Tumores testiculares - Exames anuais dos testículos devem ser realizados a partir dos 10 anos de idade. Se forem detectadas anormalidades no exame testicular ou se os pacientes apresentarem sinais de feminização (por exemplo, ginecomastia), é necessária uma avaliação adicional (por exemplo, ultrassom testicular).
Câncer do colo uterino - Mulheres com SPЈ apresentam risco aumentado de adenoma maligno e adenocarcinoma bem diferenciado do colo uterino. Portanto, aconselhamos mulheres com SРЈ a se submeterem a exames anuais para câncer cervical (incluindo Papanicolau) a partir dos 18 a 20 anos.
Câncer de ovário e endométrio - O exame físico anual para observação da puberdade precoce deve ser realizado a partir dos oito anos de idade. Mulheres com SΡJ devem fazer para prevenção do câncer endometrial e ovariano o exame ginecológico anual com papanicolau a partir dos 18 a 20 anos de idade.
Câncer de mama - O risco de câncer de mama em pacientes com SPJ e alto. Portanto, sugere-se exames clínicos de mama para mulheres com SPJ a cada seis meses e ressonância magnética e mamografia anuais a partir dos 30 anos.
Hiperpigmentação cutânea na síndrome de Peutz-Jeghers (SPJ)
Aproximadamente 95 por cento dos pacientes com SРЈ desenvolvem manchas pigmentadas mucocutâneas. Enquanto a maioria das lesões cutâneas desaparece com a idade, lesões que são desfigurantes ou associadas à morbidade psicológica podem exigir tratamento. O tratamento da hiperpigmentação cutânea é a cargo do dermatologista
Aconselhamento genético na síndrome de Peutz-Jeghers (SPJ)
A SPЈ é um distúrbio autossômico dominante, e uma criança de um pai com SPJ tem 50 por cento de chance de herdar a doença. Indivíduos com uma mutação STK11 devem ter a opção de um diagnóstico genético pré-implantação durante o aconselhamento pré-concepcional. No entanto, os pacientes também devem ser informados sobre as limitações e os riscos de diagnósticos incorretos.
Parentes de primeiro grau de pacientes com SPJ devem ser examinados anualmente, começando no nascimento, para características clínicas da SΡJ. A triagem consiste em um histórico e um exame físico que inclui avaliação para pigmentação mucocutânea e sinais de puberdade precoce. Além disso, pacientes do sexo masculino devem ser examinados para sinais de feminização (por exemplo, ginecomastia) e para tumores testiculares com palpação testicular. Testes genéticos preditivos devem ser oferecidos a indivíduos em risco nos quais o diagnóstico ainda não é clinicamente aparente aos oito anos de idade, desde que uma mutação STK11 patogênica tenha sido identificada em um membro da família afetado. Os resultados dos testes genéticos podem então orientar futuras recomendações de triagem.
A síndrome da polipose juvenil (SPJ) é uma condição autossômica dominante caracterizada por múltiplos pólipos juvenis hamartomatosos em todo o trato gastrointestinal. Indivíduos com SPJ apresentam risco aumentado de câncer colorretal e gástrico. Em contraste com a SPJ, pólipos juvenis esporádicos do cólon ocorrem em até 2% das crianças menores de 10 anos, são geralmente solitários e não estão associados a um risco aumentado de câncer.
A SPJ é rara, com uma incidência estimada de 1 em 100.000 a 1 em 160.000 indivíduos. A SPJ é uma condição autossômica dominante com penetrância incompleta. A SPJ ocorre como resultado de mutações da linha germinativa no gene SMAD4 (MADH4) ou no gene do receptor de proteína morfogenética óssea tipo 1A (BMPR1A). Enquanto 50 a 75 por cento dos pacientes têm histórico familiar de polipose juvenil, aproximadamente 25 a 50 por cento dos pacientes têm mutações novas.
Manifestações clínicas da síndrome da polipose juvenil (SPJ)
Os pólipos geralmente começam a aparecer na primeira década de vida, e os pacientes podem desenvolver entre cinco e centenas de pólipos durante a vida. Os pólipos ocorrem predominantemente no cólon e reto (98%), mas podem ocorrer no estômago (14-28 %), duodeno (7%), jejuno e íleo (7%). Até 70 por cento dos pólipos colônicos se desenvolvem no cólon proximal.
A maioria dos pacientes é sintomática aos 20 anos de idade. No geral, 90 por cento dos pacientes apresentam sangramento ou anemia devido a pólipos gastrointestinais. O sangramento retal é o sintoma de apresentação mais comum. Outros sintomas incluem dor abdominal devido à obstrução por infecção, diarreia devido à enteropatia perdedora de proteínas e prolapso retal de pólipos.
A polipose juvenil da infância é uma variante rara da SPJ na qual os pólipos juvenis se desenvolvem nos primeiros anos de vida no estômago, delgado, cólon e reto.
Características endoscópicas e histológicas dos pólipos da síndrome da polipose juvenil (SPJ)
Pólipos juvenis são hamartomas que se desenvolvem a partir de uma coleção anormal de elementos de tecido normalmente presentes no trato intestinal. Além disso, até 75% dos indivíduos com SPJ apresentam outros tipos de pólipos como: inflamatórios, hiperplásicos e adenomatosos.
Endoscopicamente, os pólipos juvenis variam em tamanho, desde pequenos nódulos sésseis até grandes lesões pediculadas com vários centímetros. Os pólipos menores são frequentemente arredondados e lisos, enquanto os pólipos maiores podem ser lobulados.
Risco de câncer gastrointestinal na síndrome da polipose juvenil (SPJ)
Indivíduos com SPJ apresentam risco aumentado de câncer colorretal. A idade média no diagnóstico de câncer colorretal em pacientes com SPJ é de 44 anos. O risco cumulativo de câncer colorretal é de 20% aos 35 anos e 38% aos 80 anos.
Indivíduos com SPJ também apresentam risco aumentado de câncer gástrico e duodenal com um risco vitalício de aproximadamente 20-30%. A idade média do diagnóstico é de 58 anos.
Diagnóstico da síndrome da polipose juvenil (SPJ)
O diagnóstico de SPJ deve ser considerado em pacientes com múltiplos (>5) pólipos juvenis (hamartomas) no trato gastrointestinal ou um pólipo juvenil e histórico familiar de pólipos juvenis.
diagnóstico clínico de SPJ é baseado na presença de pelo menos um dos seguintes critérios e na ausência de manifestações clínicas de outras síndromes de polipose hamartomatosa:
- Cinco ou mais pólipos juvenis no cólon e reto;
- Dois ou mais pólipos juvenis em outras partes do trato gastrointestinal;
- Qualquer número de pólipos juvenis em uma pessoa com histórico familiar conhecido de pólipos juvenis em um parente de primeiro grau.
Indivíduos que atendem aos critérios clínicos para SPJ devem ser submetidos a testes genéticos para uma mutação da linha germinativa nos genes BMPR1A e SMAD4 para confirmar o diagnóstico e aconselhar familiares em risco. No entanto, aproximadamente 40-60% dos pacientes com SPJ não apresentam mutação da linha germinativa, mas os pacientes são considerados em risco e são tratados como pacientes com resultados de teste genético positivos.
Diagnóstico diferencial com Síndrome de Peutz-Jeghers
A síndrome de Peutz-Jeghers é uma síndrome autossômica dominante caracterizada por múltiplos pólipos hamartomatosos do tipo Peutz-Jeghers no trato gastrointestinal, pigmentação mucocutânea e um risco aumentado de câncer gastrointestinal.
Gerenciamento da síndrome da polipose juvenil (SPJ)
Indivíduos com uma mutação patogênica da linha germinativa nos genes BMPR1A e SMAD4, e indivíduos com diagnóstico clínico de SPJ que não foram submetidos a testes genéticos ou que têm resultados de testes genéticos indeterminados, devem ser rastreados para manifestações de SPJ.
Indivíduos com SPJ devem ser submetidos a um exame físico anual, incluindo um exame cardiovascular e hemograma completo anualmente para avaliar a anemia por deficiência de ferro secundária à perda de sangue.
A vigilância do trato gastrointestinal (TGI) em pacientes com SPJ afetados ou em risco deve incluir o rastreamento de câncer colorretal, estômago e intestino delgado.
Rastreamento colorretal da síndrome da polipose juvenil (SPJ)
O rastreamento colorretal com a colonoscopia deve ser realizado a cada um a três anos, começando entre as idades de 12 e 15 anos ou antes em pacientes que apresentam sintomas. Se forem encontrados pólipos, a colonoscopia deve ser repetida anualmente; caso contrário, os intervalos da colonoscopia podem ser aumentados para 2 a 3 anos.
Os pólipos do trato gastrointestinal geralmente podem ser ressecados endoscopicamente.
As indicações potenciais para colectomia e anastomose ileorretal (IRA) ou proctocolectomia e anastomose anal da bolsa ileal incluem:
- Sintomas graves relacionados aos pólipos (por exemplo, sangramento gastrointestinal grave);
- Câncer colorretal, adenoma com displasia de alto grau ou adenomas múltiplos >6 mm;
- Aumentos acentuados no número de pólipos em exames consecutivos;
- Incapacidade de examinar adequadamente o cólon devido a múltiplos pólipos.
Rastreamento do trato gastrointestinal superior na síndrome da polipose juvenil (SPJ)
O rastreamento do trato gastrointestinal superior com endoscopia digestiva alta começa na idade de 12 a 15 anos. Se pólipos forem detectados, a endoscopia digestiva alta é repetida anualmente. Na ausência de pólipos do trato gastrointestinal superior, endoscopia digestiva alta pode ser realizada a cada 2 a três anos.
O intestino delgado pode ser avaliado usando a cápsula endoscópica, enterografia por TC ou RM ou enteroscopia por duplo balão. O exame de base é realizado na adolescência e depois periodicamente com base na presença de pólipos ou sintomas, incluindo anemia ou enteropatia perdedora de proteínas. Em pacientes com displasia avançada, câncer gástrico ou polipose gástrica maciça que não podem ser efetivamente tratados endoscopicamente, a gastrectomia completa ou parcial é realizada.
Aconselhamento reprodutivo na síndrome da polipose juvenil (SPJ)
O planejamento familiar é apropriado para indivíduos com uma variante patogênica ou provavelmente patogênica em BMPR1A ou SMAD4 que estão considerando ter filhos.
A SPJ é um distúrbio autossômico dominante e pode ser transmitido por qualquer um dos pais. O risco para cada filho é tipicamente de 50 por cento. O teste de portador pode ser oferecido ao parceiro para determinar se ele é portador de variantes patogênicas no mesmo gene.
Os pólipos são hamartomas e não parecem neoplásicos patologicamente. Os pólipos são sésseis com erosões superficiais.
e afeta de 1 em 100.000 a 1 em 160.000 pessoas e costuma se manifestar entre 4 e 14 anos de idade.
Taxas de mortalidade em cinco anos de até 55 por cento foram relatadas, com a maioria das mortes devido a sangramento gastrointestinal, sepse e insuficiência cardíaca congestiva.
O tratamento incluiu suporte nutricional, glicocorticoides, azatioprina, supressão ácida e antibióticos, mas nenhum tratamento específico provou ser consistentemente eficaz.
O diagnóstico de HLN é baseado principalmente em exames endoscópicos e histológicos, incluindo marcadamente a presença de folículos linfoides hiperplásicos e centros germinativos mitoticamente ativos com mantos linfocíticos bem definidos.
A HLN do íleo terminal pode estar associado a vários sintomas que reduzem seriamente a qualidade de vida do indivíduo, como diarreia crônica, dor abdominal, hematoquezia, anemia, hipoproteinemia, entre outros sintomas.
A patogênese da HLN ainda não foi totalmente elucidada. Uma hipótese frequentemente proposta implica um gatilho antigênico intestinal, possivelmente infeccioso, que leva à estimulação repetitiva e eventual hiperplasia dos folículos linfoides. HLN foi relatado em pacientes com vírus da imunodeficiência humana, imunodeficiência comum variável, infecção por Giardia lamblia, infecção por helicobacter pylori, polipose adenomatosa familiar e síndrome de Gardner.
O microbioma intestinal desempenha um papel essencial no sistema imunológico; A microbiota intestinal que coloniza o trato intestinal humano forma uma relação simbiótica mútua com o hospedeiro e desempenha um papel fundamental na regulação do sistema imunológico e do metabolismo do hospedeiro. Convencionalmente, as alterações na microbiota intestinal estão intimamente relacionadas à doença inflamatória intestinal, obesidade, adenoma colônico e câncer colorretal, mas não está claro se a flora intestinal desempenha um papel na HLN.
Pacientes com síndrome do intestino irritável são mais propensos a apresentar HLN. Durante o diagnóstico clínico e tratamento de pacientes com HLN do íleo terminal sintomática, os probióticos podem melhorar os sintomas gastrointestinais.
Em um estudo recente a diversidade bacteriana foi significativamente maior no grupo com HNL do íleo terminal do que no grupo controle, sugerindo a presença de um supercrescimento bacteriano do intestino delgado (SBID). O SBID é definido como supercrescimento bacteriano no intestino delgado causado por um número anormalmente alto de bactérias e/ou alterações nos tipos de bactérias. Isso se deve à migração de bactérias para o intestino delgado a partir do cólon, resultando em inflamação que se manifestam principalmente como má absorção de nutrientes, dor e distensão abdominal, diarreia e anormalidade da motilidade intestinal. O SBID está intimamente associado a muitas doenças, incluindo câncer colorretal, síndrome do intestino irritável, doença inflamatória intestinal e doença hepática gordurosa não alcoólica.
A síndrome de Cowden é rara com um padrão de herança autossômico dominante. Estima-se que a taxa de variantes patogênicas de novo seja provavelmente de 10 a 30 por cento. Embora os dados sejam limitados, a prevalência estimada da síndrome de Cowden é de 1 em 200.000 a 250.000.
Variantes patogênicas da linha germinativa são encontradas em muitos pacientes que atendem aos critérios de diagnóstico clínico para a síndrome de Cowden. Estimativas mais recentes são de que variantes patogênicas de PTEN da linha germinativa são encontradas em aproximadamente 20 a 34 por cento dos indivíduos que atendem aos critérios clínicos para a síndrome de Cowden ou que atendem aos critérios para testes genéticos.
incluem: macrocefalia, alopecia e fenda palatina. Nenhum dos pacientes apresentou manifestações extra colônicas.
A acantose glicogênica do esôfago geralmente aparece como múltiplas elevações redondas, cinza-esbranquiçadas e de tamanho uniforme em uma mucosa de aparência normal, geralmente na porção média do esôfago.
Pólipos gástricos e duodenais estão presentes em 66-100%. Os pólipos podem ser hamartomas, hiperplásicos, adenomas e inflamatórios. Há relatos raros de casos de câncer gástrico e duodenal.
A prevalência de pólipos colorretais chega a 95%. Os hamartomas e inflamatórios são os mais prevalentes, mas adenomas, leiomiomas, lipomas e hiperplásicos também podem ser encontrados e muitos pacientes apresentam tipos diferentes de pólipos na colonoscopia.
Pacientes com síndrome de Cowden apresentam um risco aumentado de câncer colorretal de início precoce. Ainda não está claro se a malignidade colônica surge de pólipos adenomatosos ou se também pode surgir de pólipos hamartomatosos. Devido a essas associações, as diretrizes sugerem que os portadores da variante patogênica PTEN passem por vigilância endoscópica de rotina.
Manifestações clínicas extraintestinais da síndrome de Cowden
A gama de manifestações clínicas da síndrome de Cowden inclui tumores hamartomatosos em múltiplos sistemas orgânicos, tanto mucocutâneos quanto extracutâneos, e um risco aumentado de malignidade.
Achados cutâneos e orais são uma manifestação distinta em todos as pessoas com a síndrome de Cowden; eles são frequentemente o achado inicial que leva ao diagnóstico. Embora comumente notado na segunda década de vida, a idade de início pode variar de 4 a 75 anos. As lesões comuns são tumores hamartomatosos, ceratoses acrais e pápulas faciais/papilomas orais semelhantes a verrugas, da cor da pele, com superfícies ligeiramente ásperas.
O câncer de mama é a doença maligna mais comum na síndrome de Cowden. O risco de câncer de mama ao longo da vida para pacientes do sexo feminino afetadas é frequentemente relatado entre 25 e 50 por cento. O início do câncer de mama é frequentemente precoce, com um diagnóstico em uma média de 38 a 46 anos de idade.
A doença da tireoide ocorre em mais da metade dos pacientes. Anormalidades benignas da tireoide, como bócio multinodular, tireoidite linfocítica (Hashimoto) e adenomas são muito comuns e relatadas em até 68% dos pacientes.
Várias lesões geniturinárias, incluindo câncer endometrial e câncer de células renais (CCR), podem surgir em pacientes com síndrome de Cowden.
As principais alterações neurológicas associadas à síndrome de Cowden são a doença de Lhermitte-Duclos (gagliossarcoma displásico do cerebelo), aumento do volume da substância branca, aumento do corpo caloso e do cerebelo, ventriculomegalia, espaços perivasculares dilatados e malformações cavernosas.
Deficiência intelectual ou atraso no desenvolvimento foram relatados em 12-20% dos pacientes com síndrome de Cowden/ΡΗTЅ.
Critérios de diagnóstico clínico revisados para síndrome do tumor hamartoma PTEN |
Critérios principais |
Câncer de mama |
Câncer endometrial (epitelial) |
Câncer de tireoide (folicular) |
Hamartomas gastrointestinais (incluindo ganglioneuromas, mas excluindo pólipos hiperplásicos; ≥3) |
Doença de Lhermitte-Duclos (adulto) |
Macrocefalia (percentil ≥97: 58 cm para mulheres, 60 cm para homens) |
Pigmentação macular da glande do pênis |
Lesões mucocutâneas múltiplas (qualquer uma das seguintes): |
Múltiplos triquilemomas (≥3, pelo menos uma biópsia comprovada) |
Ceratoses acrais (≥3 fossetas ceratóticas palmoplantares e/ou pápulas hiperceratóticas acrais) |
Neuromas mucocutâneos (≥3) |
Papilomas orais (particularmente na língua e gengiva), múltiplos (≥3) |
OU biópsia comprovada OU dermatologista diagnosticado |
Critérios menores |
Transtorno do espectro autista |
Câncer de cólon |
Acantose glicogênica esofágica (≥3) |
Lipomas (≥3) |
Retardo mental (ou seja, QI ≤75) |
Carcinoma de células renais |
Lipomatose testicular |
Câncer de tireoide (variante papilar ou folicular do papilar) |
Lesões estruturais da tireoide (por exemplo, adenoma, bócio multinodular) |
Anomalias vasculares (incluindo múltiplas anomalias venosas do desenvolvimento intracraniano) |
Diagnóstico operacional em um indivíduo (qualquer um dos seguintes) |
Três ou mais critérios principais, mas um deve incluir macrocefalia, doença de Lhermitte-Duclos ou hamartomas gastrointestinais; ou |
Dois critérios principais e três secundários. |
Diagnóstico operacional em uma família onde um indivíduo atende aos critérios de diagnóstico clínico revisados da síndrome do tumor hamartoma PTEN ou tem uma mutação PTEN : |
Quaisquer dois critérios principais com ou sem critérios secundários; ou |
Um critério principal e dois critérios secundários; ou |
Três critérios menores. |
Manejo da síndrome de Cowden
A síndrome de Cowden/РΗΤS tem efeitos em vários sistemas orgânicos e é necessária uma equipe de tratamento multidisciplinar, que inclui aconselhamento genético dedicado.
As seguintes recomendações de tratamento se aplicam a pacientes com variantes patogênicas de PTEN documentadas, bem como para aqueles que se enquadram nos critérios de diagnóstico clínico para síndrome de Cowden/ΡΗΤS, mas não têm uma variante patogênica detectada.
Vigilância para o câncer na síndrome de Cowden
Dado o alto risco de malignidade, a vigilância do câncer é o foco principal do tratamento médico. Além do aconselhamento genético e educação sobre a síndrome e possíveis manifestações, as recomendações para todos os pacientes incluem:
- Exame físico anual abrangente, com atenção especial à tireoide, a partir dos 18 anos de idade ou cinco anos antes da idade mais jovem do diagnóstico de um componente da família.
- Ultrassonografia anual da tireoide a partir dos sete anos de idade; isso também pode ser considerado para crianças com 50% de risco de herdar uma mutação familiar conhecida cujos pais desejam adiar o teste genético até os 18 anos.
- Colonoscopia aos 35 anos, a menos que sintomático ou se parente próximo com câncer de cólon antes dos 40 anos; então comece de 5 a 10 anos antes do primeiro câncer colorretal conhecido na família. Repita a cada cinco anos ou mais frequentemente se o paciente for sintomático ou se pólipos forem observados.
- Considere fazer uma ultrassonografia renal aos 40 anos e repita a cada um ou dois anos.
- Recomenda-se exame dermatológico anual.
- Considere avaliação psicomotora em crianças no diagnóstico e ressonância magnética cerebral se houver sintomas.
- Conscientização sobre a questão das mamas a partir dos 18 anos.
- Exame clínico das mamas a cada 6 a 12 meses, a partir dos 25 anos ou 10 anos antes do primeiro câncer de mama conhecido na família.
- Mamografia anual e ressonância magnética da mama a partir dos 30 anos ou 10 anos antes do primeiro câncer de mama conhecido na família.
- Educação sobre câncer endometrial e resposta rápida aos sintomas consistentes com câncer endometrial.
- Considere biópsias endometriais aleatórias a cada um ou dois anos.
- Discuta opções de mastectomia e histerectomia para redução de risco (ao término da gestação) e forneça aconselhamento sobre todos os aspectos desses procedimentos.
Tratamento da síndrome de Cowden
O tratamento das manifestações benignas e malignas da síndrome de Cowden/ΡНTЅ é realizado conforme a prática usual para ocorrências esporádicas.
Os pólipos gastrointestinais devem ser ressecados endoscopicamente, dada a histologia variada, incluindo pólipos adenomatosos frequentes, e o risco de alteração displásica.
As informações contidas neste artigo são apenas para fins educacionais e não devem ser usadas para diagnóstico ou para orientar o tratamento sem o parecer de um profissional de saúde. Qualquer leitor que está preocupado com sua saúde deve entrar em contato com um médico para aconselhamento.